Seleção Brasileira – Fim de uma era ou o jogo só começou?

Na última segunda-feira, 29, CBF e a Rede Globo divulgaram que a emissora carioca não chegou a um acordo com a dona do futebol brasileiro (obrigado clubes grandes) para a transmissão dos amistosos da Seleção Brasileira nos dias 9 e 13 de Junho, contra Argentina e Austrália, respectivamente. Com o final do contrato de exclusividade, a CBF resolveu modificar a forma de negociação, negociando os direitos dos amistosos por partida e não por bloco, como fazia antes. Mas quais serão as consequências dessa decisão, tanto para a CBF quanto para a Globo?

Para a Globo, não apresentar os amistosos do Brasil é um duro golpe, principalmente no faturamento. Os amistosos do Brasil rendem milhões em merchandising para a emissora, ainda mais com o momento de alta dos comandados de Tite. A Globo não deixa de exibir uma partida do Brasil desde a estreia de Mano Menezes em 2010. Ainda assim, transmitiu o jogo via Sportv, seu canal fechado. Para além das negociações terem falhado, com a Globo tentando pressionar a CBF para uma negociação em bloco, a política também pode estar envolvida neste negócio.

A CBF sendo alvo de investigações a muito tempo (quem lembra da CPI da Nike no final da década de 90, início dos anos 2000?), com a Globo sempre utilizando esse tema como trunfo para pressionar a entidade. Após um episódio onde o Vasco de Eurico Miranda, aliado da CBF de Ricardo Teixeira, exibiu a logomarca do SBT, maior rival da Globo na época, numa final de Brasileirão, a emissora realizou um forte contra ataque. Exibiu um Globo Repórter Especial devassando a vida de Ricardo Teixeira, Eurico Miranda e outras pessoas ligadas ao futebol.

Depois do “recado”, veio a conciliação. Ricardo Teixeira e Globo aparentemente se ajustaram e com o fim da CPI do futebol, a história foi varrida para debaixo do tapete. Ricardo Teixeira saiu do país, deixou a CBF nas mãos de José Maria Marín, que foi preso na suíça e hoje está em Nova Iorque em prisão domiciliar. Marco Polo del Nero assumiu a entidade e agora não viaja com a seleção por medo de ser preso pela Interpol. Com a má fase da seleção, na época comandada por Dunga, a Globo passou a ser dura com a entidade e seus mandatários. Os programas esportivos da casa passaram a bater sistematicamente no comando da entidade. Aparentemente, o troco da CBF chegou. Mas como será o futuro?

A emissora ainda negocia com a CBF os direitos dos próximos amistosos do Brasil até a Copa do Mundo. As Eliminatórias de 2018 continuam na Globo, ainda que para a Copa de 2022 não haja negociação fechada. Ambas as partes fazem questão de salientar que estão abertas a um entendimento para as próximas partidas amistosas. Mas ao meu ver, a “Guerra Fria” entre as entidades já começou. Pelo histórico Global, essa “rasteira” de Marco Polo del Nero não deve passar em branco. Existe muito dinheiro envolvido, em ambas as partes. O mercado publicitário corre atrás de ambas as partes (Globo e CBF) para entender o futuro e organizar os próximos passos.

Quem vai ganhar? Só o tempo irá dizer. Os tempos são outros, e aquilo aparenta ter uma força grande as vezes está enfraquecida por dentro. As vezes o lado aparentemente mais frágil na relação tem uma nova carta na manga. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. A única certeza que eu tenho é que essa novela está apenas no começo…

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