CLUBE DA FÉ #100 – Hora de ser grande

Há algum tempo aprendi que nunca devemos comentar muito logo na sequencia de uma derrota ou eliminação marcante. A raiva que ficamos após o jogo não nos faz enxergar a situação do time e do clube como um todo. Na última quinta-feira, o empate em 1 x 1 contra o Defensa y Justicia nos eliminou já na primeira rodada da Copa Sul Americana, completando três eliminações consecutivas. Pior que a eliminação foi ver a regressão dos comandados de Rogério Ceni como equipe. A perspectiva de uma equipe mais ajeitada com duas semanas de trabalho para esse jogo e o início do Brasileirão amanhã foi por água abaixo. Parecia que estávamos assistindo uma equipe de trabalho desmanchado, sem funções definidas e mal escalada.

Taticamente, a apresentação foi desastrosa. Se elogiávamos a saída com posse de bola no começo do trabalho, isso deixou de existir nesse ultimo jogo. Quando Renan saía com Bruno, Jucilei ou Junior, Thiago Mendes estava mais perto de Pratto no ataque que auxiliando essa transição. João Schmidt era mera figuração no meio campo. Assim, os chutões para Pratto se virar e tentar encontrar Cueva ou Neílton eram frequentes. Defensivamente, a recomposição do meio campo não ocorria e ninguém pressionava a saída de bola no ataque.

Individualmente, as três apostas de Ceni foram pífias. O já citado João Schmidt já está com cabeça na Itália. O único desconto da escalação dele é por conta da ausência de Cícero por febre. Agora, Neílton e Lucão não tem condições nenhuma de serem parte do elenco do São Paulo. Enquanto o atacante é um enganador nato, que não dribla, não chuta, não corre e não ajuda em nada, Lucão é certeza de entrega de gols para o adversário. Com o trauma de Casemiro, que também foi muito mal no São Paulo, mas se reencontrou na Europa, o medo de acontecer com Lucão o mesmo paira no Morumbi. Mas precisamos perder quantos jogos, tomar quantos gols por seus erros patéticos para entendermos que no São Paulo ele nunca irá jogar? Em nome da famigerada “vamos prestigiar a base” vamos ficar com um pereba entregando jogo atras de jogo? Prestigiar a base seria continuar com Inácio, David Neres, Boschila e outros jogadores que realmente mostraram talento e condições de ser proffisional, não com o que sobrou das vendas, do que ninguém quis. Se ele jogar muito em outro lugar, parabéns, mas está claro que no São Paulo não irá nunca mostrar um futebol de confiança.

Mesmo com tudo escrito acima, não sou dos favoráveis a troca da comissão técnica agora. Como diz o título desse post, é hora do São Paulo mostrar sua grandeza. E mostrar a grandeza é mostrar que é um clube inteligente. Apostou em Rogério Ceni para ser treinador, sabendo que era sua primeira experiência na função. Sendo assim, era esperado que ocorre erros nesse começo de trabalho. Mas os erros precisam ser corrigidos. E não é por que estamos falando de um dos maiores ídolos da história do clube que não possa haver cobrança e conversas para correção de rota. Pinotti, atual executivo do futebol, tem essa missão, de ter uma conversa franca com o treinador, orientando sobre os erros e cobrando melhorias de desempenho da equipe. Se não for Pinotti, porque não utilizar outros dois membros com tanta história no São Paulo e que possuem respeito de Ceni: Raí e Pintado. Um membro do conselho administrativo e outro auxiliar técnico, são pessoas que têm mais vivência que Ceni em situações fora do gramado e podem orientá-lo e guiá-lo para que ele melhore como treinador, como entrevistado e como cara do São Paulo após cada jogo. Não precisa ser uma reunião para xingamentos, mas uma conversa séria, franca que elevarão todos os envolvidos e, consequentemente, o São Paulo.

Mostrar a grandeza é agir como gente grande, como profissional. É estar convicto do que se pode realizar e corrigir, em tempo hábil, os erros que estão se acumulando. É deixar a emoção e a história de lado e pensar no presente e futuro do São Paulo. É mostrar que o tal novo estatuto do clube não seja somente uma carta de intenções e sim um trabalho evolutivo de fato. É ser o que o São Paulo se esqueceu de ser nos últimos anos.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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