Saudades, futebol do povo!

Com o passar do tempo, você, torcedor, deve ter notado que o futebol praticado antigamente, com enormes públicos nos estádios e times sendo tratados de forma igual, foi decaindo a cada ano que se passava. Com isso, o esporte mais amado, assistido e praticado no mundo passou a ser visto apenas como uma vitrine comercial dos clubes para as mídias, e se esquecendo que quem os mantém de pé, são os seus torcedores.

Um dos fatores principais que fizeram com que essa história, infelizmente se tornasse realidade, foi a questão financeira. Para que se tenha uma ideia, Romário, no ano de 1997, quando conquistou uma Bola de Ouro da FIFA, detinha o maior salário do Brasil, ganhando aproximadamente 96 mil reais, acreditem ou não. Nos dias de hoje, os maiores salários saem em torno de 600 a 800 mil reais. Salários esses que fizeram com que os atletas perdessem o amor aos clubes que o revelaram, e fossem atrás de mais dinheiro. Foram assim os casos de Diego e Robinho, cujos quais, o Santos queria repatriá-los, mas por um valor mais alto, preferiram seguir para Flamengo e Atlético-MG, respectivamente.

As décadas passadas também fizeram parte da história, por terem sido precursoras na revelação de atletas consagrados, que viraram figurinhas carimbadas no futebol brasileiro. Jogadores como Paulo Nunes, Viola, Edílson, Amaral, dentre tantos outros, vivem em memória dos torcedores. Os grandes elencos, dos quais esses jogadores faziam parte, também ficaram na história do futebol. Hoje, não temos mais a idolatria por jogadores, que na maioria dos casos pensam apenas em divulgar sua marca, e esquecendo de jogar futebol.

As construções e reformas de novos estádios, fizeram com que os torcedores, antes muito presentes, se afastassem. Os valores, em alguns casos absurdos na venda de ingressos para os jogos, trouxeram novas formas de assistir as partidas, como o Pay-per-view, introduzido no Brasil com o canal da Globosat, SporTV, que foi um dos precursores nas transmissões de futebol via TV a cabo. De certa forma, isso foi bom e ruim ao mesmo tempo, pois o torcedor pode pensar: “Vou gastar com ingresso, estacionamento e alimentação. Melhor ficar em casa, e assistir pela Tv”.

Fatores como os citados acima, fizeram com que o futebol não fosse mais ‘do povo’, e sim ‘para o povo’, deixando de ser um espetáculo, onde toda a população sentia prazer em assistir, se tornando algo comercial para os mais favorecidos na sociedade.

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago á tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada tipo de situação.

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