Brazuca FC – Furacão de alta escala

Dando continuidade a série Brazuca FC, que falou anteriormente sobre o saudoso São Caetano, continuamos na virada do milênio para falar do campeão brasileiro de 2001: o Atlético Paranaense, que para chegar ao título venceu na final o Azulão. História interligadas, mas com panoramas diferentes e vamos aqui relembrar um pouco do lado paranaense da conquista.

O clube que surgiu em 1924 a partir da fusão entre América Futebol Clube e International Foot-ball Club, teve anos difíceis até chegar ao auge de sua história. O Furacão, que ganhou esse apelido na década de 40, teve que pastar muito, passando por jejuns, ficando muito tempo abaixo do seu maior rival, o Coritiba. Porém no ano de 1995 esse panorama começou a mudar com a criação do projeto Atlético Total (você pode acompanhar mais sobre projeto no vídeo disponível abaixo) na gestão do presidente Mário Celso Petraglia. O projeto que tinha como principal foco a criação da Arena da Baixada, teve bom início já com o título da Série B de 95 em cima do maior rival. No ano de 1997 o estádio Joaquim Américo para que em 1999 o estádio, que até então era o mais moderno da América Latina, fosse inaugurado. Com a paixão do torcedor rubro negro, e um estádio novinho, o clube foi se fortalecendo para caminhar firme ao seu auge.

O ano de 2001 começou com altos e baixos, sendo os fatos mais marcantes a eliminação da Copa do Brasil frente ao Corinthians, e o título do estadual contra o Paraná Clube. O time que iniciou o ano com Flávio Lopes, teve após o campeonato paraense o comando de Mário Sérgio e ganho como reforço o centroavante Alex Mineiro que viria a ser fundamental durante todo o ano pelo clube. Outros pilares da equipe eram o zagueiro Gustavo e o meio campista Kleber, que compuseram a seleção do ano da Revista Placar. Porém nem tudo foi flor naquele ano. O começo no Brasileirão se deu de forma conturbada. Mesmo com bons resultados nas primeiras 5 rodadas, o treinador não conseguia gerir bem o vestiário e a noitada fazia parte da rotina da maioria do elenco, fazendo com que o time decaísse totalmente de rendimento. Após uma derrota por 2×1 frente ao Fluminense, Mário Sérgio deixou o comando da equipe e para seu lugar Geninho, até então pouco conhecido, foi contratado. O técnico não fez grandes mudanças taticamente falando, mantendo o 3-5-2 implantado pelo seu antecessor, entretanto teve o mérito de inflamar o plantel até a conquista.

Com a chegada do novo treinador o time paranaense tomou uma postura muito mais ofensiva em campo, proporcionando grandes espetáculos. Alguns resultados foram marcantes na primeira fase do torneio, como por exemplo o 4×4 contra o Internacional e as goleadas de 5×1 frente a Santa Cruz e Ponte Preta. Assim, o clube teve na primeira fase da competição o melhor ataque do torneio, com 58 gols marcados. A campanha na primeira fase foi a segunda melhor, sendo superado apenas pelo São Caetano devido ao saldo de gol. Para a segunda fase o time contou com o reforço da psicóloga Suzy Fleury, para ajudar o time a manter o foco naquele momento tão importante. E certamente ela teve um papel importante. E a sua importância ficou evidenciada nas quartas de final frente ao São Paulo que tinha uma seleção dentro de campo com nomes como França, Belleti, Rogério Ceni, Kaká, e Júlio Baptista. A vitória por 2×1 frente aos paulistas ficou marcada pelo choro do jovem Kaká ao ser substituído, mostrando quem estava com o psicológico melhor preparado para o jogo.

O adversário da semifinal foi outro tricolor, mas dessa vez o carioca. O Fluminense que tinha sido o clube que selou a demissão de Mário Sérgio, tinha no comando do ataque um Magno Alves completamente inspirado. Porém a Arena foi determinante, e em um jogo de tirar o fôlego, o Furacão avançou vencendo por 3×2 com Alex Mineiro marcando três vezes. A final seria decidida em dois jogos, sendo o decisivo disputado no Anacleto Campanella no ABC Paulista. Para quase 32 mil torcedores o Atlético deixou o título próximo já no jogo de ida, Alex Mineiro decidiu com mais um hat-trick e o time da casa venceu por 4×2. O jogo pra afirmar a conquista marcou novamente o lado psicológico do Furacão, pois o comandante Geninho entregou antes do jogo a faixa de campeão aos seus atletas, e esses entraram inflamados em campo para não perderem a mesma. O resultado não poderia ser outro. Vitória do Furacão com gol do matador Alex Mineiro. Pela primeira vez o clube de 1924 conquistava o título mais importante do futebol brasileiro.

Porém, problemas financeiros fizeram com que o time não mantivesse o sucesso nos anos posteriores. A campanha na Libertadores terminou com uma eliminação já na primeira fase. No Brasileirão de 2002 o clube amargou apenas a décima quarta colocação. Mesmo assim alguns fatos puderam ser comemorados como por exemplo a participação de Kleberson na Copa do Mundo de 2002, fruto de seu excelente desempenho ainda em 2001. Posteriormente o jogador foi para o Manchester United sendo apresentado junto com Cristiano Ronaldo. Alex Mineiro deixou o clube em 2003 com destino ao futebol mexicano. Teve ainda depois mais duas passagens pelo Furacão porém sem o mesmo brilho da primeira. Já o comandante Geninho não aceitou reduzir o salário para continuar a frente do clube e foi treinar no início de 2002 o Atlético Mineiro.

Essa é a história do impactante Atlético Paranaense do começo do milênio. O time que em 2004 quase conquistou o bicampeonato nacional, que teve sua Arena mais uma vez reformada para ceder jogos na Copa do Mundo de 2014, e que atualmente está disputando a Libertadores. O Furacão é um time de torcida apaixonada e quem joga lá sente a pressão. Por mais que os títulos de expressão não tenham aparecido, o clube tem tido um bom protagonismo no cenário nacional. Talvez 16 anos depois o clube possa ter a mesma pretensão do início do milênio, a gestão é exemplar e o elenco qualificado. Porque não acreditar novamente num futuro próximo no Furacão no topo do país? Pois bem, eu acredito nisso.

Elvis Fernando

20 anos, estudante de Engenharia na Universidade Federal do ABC. Apaixonado por esportes e isso me mantém firme dentro do HTE Sports.
Fundador da marca HTE.

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