Meu Jogo Histórico #20 – Corinthians x Boca Juniors

Depois de 102 anos de espera, o torcedor corintiano estava preparado para gritar “É campeão” da Libertadores pela primeira vez na história. A expectativa era muito grande, pois após o empate em 1×1 em plena La Bombonera com um gol no final do jogo do Romarinho, deu a esperança de que no Pacaembu a festa seria fechada com chave de ouro.

Eu tinha 17 anos na época e nunca havia saído de casa para assistir um jogo à noite, mas aquela era especial e eu não poderia perder. Um amigo meu me chamou para irmos na praça central da cidade, assistir a partida no “trailler do Danilo” junto com cerca de 60 a 70 torcedores que ali estavam. Vesti minha camisa alvinegra, ainda dos tempos da Batavo e fui com o coração na mão para torcer pelo meu time.

O jogo começa, e desde o início, uma pressão da equipe corintiana fez com que o Boca começasse a se perder na partida. Era claro o descontrole da equipe argentina nas falhas do goleiro Orión, que sofreu com a quantidade de chegadas da equipe alvinegra a sua meta. Emerson Sheik, a contar do primeiro minuto de jogo, já chamava o jogo pra si, fazendo faltas e finalizando ao gol adversário, mal sabendo ele que seria o predestinado da partida.

A primeira parte dos 90 minutos acabou em 0x0, mas pelos 45 minutos iniciais, estava na cara que qualquer erro da equipe do Boca Juniors, o Corinthians mataria a partida.

Eu estava meio apreensivo, mas confiante ao mesmo tempo, pois a vitória seria apenas para consolidar ainda mais o título, que ficou próximo depois da primeira partida. Os fogos soltados na avenida durante o intervalo, anunciavam que a segunda etapa seria de muita festa para nós.

E assim foi. Logo aos 8 minutos, depois de um cruzamento na área e bate rebate, Paulinho tocou de calcanhar para Sheik, que dominou no peito e fuzilou pro fundo do gol. O Corinthians abria o placar, e ficava mais próximo do título inédito da Libertadores.

Minha reação na hora foi de abrir a boca e começar a chorar, acreditem ou não. O mesmo choro de 2007 escondido em minha cama quando o Timão foi rebaixado, agora era de felicidade, por saber que uma nova história estava sendo consolidada a partir daquela partida.

O Boca partiu pro desespero, metendo bola na área, tentando o empate de qualquer forma. Até que em uma bola despretensiosa, quando a zaga da equipe argentina trocava passes no campo de defesa, Emerson Sheik interceptou um passe, e partiu em disparada rumo a área adversária. Ganhou do zagueiro na velocidade, e bateu no canto esquerdo do goleiro Orión, fazendo 2×0 no marcador.

Nós já nem estávamos assistindo a partida, cantávamos “Aqui tem um bando de louco, loucos por ti Corinthians!”, até que a arrancada de Emerson foi o momento máximo de euforia entre nós. Eu já estava sem voz de tanto gritar após o primeiro gol, então sai correndo e fui abraçar os outros loucos que ali estavam. Dali pra frente, foi gritar é campeão e correr feito loucos ao redor da praça.

Final de jogo, e o Corinthians era campeão pela primeira vez da Copa Libertadores. Acabaram-se as piadas, e o Japão seria o próximo passo na trajetória alvinegra. Sheik levou o prêmio de melhor em campo, mas o conjunto corintiano mereceu todos os méritos possíveis na competição inteira, por ter conquistado o título de forma invicta.

 

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

  • Matheus Marcolino Lamberti

    Uma correção: O empate sem gols daria numa decisão por pênaltis. Não existe critério de gol fora na final.

    • Erro corrigido! Obrigado Matheus. Não estava lembrando deste detalhe rs.

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