Treino Fechado – Em que ajuda?

Setoristas, jornalistas e comentaristas detonam. Marketing do clube pisa em ovos para falar sobre o tema. Treinadores utilizam basicamente quando convém. Os tais treinos secretos ou fechados para a imprensa ao longo do ano vira alvo de debate nos programas esportivos e nas mídias de quem comenta e cobre um clube. Na imprensa é quase que unanime a opinião que esse tipo de treinamento não deveria existir. Os argumentos vão desde a exposição da imagem dos patrocinadores até o fato de que a torcida quer saber o que acontece lá.

Como não sou e nem pretendo ser jornalista, a opinião que se seguirá aqui sobre o tema não terá qualquer tipo de influência da profissão. Sou simplesmente um torcedor como tantos que lerão esse texto.

Treino fechado ganha jogo? Óbvio que não. Mas treino aberto também não aumenta as chances de vitória. Então, por que tantos treinadores gostam disso? A explicação mais utilizada é referente a parte tática, dizendo quase sempre que querem treinar posicionamento de bola parada ofensiva ou defensiva, alguma movimentação ensaiada ou outras coisas do tipo. Mas, se nós torcedores formos analisar bem, o que mais atraí técnicos e atletas para o treino fechado tem menos com o campo e mais com outro aspecto importante: A privacidade do elenco e comissão técnica e a diminuição de barulhos desnecessários na imprensa e nas redes sociais.

Se observarmos os programas esportivos em TV aberta (e alguns de TV fechada também) veremos um padrão: Alguém esperneando, arrumando alguma declaração polêmica, alguma faísca, para ficar por mais de uma hora se debruçando sobre algo e segurar a audiência. Qualquer frase fora do padrão numa coletiva é tema em programas dos mais diversos programas de debate que se repetem em diferentes emissoras e horários. O torcedor ao ver algum deles começa a repercutir nas redes sociais e, um assunto que poderia ser encerrado ou que não teria tanta importância, geram perguntas em mais duas ou três coletivas posteriores, gerando desgaste, animosidade e, por vezes, implicância da torcida com o elenco ou treinador de uma equipe.

E muitas vezes em um treino as ordens do treinador, cobrança de jogadores precisa ser de uma maneira mais ríspida, forte em determinado momento. E aí, uma vez filmada uma bronca mais forte de um treinador, essa imagem vai correr todos os programas esportivos, gerando discussões que não acrescentam nada para o clube, mas garantem os famosos pontos no Ipobe nas televisões.

Mas ah, se todos os treinos forem fechados, o torcedor ficará sem informação. O trabalho da imprensa é nobre e visa o torcedor. Pergunto eu para você que também é simplesmente um “torcedor”: O que você prefere: Ter notícias todos os dias do que acontece no treino, não importando se foi um trabalho meramente físico, técnico ou tático, ou prefere ver seu time jogar bem e vencer? Acredito que, no mínimo, 90% prefere ver o time vencendo. Essa privacidade ganha jogo? Não, não ganha, como falei logo nos primeiros parágrafos desse texto. Mas também não precisamos ver um monte de gente comentando e repercutindo uma simples discussão de treino, como já fazem com qualquer declaração em entrevistas coletivas, muitas vezes, distorcendo o contexto para criar polêmicas vazias. Se o treino é aberto ou fechado, pouco me importa como torcedor. Mas, claramente, quanto menos polêmicas sem sentido são colocadas nas mídia, mais tranquilidade técnicos e treinadores têm para fazer seu trabalho. E podemos analisá-los e comentá-los pelos desempenhos e resultados em jogos.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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