Escândalo no futebol: o superfaturamento do Maracanã

Para o leitor que acompanha o envolvimento político/futebolístico, sabe que essa notícia é apenas mais uma das muitas que já aconteceram no meio do esporte. Infelizmente, a vítima da vez foi um dos maiores, senão o maior templo futebol mundial, o Estádio Mário Filho, ou simplesmente Maracanã.

Tudo se inicia quando ainda no papel, já se encontravam várias irregularidades, com relação a questão financeira da obra, onde as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta Engenharia, eram as responsáveis por administrar o consórcio Maracanã. O custo final da obra para a Copa do Mundo, quase dobrou, passando de R$ 705 milhões para R$ 1,2 bilhões de reais, causando superfaturamento em produtos e serviços durante a reforma do estádio

De acordo com o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE), o documento da prestação de contas apresentado pelas empreiteiras, não continha os mesmos valores apresentados na elaboração do projeto, acarretando em significativas modificações entre o projeto básico e o executivo. Ainda segundo o documento, vários itens da planilha de custos, acabaram sendo alterados, como a limpeza da estrutura de concreto com jato d’água de alta pressão, que custava R$ 30,64 m² passou para R$ 37,58 m², mesmo trocando por um jato de menor pressão. A troca dos jatos, impactou no aumento de 577 mil reais a mais no valor total da obra. Itens como a argamassa, aluguel de guindastes, equipes de limpeza, também foram alterados.

Estádio da Cidade do Cabo, África do Sul, sede da Copa do Mundo de 2010

A cobertura do Maracanã, que no projeto inicial, seria mantida, foi condenada pelo consórcio, que construiu uma nova, com o valor de R$ 274 milhões. A estrutura se parece muito com a do Estádio da Cidade do Cabo, na África do Sul, onde foi disputada o mundial de 2010. O problema, é que a do Maracanã, custou 5 vezes mais, passando para R$ 211 milhões no valor final. Tanto superfaturamento, fez com que o TCE suspendesse o pagamento para as empreiteiras, e bloqueando os bens das empresas e de mais 9 pessoas  que eram responsáveis pela obra do estádio.

O Ministério Público também encontrou irregularidades na licitação da reforma do estádio. A suspeita de favorecimento ao consórcio, foi confirmada na delação da Andrade Gutierrez à justiça. O responsável pela empresa confirmou a formação de cartel entre as empreiteiras e o Governo do Rio, para direcionar a licitação, e que as empreiteiras pagaram propina para serem escolhidas. Denúncia essa, que também fez com que o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral fosse preso.

No final da história, o estádio símbolo mundial do futebol, acabou sendo envolvido em outro jogo, o da corrupção e do desvio de dinheiro público.

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago á tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada tipo de situação.

%d blogueiros gostam disto: