SANTÁSTICO #26 – Superávit santista? Uma história mal contada

No último dia 31, o Santos encaminhou ao Conselho Fiscal o balancete de 2016 e apresentou números que indicam que o clube teve o maior superávit financeiro da história. De fato, as contas do clube estão no azul, mas diferente do que foi vendido pela diretoria do clube, essa “redução sensível” das dívidas fiscais não pode ser justificada como fruto de trabalho de uma gestão responsável e que prioriza única e exclusivamente a saúde financeira do clube.

Mesmo em meio à grave crise política/econômica que  atingiu o Brasil, em 2016, os clubes brasileiros tiveram um aumento das suas receitas muito acima da inflação. Para efeito de comparação, as receitas de Santos, Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Grêmio e Internacional, somadas tiveram aumento de 52% em 2016, alcançando a marca de R$ 925 milhões. Em 2015, no mesmo período, os clubes arrecadaram cerca de R$ 609 milhões. Neste ano, o PIB brasileiro tem previsão de retração de 2,30%  e a inflação em 12 meses é 6,29%. Ou seja, é notório que a renda desses clubes vêm crescendo muito acima da inflação.

O aumento dessas rendas se devem pelo novos contratos televisivos  assinados junto à Rede Globo. Aliado à assinatura dos contratos incluísse o pagamento de luvas (valor adicional que costuma ser pago no início do contrato) e por conta dessa remuneração, os balancetes do ano passado apontaram um aumento significativo nas receitas santista. Além disso, a negociação de atletas com o dólar em alta, assim como ocorreu com o atacante Gabriel Barbosa, vendido por R$ 108 mi à Inter de Milão–ITA, a curto prazo, também têm ajudado os clubes a equilibrar suas finanças.

Portanto pode-se afirmar que esse superávit não é diferente do que está aparecendo em outros clubes, pois, estão registrando nas contas de 2016, valores de contratos que ainda não estão vigente. Essa é uma prática comum dentre os gestores que estão à frente dos clubes e serve para mascarar a incompetência administrativa que assola o futebol brasileiro, vendendo à torcida números que não condizem com a real situação financeira do clube. A prova disto, é que mesmo sem grandes investimento, ano a ano, o Santos vem montando times competitivos que garantem retorno esportivo/financeiro e mesmo assim encontra dificuldades para criar receitas que sejam capaz de reduzir uma divida que está entre as maiores do futebol brasileiro.

É absolutamente assustador, saber que mesmo aderindo as contrapartidas do Profut que em 2015 concedeu descontos em dívidas de R$ 38,4 milhões, ampliando as receitas e diminuindo o déficits, mesmo tendo retorno esportivo e financeiro com o time em evidência e mesmo fechando 2016 com “o maior superávit da história” do clube, a gigante dívida santista que já chegou a bater na casa dos R$ 410 milhões, a longo prazo diminuiu apenas 3,7%.  Ou seja, o aumento das receitas não  refletiu na redução das dívidas do clube.

Parte do balanço do 1º Semestre de 2016 apresentado pelo clube

 

Andherson Oliveira

Santista, 22 anos, estudante de jornalismo e apaixonado por Futebol :)

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