Brazuca FC – O Galinho de Jundiaí e a Copa do Brasil de 2005

Iniciada com o relato sobre a campanha história do São Caetano na Libertadores de 2004, passando pelo Furacão de 2001, Santo André de 2004 e o Bugre de 1978, a série Brazuca FC relembra grandes esquadrões que fizeram história surpreendendo a todos, independentemente da conquista de títulos ou não.  O Paulista de Jundiaí, campeão da Copa do Brasil de 2005 é o nosso personagem principal.

Um modesto tricolor do interior de São Paulo surpreendeu todo o Brasil ao eliminar 6 clubes que na época figuravam a Série A do nosso Campeonato Nacional, com alguns jogadores que hoje são nomes de peso em nosso futebol. O Galo – como é carinhosamente chamado por seus torcedores – fez história em 2005 e conquistou o maior título da história do tricolor jundiaiense.

Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense, Cruzeiro e Fluminense não foram páreos para o time comandado por Vágner Mancini, hoje técnico da Chapecoense. No primeiro jogo da campanha, o meio campista Davi marcou o primeiro gol do Paulista na competição, de pênalti. Davi, curiosamente não chegou até o fim da competição com o time jundiaiense, ao acabar seu contrato, se transferiu para o São Paulo, onde não conseguiu encontrar o seu melhor futebol. Ele andarilhou pelo Brasil até se encontrar no Coritiba onde fez duas boas temporadas e depois rumou a China, onde atua até hoje com seus 33 anos.

Com o resultado do primeiro jogo garantindo o Galinho viajou até o sul do país onde empatou em 1×1 com o time da casa, pela vantagem acumulada, Juventude ficou pelo caminho. O segundo adversário foi o Botafogo do Rio de Janeiro, dois empates foram suficientes para classificar o Paulista, 1×1 em casa e 2×2 fora de casa, o gol qualificativo deu vantagem ao time de Jundiaí. Os autores dos gols são conhecidos do mundo da bola, Marcio Mossoró, campeão da Libertadores de 2006 com o Internacional marcou no primeiro jogo. No segundo jogo, Cristian – com passagem vitoriosa por Corinthians e Fenerbahçe – e Léo, também campeão da Libertadores de 2006, mas que também estava no elenco que conquistou o Mundial de Clubes naquele mesmo ano.

Marcio Mossoró e Léo fazem a ligação Jundiaí – Porto Alegre, mas além desses dois jogadores o time gaúcho foi uma das barreiras que foram deixadas para trás pelo time do interior paulista, pelas oitavas de final da Copa do Brasil o exímio cobrador de faltas Jorge Wagner fez o gol da vitória do Internacional no jogo de ida em Porto Alegre/RS, na volta, Juliano, estreante no campeonato também marcou o único gol do jogo, levando a decisão para as penalidades, Élder Granja e Perdigão desperdiçaram suas cobranças enquanto o Paulista converteu todas. Algo maior já podia ser visto no horizonte para o time de pouca expressão que chegava até então as quartas da Copa do Brasil.

Rafael Bracali, goleiro de 24 anos, desbancava na época ninguém menos que o atual ídolo de outro Galo, o mineiro. Victor amargou a reserva para o goleiro que rumou para o futebol português um ano após a conquista e que atua em alto nível até hoje, na temporada passada foi considerado o melhor goleiro do futebol português, atuando pelo Arouca FC. O mesmo ficou próximo de um acerto com a Chapecoense de seu antigo comandante Mancini, mas os valores pedidos pelo clube português entravaram o negócio. O goleiro foi fundamental na conquista, pois além da já citada disputa dos pênaltis contra o Internacional, as quartas também exigiu dele mais defesas de chutes que viriam da marca do cal, Figueirense ganhou por 1×0 em Santa Catarina e em Jundiaí Lucas, lateral direito que não obteve muito sucesso em sua carreira posteriormente marcou o gol da vitória. Sergio Manoel, Paulo Sergio e Marquinhos Paraná, todos nomes que os fãs mais assíduos de futebol alternativo vão se lembrar perderam pelo Figueirense.

O Cruzeiro foi o adversário que se colocou entre o Paulista e a final tão sonhada, um Jaime Cintra lotado e chuvoso viu Cristian, Marcio Mossóro e o centroavante já experiente na época Jefferson marcar os gols na vitória por 3×1 que dava uma vantagem boníssima pro Galinho. Mas tudo parecia ir por agua abaixo quando Fred marcou dois gols e Kelly anotou outro, abrindo 3×0 no Mineirão, mas Cristian, que sempre pegou bem e com força na bola marcou em duas pancadas de falta aos 1 e 4 minutos da etapa final trouxe de volta a vantagem para o time do Paulista que carregou até o fim do jogo e conseguiu a classificação.

Um Fluminense de Abel Braga no comando, Juan na lateral esquerda, Antonio Carlos, o zagueiro artilheiro que fez história no São Paulo, o atacante Tuta, meio campo Radamés obviamente chegava como favoritos para a disputa. Outra vez o Jaime Cintra fez diferença e levou o time da casa para uma vantagem no jogo de volta, Marcio Mossoró novamente e Léo marcaram e abriram 2 gols de vantagem para a volta em São Januário. Um empate simples no Rio de Janeiro foi o suficiente para a cidade de Jundiaí se encher de orgulho de seu time e comemorar muito a Copa do Brasil, o campeonato mais democrático do futebol brasileiro.

A Libertadores de 2006 não foi tão surpreendente quanto a Copa, mas não apaga o feito do ano anterior que ainda foi coroada com uma vitória sobre o River Plate por 2-1 em pleno Jaime Cintra, aliás a única vitória do clube na disputa.

Além dos jogadores já citados, o zagueiro Rever e o atacante Finazzi também foram componentes da campanha do título em 2005,

Paulista XI nas finais:

Ida: Rafael, Lucas, Dema, Réver, Julinho, Fábio Gomes, Cristian, Juliano, Márcio Mossoró, Léo e André Leonel. (Fábio Vidal e Jefferson entraram no decorrer do jogo)

Volta: Rafael, Lucas, Dema, Anderson, Julinho; Fábio Gomes, Cristian, Juliano, Amaral e Márcio Mossoró; André Leonel (Réver e Abraão entraram no decorrer da partida)

Renan Thierre

Antigamente comia areia e catarro, futuramente um professor de História, atualmente editor no HTE Sports e finge que entende de futebol e outros esportes.

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