Rogério Micale foi injustiçado pela CBF?

Texto: Bianca Ramos

Rogério Micale chegou ao comando da Seleção Brasileira sub-20 em maio de 2015, às vésperas do Mundial da categoria, onde treinou uma equipe já convocada pelo treinador anterior, Gallo. Micale levou a equipe ao vice campeonato na Nova Zelândia, perdendo a final para a Sérvia, mas ganhou crédito pela boa campanha na competição.

Além desse crédito, após a demissão de Dunga da seleção principal, Micale foi o responsável por comandar a equipe nos Jogos Olímpicos no Rio em 2016, conquistando a inédita medalha de ouro. Sendo assim, o treinador caiu nas graças da torcida brasileira, sendo nomeado o principal responsável pela conquista.

Após a Olimpíada, o treinador renovou contrato com a CBF para o ciclo olímpico em 2020, porém, bastou uma campanha ruim no Sul-Americano sub-20 para o técnico Micale ser demitido junto com boa parte da comissão técnica. Antes de Micale, já havia sido demitido o coordenador das categorias de base, Erasmo Damiani. Junto com o treinador, o preparador de goleiros Rogerio Maia, o coordenador de scout Paulo Xavier, o administrador Gustavo Copertino e o supervisor Vinicius Costa também perderam seus cargos.

Micale disse em entrevista que sua demissão foi inesperada, pois o seu retrospecto em competições com a seleção era positivo, tendo apenas a má campanha no Sul-americano para esquecer. E isso levanta uma questão um tanto quanto polêmica: foi injustiça da CBF?

Infelizmente, quando uma equipe conquista um torneio ou joga muito bem, o mérito fica boa parte das vezes com os jogadores, mas quando é eliminado, a culpa é exclusivamente do treinador. É claro que Rogério Micale tem sua parcela de culpa, afinal de contas, a convocação dos jogadores foi feita por ele. Fatores como a falta de coletividade, especialmente no meio campo, também são de responsabilidade do treinador.

Contudo, o treinador sofreu na competição com fatores que não eram de seu controle. Micale alegou que o que mais atrapalhou seu trabalho foi a dificuldade dos clubes em liberar alguns atletas para jogar. Além disso, algumas expulsões, as condições dos gramados no Equador também interferiram em alguns resultados.

Em suma, o futebol vive de resultados e de consistência, a qual não se preocupa com seu retrospecto e sim com o trabalho realizado na atual competição. Então, é um pouco de injustiça, pelo fato de a CBF não ter dado a Micale mais uma oportunidade de mostrar seu trabalho, mas ao mesmo tempo uma demissão compreensível, visto que o que importa não só ao Sr. Del Nero, mas também ao futebol, são boas campanhas.

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