O cenário de insegurança no futebol

O que era para ser uma válvula de escape em meio a crise que assola nosso país, no objetivo de fugir dos problemas cotidianos, acaba se tornando um problema que atinge os apaixonados por uma arte chamada de futebol. No ano passado no estádio Mané Garrincha em Brasília, estavam ali frente a frente as duas melhores equipes da temporada 2016, de um lado o Flamengo e do outro o Palmeiras, aquele que viria a ser o campeão brasileiro logo mais tarde. Sim, era um clássico histórico que envolve duas torcidas de massa e no qual carregam em suas camisas muitos títulos e jogos memoráveis. Porém nada disso foi capaz de impedir uma série de barbaridades nas arquibancadas daquela praça esportiva, isso porque as principais organizadas do rubro-negro carioca e do alvi-verde paulista entraram em confronto nos setores superiores da arena.

Pra quem não conhece do assunto, no mundo das torcidas organizadas existem o que chamamos de alianças entre algumas delas. Na ocasião a briga foi entre a Mancha Verde do Palmeiras contra a Jovem Fla com a Raça Rubro-Negra do Flamengo. A primeira possui uma relação muito próxima com a organizada do Vasco, a Torcida Jovem, enquanto que os “flamenguistas” são conveniados da Independente e Dragões da Real, do São Paulo, ou seja, a rivalidade vai muito além do que é disputado no campo. Diante desse cenário turbulento, muitas crianças e adultos que ali estavam para se divertirem, foram alvos da selvageria dos pseudostorcedores com direito a gás de pimenta que até atingiram os jogadores e muitos deles sentiam dificuldades de respirar, e acabaram atrasando o reinício da partida, pois toda confusão aconteceu no intervalo.

Em São Paulo há algum tempo todos os clássicos são de torcida única e muitas vezes acontecem em dias não tão comuns para o torcedor. Os últimos dérbis foram entre Corinthians e Palmeiras que marcou os 100 anos de história do duelo e no encontro entre os alvinegros, o da capital e da baixada santista, todos eles em uma quarta-feira num horário inviável. Sem dúvidas se os dois jogos acontecessem no sábado ou domingo a festa seria bem melhor. Já no Rio de Janeiro por muito pouco essa decisão também prevaleceria. No “Clássico da Rivalidade” como é chamado o encontro entre Flamengo e Botafogo teve uma vítima fatal. Houve uma briga generalizada nos arredores do estádio Nilton Santos, popularmente conhecido como “Engenhão”, após confronto de torcidas organizadas e um botafoguense foi morto, enquanto que outras sete pessoas ficaram feridas. A insegurança era tamanha que a direção do Botafogo, mandante da partida, reclamou pela baixa quantidade de policiamento no local por temer pelo resguardo dos jogadores.

Por conta disso nos próximos clássicos viriam a ser de torcida única na Cidade Maravilhosa, entre eles a final da Taça Guanabara envolvendo Flamengo e Fluminense. Mas pela pressão das duas diretorias que são opositores da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), a liminar expedida pelo Ministério Público foi derrubada e no último domingo (5) as duas torcidas puderam acompanhar o jogo que deu o título ao tricolor carioca. Aqui em Salvador por nossa sorte, o Ba-Vi ainda tem a presença garantida de tricolores e rubro-negros, pois ainda somos tidos como exemplo de torcer na base da alegria, afinal esse é o jeito de ser do baiano.

Mas nessa semana um acontecimento envolveu o nome dos dois times. Na partida de basquete, é bom frizar isso, entre o Vitória diante do Vasco, causou uma confusão do lado externo do ginásio poliesportivo de Cajazeiras, um bairro da capital baiana. Segundo informações, alguns integrantes da Torcida Bamor, do Bahia junto com a Vascão Salvador brigaram com Os Imbatíveis, do Vitória. Com isso as duas torcidas estão fora do próximo Ba-Vi no dia 9 de abril na Fonte Nova, a Bamor está punida por 45 dias sem poder adentrar com faixas , bateria e bandeiras e a TUI ( Torcida Uniformizada Os Imbatíveis) que também se envolveu em outra briga com outra torcida do Vitória, também sofreu a mesma punição, mas por 60 dias. Até quando os torcedores comuns e o futebol serão vítimas da impunidade dessas pessoas?!

De fato, todos esses elementos aqui reunidos são de bastante relevância para afastar os verdadeiros torcedores, aqueles que só desejam ir ao estádio no clima de paz para tomar uma cerveja, encontrar com os amigos mesmo aqueles que tem predileção pelo clube rival, e no fim do jogo ao retornarem para as suas casas, é que o verdadeiro sentido de se viver o futebol seja o respeito um pelo outro.


Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória. Siga meu perfil no twitter (@cezarr__)

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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