CLUBE DA FÉ #95 – Início de temporada muito promissor

Vou confessar uma coisa. Há muito tempo que um início de temporada do São Paulo não me animava tanto. Desde o anúncio de Rogério Ceni como treinador, muitas expectativas e dúvidas pairavam no ambiente tricolor. Mas, desde a pré-temporada nos EUA com os relatos dos jornalistas que cobriam os treinos, dava para crescer a confiança de que esse trabalho comando pelo M1to e auxiliado por Michael Beale e Charles Lambart tinha rumo certo. Restava saber em quanto tempo teríamos essa percepção.

Bem, vieram os jogos da Flórida Cup e os primeiros do Estadual e da Copa do Brasil. E nesse pouco tempo, já ficou claro uma coisa: Temos um padrão de jogo e a confiança dos jogadores no que vem sendo treinado pela comissão técnica. Ainda faltam diversos ajustes, nosso elenco não está entre os melhores do Brasil, não dá para falar em títulos ainda, mas já dá para ter uma perspectiva muito melhor que as que tínhamos em todos os inícios de temporada desde 2010 pelo menos.

Ontem contra o Santos isso ficou bem claro. Com a proposta definida de marcar o adversário no campo de ataque, mesmo jogando fora de casa e em um clássico, e saindo sempre com toques curtos, é natural que nesse começo de temporada tenhamos alguns problemas para o encaixe dessas situações em determinados confrontos. Logo no começo do jogo, Maicon perdeu uma bola na entrada da área tentando sair jogando e Lucas Lima deu um chute perigoso. Talvez para privilegiar a velocidade do contra-ataque ou por desgaste de começo de temporada, Gilberto fazia a cobertura do lado direito da defesa, tendo que acompanhar o bom lateral Zeca. Não é o mais indicado e isso ficou provado no gol santista, quando Vitor Bueno e Zeca fizeram dobradinha para cima de Buffarini, que levou um belo drible do primeiro antes do cruzamento que abriu o placar.

Mas, mesmo com essas falhas, vimos o São Paulo acreditando no seu modelo de jogo. Trocando passes no campo de ataque e com melhor cobertura de João Schmidt, que inverteu o posicionamento com Cícero no meio-campo, começamos a controlar mais o jogo, mesmo com um ineficiente Neílton a frente. E os cruzamentos para área da intermediária foram raros, mostrando a tranquilidade da equipe para buscar o jogo. Em um dos poucos cruzamentos, Gilberto foi empurrado por Zeca, o juiz anotou o penal e Cueva, melhor jogador do São Paulo nesse começo de temporada, empatou.

E no segundo tempo Ceni foi certeiro nas alterações. Colocou Luiz Araújo no lugar do horrível Neílton, posicionou João Schmidt como terceiro zagueiro quando o São Paulo iniciava as jogadas ofensivas, abriu Cueva do lado direito, deixando Gilberto mais centralizado, anulando, assim, a dobradinha em cima de Buffarini. Thiago Mendes pode pressionar mais no meio campo e, numa dessas, roubou a bola que terminou no bonito gol de Luiz Araújo. O terceiro, novamente de Luiz Araújo, veio num contra-ataque iniciado por Sidão, corrido por Araruna (que havia entrado no lugar de Thiago Mendes), passou por Cueva fazendo a festa dentro da área santista antes de chegar aos pés do garoto que finalizou com precisão.

Mais que o resultado, a vitória de ontem dá confiança para sequencia do trabalho de Ceni ao longo do ano. Ganhamos de um time bem estruturado, com ótimos jogadores e no local onde estávamos a diversos jogos sem vencer. Ganhamos jogando bem. Ganhamos com um futebol consistente. Ganhamos com uma ideia de jogo bem definida. Isso que mais importa nesse momento.

Como falei no começo, temos muitos pontos ainda que precisam de ajustes. Mas também teremos as entradas de jogadores como Lucas Pratto e Jucilei, além da recuperação do garoto Lucas Fernandes que elevarão o nível do elenco. Pode ser que não ganhemos títulos esse ano, que fiquemos no meio do caminho no Paulista e na Copa do Brasil. Mas, se conseguirmos manter durante o ano esse plano de jogo e padrão tático, já terá sido um ano muito mais proveitoso para o São Paulo que os 6 anos anteriores. Bom começo. E que pode melhorar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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