Plano de Jogo – O frenético Fla-Flu

No post do Plano de Jogo da semana, analisaremos o Fla-Flu que foi o melhor jogo do ano. Um grande espetáculo, mas será que taticamente valeu? Vamos a análise tática.

 

O Fluminense tinha a proposta clara de explorar o contra-ataque, apostando na velocidade de Wellington Silva e Richarlison, com os lancamentos de Sornoza, tudo isso funcionou muito bem. Já o Flamengo, com um time de mais qualidade técnica, não trabalhou a bola e sofreu com erros individuais na defesa.

 

A ANÁLISE 

Escalações de Fluminense 3 x 3 Flamengo

 

Primeiro gol: erro de Trauco e contra-ataque de 9 segundos

Erro de Trauco e méritos de Wellington Silva determinaram o primeiro gol.

O Fluminense tinha todos os seus jogadores dentro da área. Trauco era o homem responsável pela sobra, aquele que fica encarregado de matar um possível contra-ataque. Porém, o lateral recebeu a bola rebatida e tentou a finalização contra um paredão a frente do gol. O resultado foi o contragolpe à mil por hora de Wellington Silva.

 

Contra-ataque mortal do Fluminense durou 9s.

Wellington Silva com a bola avança na direção do gol, com Richarlison e Henrique Dourado passando em velocidade do outro lado. O lateral Pará era o último homem do Flamengo, mas acabou falhando.

 

Bola parada: marcação falha dos dois lados

Richarlison não acompanhou o Willian Arão, que finalizou livre.

O gol de empate do Flamengo, surgiu numa bola parada vinda da direita. O Fluminense utilizando a marcação individual, deixou o Willian Arão concluir livre para o gol.

 

Henrique Dourado também finaliza livre de marcação após escanteio.

Assim como a zaga do Fluminense falhou, a do Flamengo também. E o mesmo problema, erro individual, marcador não acompanhou. Mas dessa vez, o gol não saiu, só resultou na finalização cara a cara de Henrique Dourado no Alex Muralha.

 

Ponto marcante: a liberdade dos laterais

O gol da virada do Flamengo, surgiu num cruzamento do Pará (primeira imagem). O que dá pra destacar é que os laterais chegavam ao fundo sem a marcação dos pontas, ou seja, os extremos não estavam recompondo. No lance do gol, quem deveria estar ali para acompanhar o Pará era o Richarlison, que nem na imagem aparece. No caso do Fluminense, não dá pra saber se por estratégia ou por desleixo dos jogadores, já que o tricolor tinha o plano claro de jogar no contra-ataque.

No lado do Fluminense, a coisa foi mais comum ainda. Os pontas Mancuello e Everton, deram muita liberdade a Léo e Lucas, respectivamente. Na segunda imagem, o lateral Léo avança livre e quem tem que dar o combate é o volante Willian Arão. Lucas também trabalhou com facilidade. Veja abaixo.

No segundo tempo, com o resultado favorável. Abel corrigiu o erro da parte do Fluminense e o ponta Richarlison passou a acompanhar o lateral Pará (imagem abaixo), ajudando o Léo, já que o Berrío entrou e passou a afunilar no lado direito do Flamengo.

 

Flamengo utilizando da bola longa


Se era por estratégia do Zé Ricardo ou por espontaneidade do Rafael Vaz, não dá pra saber, mas o zagueiro encontrou bons passes longos. No segundo tempo, isso foi de grande ajuda com a entrada do colombiano Berrío que atuou bem aberto pela direita (imagem abaixo).

 

Sucessivos erros do Réver

O terceiro gol do Fluminense, veio em uma jogada muito sem noção. O zagueiro Réver estava mal-posicionado, no meio-campo e isso abriu espaço para o lateral Lucas entrar no meio da zaga. Isso mesmo. Mas não só nesse lance que o Réver se posicionou mal. Em vários momentos, o jogador foi dar combate totalmente fora da sua zona e deixando o seu espaço lá atrás, como nas imagens abaixo.

 

E assim termina a análise, um jogo muito bom por ser aberto, mas com vários erros, principalmente individuais. Um grande Fla-Flu, que terminou empatado em 3-3, mas com vitória do Fluminense nos pênaltis. Obrigado pela leitura do quadro Plano de Jogo, críticas construtivas são indispensáveis. Para quem quiser acompanhar algumas análises pontuais, meu Twitter é @Linekher.

 

Linekher de Andrade

16 anos. Jogador de futebol do Anápolis FC, sub17. Goiano com orgulho. E nome inspirado no artilheiro da Copa de 1986, o inglês Gary Lineker.

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