Wild Pitch – Reconstruindo os Marlins

Quase 6 meses após a tragédia com o arremessador José Fernandez, que faleceu em um acidente de barco em 25 de setembro de 2016, a equipe do Miami Marlins tenta seguir em frente. Além da tragédia com um grande companheiro de time, a franquia perdeu um dos melhores arremessadores da MLB, considerado uma das principais promessas das grandes Ligas. Como reconstruir esse time após uma tamanha perda e encontrar o caminho das vitórias?

A reconstrução da equipe, ao meu ver, teria de passar por dois aspectos fundamentais no esporte: o aspecto mental e organizacional. A primeira parte é bem complicada e depende muito da reação individual de cada membro da franquia, sejam os jogadores, treinadores e dirigentes. Um bom exemplo é o do amigo de Fernandez e companheiro de clube, o right fielder Giancarlo Stanton. Em entrevista a ESPN americana, ele contou o quanto viveu momentos complicados no final da temporada 2016.

Stanton lembrou de como todas as perguntas eram voltadas para o que os jogadores estavam sentindo em cada coisa que faziam sem a presença do companheiro de equipe. “Ninguém falava sobre o jogo, o que no momento, deveria ser o nosso foco. Ninguém parecia preocupado com a nossa recuperação depois daquilo”, lembrou o atleta sobre as perguntas nas últimas partidas que os Marlins atuaram na temporada passada, logo após o acidente.

Junto a outros dois amigos (que também foram colegas de Fernandez), Stanton resolveu fazer uma viagem. Percorreu 8 países junto com A.J Ramos (closer dos Marlins) e o arremessador Ricky Nolasco (atualmente nos Angels). De acordo com Stanton, a viagem ajudou a curar as feridas, descansar a mente e ajudar a se fortalecer para o que vem pela frente. O clima no Spring Training foi de jogar e vencer por Fernandez. A mentalidade da equipe parece estar no lugar, ainda que os Marlins careçam de alguns talentos.

Da esquerda para direita: Stanton, Nolasco e Ramos homenageiam José Fernandez com grafite no Rio de Janeiro (Foto: Instagram / reprodução)

E é aí que entra o outro fator que eu havia citado: a organização. Os Marlins perderam o seu Ás, principal arremessador e uma das lideranças técnicas da equipe. Repor Fernandez é impossível. Para os torcedores da equipe da Flórida, a expectativa é que os comandantes da franquia tenham habilidade para tentar recolocar a equipe numa posição de chegar aos playoffs em pouco tempo.

Nessa temporada, a diretoria já mostrou ousadia, definindo que o elenco principal de 25 jogadores irá contar com 13 arremessadores (normalmente as franquias da MLB utilizam 11 ou 12). Na prática, a medida faz com que as vagas para os jogadores de defesa diminuam, acirrando a disputa pelas vagas na equipe e fazendo com que os jogadores tentem atuar em mais de uma posição. Ao meu ver uma medida interessante, que inclusive deve ser seguida por outras equipes.

Os Marlins chegam a essa temporada feridos, mas fortalecidos com a dor. Até onde eles vão, não dá pra prever. Mas tenham certeza de que os jogadores pretendem jogar e aproveitar o jogo. Nas palavras de Stanton, “Jogar com toda intensidade possível e aproveitar cada minuto que você tem na Terra”. Palavras de quem não quer desperdiçar nada e fará de tudo para vencer.

 

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