Wild Pitch – O Cartola de hoje não existiria sem a MLB

A frase do título pode, aparentemente, não ter conexão clara. Como o Cartola, um fantasy game de futebol, teria relação com a maior liga de baseball do mundo? A resposta, por incrível que pareça, é o título da coluna. O Cartola nada mais é que um derivado de uma das maiores invenções do esporte americano: o fantasy game. E foi justamente no baseball que o fantasy encontrou a sua primeira criação e organização com regras e pontuações através de um fator que os americanos cultuam incessantemente nos esportes: ESTATÍSTICAS.

Em 1980, um grupo de jornalistas fanáticos por baseball se reuniam em Nova Iorque sistematicamente em uma Rotisserie francesa, lugar onde costumavam se reunir para comer e falar sobre baseball. Em uma dessas reuniões, o jornalista Dan Okren apresentou o esboço da ideia que mudaria a história dos esportes americanos: a Baseball Rotisserie League. O objetivo do jogo idealizado por Dan e seus amigos era demonstrar quem entendia mais do jogo entre eles.

Para isso, Dan idealizou um sistema de pontuação baseado nas principais estatísticas do Esporte: média de rebatidas, número de home runs, corridas anotadas, bases roubadas, número de vitórias dos arremessadores, saves, ERA. Dan inclusive inventou uma estatística, conhecida como WHIP, que era o número de walks e rebatidas concedidas por um arremessador dividido pelo número de entradas arremessadas.

As estatísticas são a base de todos os jogos de fantasy (Foto: reprodução / internet)

Com os critérios definidos e após conseguir alguns outros aventureiros que pagaram 250$ para entrar na Liga, foi definido um draft através de um leilão: eles analisaram os rosters de toda National League (A maioria era torcedor dos Phillies e tinham uma maior familiaridade com a disputa na NL) e foram leiloando, jogador por jogador, até cada equipe formar o seu elenco com 25 jogadores. A partir daí, o desempenho dos jogadores durante a temporada da MLB, através das análises das suas estatísticas, fazia com que as equipes fossem pontuando.

O jogo foi se desenvolvendo, Dan e seus amigos escreveram livros com as regras do jogo e a partir daí, a Rotisserie virou uma febre nos Estados Unidos. Algum tempo depois, as grandes marcas e veículos de comunicação começaram a desenvolver e disponibilizar estruturas para formação de ligas. Como os criadores da Rotisserie League proibiram a utilização do nome, na tentativa de lucrar com a ideia, as empresas rebatizaram o jogo como Fantasy League, expandido para outras ligas como a NBA e a NFL. O advento da internet só aumentou a quantidade de usuários de fantasy, que hoje já faz parte da cultura dos esportes americanos. Estima-se que cerca de 12 milhões de pessoas nos Estados Unidos jogam pelo menos uma liga de fantasy.

Atualmente, o mercado de fantasy se expandiu de forma global. Outros países e outros esportes, inclusive o futebol, começaram a utilizar-se das estatísticas do jogo para montar o seu fantasy. Todas as grandes ligas de futebol do mundo disponibilizam os seus jogos. Em 2005, entrou no ar o Cartola FC, o jogo de fantasy que virou febre no Brasil. A ideia de pontuação é basicamente a mesma da ideia original: análise de estatísticas de jogadores para pontuar de acordo com o desempenho de cada um. A principal diferença, ao meu ver, é a possibilidade do mesmo jogador atuar em várias equipes. Atualmente, o Cartola conta com aproximadamente 2.723.915 usuários, número que cresce anualmente.

Portanto, você, cartoleiro fanático, que adora competir com os amigos para saber quem entende mais de futebol, de estratégia e de montagem de elenco, deve agradecer todos os dias por uma ideia de alguns jornalistas (sempre eles!) que resolveram associar as estatísticas reais a um jogo fictício. E o jogo por eles escolhido foi o baseball, com os jogadores da MLB.

Caso você tenha ficado curioso com a história da coluna e queira conhecer um pouco mais sobre a criação do Fantasy Game, indico o documentário “Silly Little Game”, de 2010. Ele está disponível no Watch ESPN, mas também pode ser encontrado na internet.

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