HOSPÍCIO #97 – Quanto mais desacreditado, melhor

A imagem destacada fala por si só. Quem era mais desacreditado que Bruno Henrique, Vagner Love e Romero em 2015 no Corinthians? O Corinthians e os corinthianos adoram estar desacreditados. Neste começo de temporada, visando as contratações dos outros clubes pelo país, quase toda a imprensa e até parte da torcida corinthiana não acredita no time para 2017. O Corinthians é marcado pela raça, que aparece principalmente em cenários como o de hoje.

 

 

Flamengo, São Paulo, Santos, Atlético-MG e, principalmente, Palmeiras. Estes são os clubes que têm os – considerados, de forma geral – melhores times do país. Mesmo com pesos diferentes para muitos parâmetros, como o início de Rogério Ceni e Eduardo Baptista no São Paulo e Palmeiras, respectivamente, e o início de Fábio Carille (que é intensamente criticado, mesmo realizando um início de trabalho espetacular, melhor que o dos dois citados, inclusive), o Corinthians vem num início de temporada de bom para empolgante. O time tem entrosamento, já tem um padrão de jogo (que Carille aproveitou da época de Tite) e algumas peças já se destacam, como Pablo, Gabriel e Rodriguinho. Claro, é inegável que precisamos de mais dois ou três reforços, mas o time atual é competitivo.

Recordando, nas temporadas em que foi mais desacreditado, o Corinthians brilhou. Citando episódios mais recentes: 1990, o Corinthians tinha um time muito menos competitivo que outros grandes, como o São Paulo, Atlético-MG e outros, mas conquistou o Brasileirão; em 2008, na segunda divisão, não se sagrou campeão, mas chegou à final da Copa do Brasil, derrubando pelo caminho times que estavam na Série A na oportunidade; 2011, eliminado pelo Tolima, nem de longe o Timão era o favorito, mas conquistou o título brasileiro; 2012, o Corinthians vinha de uma conquista de Brasileirão, mas não era acreditado na Libertadores, e muito menos no Mundial, ganhou os dois; 2015, após a saída de Guerrero e a volta de Tite, muitos pensavam que o Time do Povo seria rebaixado novamente, e, ao final, viram a melhor campanha em um campeonato brasileiro nos pontos corridos, desde 2006. E fica a pergunta: por que não em 2017? Igual aos anos citados, não temos um elenco forte, não temos um craque, uma estrela, mas temos organização dentro de campo.

Quando precisamos, a essência dos ancestrais corinthianos simplesmente aflora. Vem uma força que desde 1910, sob a luz do Lampião, no Bom Retiro, é símbolo do Corinthians. A mesma força vem da torcida, de Neto, de Zé Maria, de Ronaldo Giovanelli e tantos outros. A raça vira o elemento principal dentro de campo, e contra um Corinthians raçudo, ninguém tem vez. A prova disso? Todos os anos citados acima, e todos os outros 101 anos. O Time do Povo carrega consigo a multidão, que empurra os jogadores em momentos como o de hoje.

Desacreditar o Corinthians, chamar de 4ª força do estado, é dar à instituição e aos torcedores o que eles mais gostam. Quanto mais desacreditado, melhor. E quando menos se espera, lá estará o capitão alvinegro levantando mais uma taça, coroando todos os aspectos citados e a força da torcida. Vai Corinthians.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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