CLUBE DA FÉ #97 – Calma, sem desespero

Como dizem as “grandes” mentes do esporte, “futebol é quarta e domingo”. O São Paulo tinha nove jogos de invencibilidade, Luiz Araújo encantava a todos, as falhas individuais da defesa eram minimizadas dado ao ataque bem positivo que vínhamos tendo. Quem comentasse algo negativo, como eu no último post, era visto como corneteiro, chato e manipulado pela imprensa. O time era mágico e candidato a todos os títulos do ano.

Ontem perdemos por 3×0 do Palmeiras no Allianz Park, sem o principal jogador da equipe (Cueva) e com falhas bisonhas de Dênis e Buffarini, já viramos candidatos ao rebaixamento, já tem gente dizendo que parte (alguns dizem ainda que toda) imprensa gosta do Rogério Ceni e por isso não era comentado as falhas do sistema de jogo do São Paulo.

Por isso o título do post. Calma minha gente, sem desespero. Do mesmo jeito que comentei semana passada que ainda eram precisos ajustes, não é a derrota para o Palmeiras que colocará o São Paulo como pior time do Brasil. Primeiro é preciso entender o jogo e o trabalho de Ceni.

Sem Cueva, que sofreu várias pancadas no jogo de quarta-feira contra o ABC, Ceni apostou, por jogar fora de casa e contra um adversário mais qualificado (sim torcedores, temos que reconhecer que o Palmeiras tem mais elenco hoje), em colocar um meio campo mais cauteloso, com Thiago Mendes mais avançado, num 4-4-2 clássico, variando para um 4-3-3 com o avanço do meia. No primeiro tempo, o jogo estava controlado dentro dessa proposta. O São Paulo ficava mais com a posse de bola, criava pouco por conta de um Cícero e um Luiz Araújo errando muito na frente, mas sofria pouco também. Basicamente as chances do rival eram em saídas de bola errada, principalmente com o trio Douglas, Buffarini e João Schmidt. E foi numa dessas saídas, já aos 46 minutos, com passe meio que na fogueira de Douglas e pipocada de Buffarini que Dudu viu Dênis totalmente fora de posição e acertou um bom chute para abrir o placar. Repare que a bola morre quase que na garrafinha de água ao pé da trave. Dênis estava completamente fora de posição após ter feito a saída de bola.

E futebol, como sempre falo, é um jogo circunstancial. Se vira 0x0 o jogo, teríamos um segundo tempo mais controlado, sem necessidade de se expor tanto. Mas, perdendo o jogo por conta de uma falha grotesca dos três citados acima, Ceni lança Wellington Nem no lugar de Jucilei, que sentiu o jogo já que ainda não está na forma física ideal. O Palmeiras então dominou o meio campo e o jogo, fazendo mais dois gols em belo chute de Tchê Tchê e mais uma falha grotesca de Dênis e Douglas no gol de Guerra.

A derrota no clássico apenas evidencia algumas coisas que estamos vendo desde o começo do ano e Ceni e Beale tem totais condições de acertar, exceto uma delas que vou deixar para o final. Primeiro ponto é que João Schimdt, que parte da torcida lamenta que vai embora, não tem características para jogar em nenhuma das funções do meio campo do São Paulo hoje. Não tem poder de marcação para ser o primeiro volante, jogando entre as linhas de 4 do 4-1-4-1 padrão desse começo de jogo, e não tem folego e força física para jogar na segunda linha. Jucilei deve ser o primeiro volante ao longo do ano e acredito que Araruna e, no segundo semestre, Éder Militão (jogador do sub-20) devem ser os jogadores que revesam com ele na função. Esses dois jogadores mostraram até aqui maior potencial para as funções que João Schmidt desempenhou.

O segundo ponto é em relação ao substituto de Cueva. Ontem por lesão, mas em vários momentos do ano não deveremos ter nosso camisa 10 por conta das convocações para a seleção. Portando, Wellington Nem, Lucas Fernandes e Shaylon precisam ser preparados para esses momentos, dentro de suas características. Acho que são bons substitutos, mas precisam da mesma sequencia que foi vital para que Luiz Araújo evoluísse nesse ano (embora tenha jogado mal ontem, já mostrou que será uma peça muito importante no ataque durante o ano).

Para encerrar, um ponto que depende menos deles e mais da diretoria. É triste, mas real: O São Paulo hoje não tem um goleiro digno para a equipe. Dênis mostrou mais uma vez que é capaz de boas defesas, como numa cabeçada no segundo tempo, mas de falhas bisonhas que deixam o time na mão. Não pode ser titular nunca desse time. Sidão também não convenceu, com diversos erros para fechar o ângulo, saída com os pés e reposição de bola (pontos que originaram sua contratação) totalmente equivocados. Renan vive mais no DM que em campo como opção. Se não formos contratar um goleiro, gostaria de ver, durante o ano, algumas chances para Lucas Perri, goleiro da seleção sub-20. Do que vi, principalmente com a equipe do São Paulo sub-20, tem mais qualidades que os três “experientes” goleiros do elenco. Talvez esteja ainda um pouco “cru”, mas seria bom ter uns 10 jogos no ano, pelo menos, para ser nosso camisa 1 em 2018.

Os pontos comentados aqui, os erros, não diminuem o trabalho de Ceni. O trabalho da comissão técnica, ao meu ver, continua aprovado, independente do resultado de ontem. A médio prazo, tem mais perspetiva que os trabalhos de Bauza, Muricy, Ney Franco, Ricardo Gomes e outros que tiveram a oportunidade de iniciar uma temporada a frente do São Paulo nessa década. Da mesma maneira que os nove jogos invictos não transformara a equipe em melhor do mundo, a derrota não transforma em candidato ao rebaixamento. O futuro continua sendo promissor. Calma e sem desespero galera. Ainda veremos muita coisa boa esse ano.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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