CLUBE DA FÉ #101 – Correção de rumos

Desde o começo do trabalho de Rogério Ceni venho falando aqui nesse espaço de algumas correções que precisavam ser feitas. Durante o Paulista, comentei que o time ainda precisaria buscar o equilíbrio ofensivo e defensivo. Opinião escrita em meio a uma série de vitórias e resultados positivos. Pouco depois da eliminação vexatória na Copa Sul Americana, comentei aqui também sobre os diversos erros de avaliação e escalação e até sugeri que alguns nomes com história do mesmo tamanho (ou maiores, para alguns torcedores) que estão na comissão técnica e na diretoria conversassem com Ceni para esses acertos.

Não sei se isso foi seguido, mas o que conseguimos ver nos últimos jogos foi que alguns rumos já passaram a ser corrigidos. Confesso que quando olhei a escalação ontem comentei na redação aqui do HTE Sports que empate em 0 a 0 era goleada para nós nesse confronto contra o Palmeiras. Lucão na zaga e Marcinho na ala direita davam a impressão de um time inseguro na defesa e aberto demais no meio campo, já que nas duas alas teríamos jogadores bem ofensivos. Mas, como Ceni disse na entrevista pós-jogo contra o Avaí na última segunda, teria que vencer na alma e na dedicação. E isso foi preponderante ontem.

E alma e dedicação respondem por Lucas Pratto. O centroavante argentino é aquilo que o torcedor mais aprecia nas arquibancadas, com uma mistura da tradicional raça dos hermanos com boa técnica para definir as jogadas. Autor do primeiro gol e do passe para o tento de Luiz Araújo que fechou o placar selando nossa vitória que manteve um tabu de 15 anos sem perder para os rivais em nossa casa, Pratto vem provando todo o investimento financeiro realizado em sua contratação. Certamente não será um valor que recuperaremos em um futura venda desse jogador, mas nos auxiliará a ter um time competitivo e no desenvolvimento dos jovens que atuam ao seu lado, como o próprio Luiz Araújo, Marcinho e, quem sabe, Léo Natel, Caíque e Marquinhos Cipriano, três jogadores que ainda estão na base mas podem subir nesse último semestre ou no próximo ano.

Com relação a parte tática, Ceni voltou aos primeiros treinos que fez ainda nos EUA, montando a equipe na variação de 3-5-2 para 3-4-3/3-4-2-1. Embora haja um certo preconceito no Brasil que jogar com três zagueiros é montar um time defensivo, acho que pode ser plenamente o contrário e necessário para as características do elenco do São Paulo. Como não temos volantes com “instinto assassino” na marcação, laterais com sérias deficiências na marcação e falta-nos um meia central cerebral, o uso de três zagueiros, com Jucilei e mais um (podendo ser Thiago Mendes ou Cícero) na frente e muita velocidade e mobilidade com Cueva e Luiz Araújo ao redor de Pratto, podemos ter uma equipe capaz de jogar com pressão alta sem sofrer tanto atrás, assim como jogar esperando mais o adversário (como foi nesse sábado) e saindo em velocidade para matar o jogo. Essa variação é importante pois, como ficou claro ao longo do ano, não temos uma equipe capaz de impor o ritmo em todos os jogos. Dessa maneira, saber jogar conforme o adversário é uma virtude essencial para conquistarmos ao menos um dos objetivos que tínhamos no começo da temporada, que é voltar a Libertadores em 2018.

Ainda não é hora de empolgar. Mas já podemos voltar a ter a confiança que tínhamos no começo do ano. Vitória importante e que dá a tranquilidade para a sequência da competição. Vamos São Paulo!

Rumores:

  • Fernando Bob: Eleito um dos melhores volantes do último Campeonato Paulista, o jogador de 29 anos da Ponte Preta, com direitos do Internacional de Porto Alegre, parece próximo de acerto com o tricolor, visto que liberamos Wellington para o Vasco, por empréstimo. Embora o jogador não tenha tido sucesso na carreira em grandes times, acho a aposta positiva. Tem boa marcação e bom passe na saída de jogo.
  • Éverton Ribeiro: Pelos valores divulgados na imprensa, não vem. Acho bom jogador, mas não para tanto.
  • Lugano: O zagueiro uruguaio é ídolo. Eu, que acompanho desde 1990 o São Paulo, coloco no Top-5 dos ídolos que tenho do tricolor, junto com Telê Santana, Zetti, Raí e Ceni (não necessariamente nessa ordem). Mas, por ser reserva, não pode ter salários de titular, mas gostaria da sua manutenção no elenco com uma festa de despedida (se for o desejo de encerramento da carreira) no fim do ano, parecida com a que foi feita para o Ceni.
  • Zagueiros: Um zagueiro, pelo menos, precisa ser contratado. Douglas não é opção e Lucão é uma bomba-relógio pronta para explodir e entregar um jogo a qualquer momento. Militão é jogador para o ano que vem, esse ano é de maturação no profissional. Fala-se em Luiz Otávio da Chape. À conferir o desenrolar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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