A torcida única nos clássicos é necessária?

Os clássicos despertam o melhor e o pior nos torcedores. O melhor é a rivalidade saudável, as brincadeiras, a ansiedade para um jogo que nunca será comum. O pior é a violência, ditada por uma rivalidade exacerbada e sem motivos realmente relevantes. Por conta de vários episódios do último, os clássicos no estado de São Paulo sofreram uma sanção: todos teriam torcida única. Será que a torcida única nos clássicos é algo ruim?

Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo são gigantes do futebol brasileiro, e juntos, colecionam vários títulos e torcedores. Os torcedores não podem mais participar do espetáculo. Um tema que é muito recorrente nas discussões informais e formais. Claro, que não liberar uma torcida para assistir à um jogo no estádio é um atestado de falência social. As pessoas não foram suficientemente educadas em casa e na escola, a ponto de não saberem respeitar ao próximo. E, pior, nem depois de atingir a maioridade, aprenderam. Separá-los é dizer, de forma implícita, que eles não podem viver juntos, e, se não podem, também nunca vão aprender. De certa forma, não está de todo errado. O buraco social neste cenário é muito mais fundo do que só futebol, é algo que deveria ser discutido publicamente, entre autoridades e população, afim de procurar uma saída. No mais, o Brasil nunca foi bom em reeducar pessoas, o sistema prisional brasileiro é quase pífio, e não atende ao que deveria atender.

Enfim, apesar de tudo isso, os clássicos com torcida única são, sim, bons. Partindo de uma experiência pessoal, fui, em Março deste ano, num Corinthians x Santos na Arena Corinthians. Nunca havia ido à um clássico, também um pouco pelo medo da violência, não necessariamente meu. Neste, um dos motivos pelos quais fui foi saber que não haveria torcida adversária para brigar, e, possivelmente, causar-me algum dano. Pode parecer “nutella” dizer isso, mas viajar mais de 600 km para assistir ao time do coração e, chegando lá, ainda sofrer algo físico com isso não é uma boa ideia. E, como eu esperava, não houve violência. Eu sequer vi um santista ao redor do estádio. Foi tudo na paz e como deve ser: o futebol em campo se destacando das demais coisas.

Claro, não são todos que vão para o estádio brigar. Eu não vou. Possivelmente, você também não. Mas as torcidas únicas nos estádios é uma medida paliativa de certa coerência. Paliativa porque não pode ser vista como solução, é preciso trazer de volta as duas torcidas aos estádios, em prol do espetáculo e de uma “vitória social” em geral. Em alguns outros estados é necessário esta medida paliativa, e seria bom para conservar vidas que podem ser perdidas ao longo tempo. Como a maioria das opiniões no que concerne medidas sociais, a emoção fala mais alto, e a emoção do torcedor é estar no estádio, perto do seu time, de sua torcida, xingando o árbitro e a torcida adversária. Mas, pensando melhor…Infelizmente, é necessário. Infelizmente.

Thiago Cunha Martins

Paulistano, alvinegro, co-fundador e Diretor-geral do HTE Sports. Jornalismo por paixão, Psicologia por vocação. Adorador do futebol e tudo o que o rodeia. Fã curioso da NFL, UFC e eventual seguidor de outros esportes

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