De Bate-Pronto: O protagonismo dos pequenos nos estaduais

Os estaduais dividem opiniões. Alguns acham essencial, outros dispensam. A certeza é que esses campeonatos sempre rendem boas histórias, que quase sempre passam por clubes de menor expressão, considerados pequenos. As razões para o protagonismo dos pequenos são diversas: pré-temporada mais cedo, pressão pequena para conquistar vitórias e etc. Mas, as dificuldades são bem maiores. Menor investimento, jogadores (teoricamente) mais fracos tecnicamente, técnicos sem um passado vitorioso, entre tantas outros aspectos que poderiam ser citados. Em 2017, temos alguns exemplos, ao longo de todo território nacional, de clubes com essas características.

No campeonato paulista, os únicos dois invictos são Mirassol e Santo André. Engana-se quem pensa que conquistaram pontos apenas contra times de mesma expressão. O Santo André ganhou na Arena Corinthians por 2×0 do dono da casa, e o Mirassol empatou com o São Paulo no Morumbi, após sair perdendo por 2×0. Dos dois, o protagonismo maior é do Mirassol. Mesmo com 450 de folha salarial – contando até os profissionais fora de campo -, tem o maior aproveitamento do campeonato até aqui, joga de forma equilibrada (não só se defendendo) e tem bons jogadores no elenco, como Rafhael Lucas (ex-Coritiba) e Bruno Sávio (ex-América Mineiro).

 

 

 

O Novo Hamburgo vem sendo o rei do campeonato gaúcho. Com investimento bem menor do que a dupla GreNal, com menor expressão do que o Juventude e o Brasil de Pelotas, o time vem surpreendendo. 100% no estadual, o Novo Hamburgo venceu do Internacional por 2×1. O goleador da equipe, até aqui, é o atacante Jardel, que deve fazer mais gols no gauchão.

 

 

No carioca, é possível destacar a campanha do Madureira, antecipadamente classificado para a semifinal da Taça Guanabara. Ganhou do time peculiar do Boavista e do Botafogo. Ainda enfrenta o Flamengo, sensação do campeonato, e promete dar trabalho para o rubro-negro, mesmo com uma folha salarial infinitamente mais baixa, e sem Guerreros, Diegos, Traucos e outros jogadores de nível Libertadores que o Fla tem.

 

 

Nos campos de Minas Gerais, mesmo com Atlético, América e Cruzeiro, a URT é quem chama atenção. Inclusive, na última rodada, empatou com a raposa do técnico Mano Menezes, mesmo após sair perdendo. Também empatou com o América. Joga de forma cadenciada, sem medo dos grandes.

 

 

 

Mesmo não sendo estadual, é importante destacar alguns times da Copa do Nordeste. River-PI e Campinense fazem ótimas campanhas. O Campinense vem sendo destacado já há 2 ou 3 anos, tendo pessoas competentes a frente (como você pode conferir na entrevista feita pelo HTE Sports com o presidente do clube clicando aqui) e boas ideias acerca de futebol e gestão – o que falta em muitas diretorias dos gigantes brasileiros.

Os estaduais ainda estão no começo. Claro, os times citados podem decair e acabar o campeonato numa posição muito diferente da atual. Mas é para se surpreender e aplaudir, mesmo no início, de como esses clubes se prepararam e conseguem aplicar as ideias, com todos os profissionais envolvidos, chegando ao topo, mesmo com a concorrência de outros grandes e até gigantes.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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