Legado Olímpico: Confederações contra a parede

Se os Jogos do Rio-2016 foram exaltados como a chance para o Brasil subir de patamar nos esportes olímpicos, o ciclo que se inicia para a Olimpíada de Tóquio-2020 surge com o temor de que o País dê passos para trás. E passos largos. Não bastasse a diminuição de patrocínios públicos e privados que leva muita insegurança aos esportistas oito meses após o fim da Olimpíada, boa parte das confederações esportivas têm dirigentes enfrentando problemas com a Justiça, com seus pares ou mesmo com os próprios atletas que deveriam representar.
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) congrega 30 confederações – há outras 19 vinculadas e três reconhecidas oficialmente, mas de modalidades que não disputam os Jogos Olímpicos. Das 30, pelo menos 10 estão envolvidas com polêmicas em suas atuais gestões, enterradas até o pescoço em problemas.
Dentre os cenários, há um pouco de tudo. Duas entidades, por exemplo, estão sendo geridas por interventores indicados pela Justiça, enquanto outras quatro têm ou tiveram seus processos eleitorais questionados judicialmente. Alguns cartolas importantes até bem pouco tempo atrás são acusados de desvios de dinheiro público, e na única confederação que trabalha com recursos exclusivamente privados, a CBF, seu presidente continua está enrolado com a Justiça norte-americana, e impedido de deixar o País com possibilidade de ser preso.
Há 11 dias, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, e três diretores da entidade, foram presos pela Polícia Federal acusados de desvios que podem chegar a R$ 40 milhões. Mais longevo dirigente do esporte olímpico brasileiro, Coaracy comandou a confederação por 29 anos ininterruptos. Ele havia sido afastado do cargo no mês passado por ordem do juízo da 25.ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que entendeu que seu mandato já havia acabado. Desde então, um interventor comanda a entidade.
Outra confederação que está sendo comandada por um interventor indicado pela Justiça é a de taekwondo. Desde janeiro, a CBTKD é dirigida por Carlos Alberto de Carvalho. Ele assumiu o cargo depois de a entidade ficar quatro meses sem um presidente – o anterior, Carlos Fernandes, foi afastado em agosto do ano passado por irregularidades em contratos.
A vacância no cargo trouxe dores de cabeça de caixa à confederação. Durante os quatro meses em que a CBTKD ficou sem comando, nenhuma prestação de contas foi realizada, o que fez com que o COB suspendesse os repasses previstos através da Lei Agnelo-Piva. A documentação ainda não foi regularizada e a entidade segue sem receber.
A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) também não está recebendo do COB. O motivo, porém, é outro: calote. A entidade não pagou uma dívida – valor não revelado – que tem com a Federação Internacional de Basquete (Fiba) e foi suspensa. Assim, nem a seleção, nem clubes, podem participar de jogos internacionais.
Outro problema comum nas confederações brasileiras diz respeito às assembleias que elegem seus presidentes. Na Esgrima, Levantamento de Peso e Hóquei sobre Grama, os pleitos foram levados à Justiça comum. No Handebol, por sua vez, a reeleição do presidente Manoel Oliveira depende de confirmação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
No vôlei, a polêmica diz respeito ao esporte propriamente dito. Jogadoras da seleção feminina que atuam em clubes do País foram à Justiça questionar o ranking da CBV que estabelece que cada equipe que disputar a próxima edição da Superliga tenha apenas duas atletas nota 7 (máxima do ranking) e duas estrangeiras. Segundo as jogadoras, isso limita o direito de escolha e de trabalho.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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