UMA RAZÃO PARA VIVER #4 – O Evandrão de todos nós!

Começo esse texto com um questionamento pertinente: como se realiza uma final de campeonato, que é dividida em dois jogos de ida e volta, com intervalo de 42 DIAS entre as partidas? Daí já dá pra sentir o naipe e a qualidade do campeonato pernambucano 2017. O torneio deste ano vem sendo considerado por muitos jornalistas locais como o pior em organização, desde a primeira edição, em 1915. A final entre Sport e Salgueiro tinha todos os ingredientes para ser emocionante: O Sport vinha de uma remontada histórica sobre o Santa Cruz, na última quarta-feira, pela Copa do Nordeste; o Salgueiro com mais uma chance de quebrar o tabu de um time do interior NUNCA ter conquistado um título estadual; a primeira utilização do “árbitro de vídeo” no Brasil… Porém, o calendário louco que o futebol brasileiro ostenta, trouxe para si todas as atenções. O primeiro jogo foi realizado hoje, na Ilha do Retiro e terminou empatado em 1-1, deixando o confronto totalmente aberto. A volta poderia ser nesta próxima quarta ou daqui a uma semana, mas não, será apenas no dia 18 de junho, exatamente 42 dias após a ida. É simplesmente BIZARRO!

Porém, como aqui é o Cantinho do Torcedor do Sport e não da Federação Pernambucana, vamos ao que interessa, que é o nosso glorioso Sport Club do Recife. Nas eleições, dezembro passado, a chapa do atual presidente Arnaldo Barros teve como carro-chefe de sua campanha a promessa de que entraria com o sub-20 no campeonato estadual, para priorizar competições mais importantes, como a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil e a Copa Sul-americana. O discurso era: “O Sport não cabe em Pernambuco”. Ganharam, como era esperado, não só por causa desta promessa, mas por realmente serem a melhor opção no bate-chapa (opinião deste mero torcedor que vos escreve).

Chegou o campeonato e o que se viu foi o Sport usar o sub-20 em apenas uma partida das dez da primeira fase. O time titular foi usado em 4, e o time reserva nas outras 5. Sabe qual foi o saldo disso? Devido ao calendário inchado, o Sport teve que poupar 4 titulares (Rithely, Diego Souza, Rogério e André… SÓ TODO O ATAQUE TITULAR) por causa de CK alto na partida de volta da 4ª fase da Copa do Brasil, contra o Joinville, lá em Santa Catarina. Perdemos a partida e por pouco não perdemos a classificação, tanto no tempo normal quanto nos pênaltis, mas acabou que passamos. Daí já começou o questionamento sobre o “provincianismo” de parte da diretoria, que não consegue largar o osso do campeonato estadual, por menos que este valha (a coisa mais importante é a vaga na Copa do Nordeste do ano seguinte), e que fica fomentando rivalidade acima do que realmente é com Náutico e Santa Cruz. Pra mim, há sim a rivalidade com ambos, mas nem é do “nível Salgueiro”, nem é no nível “Bahia” ou “nível Flamengo”. Digamos que numa escala está um passo acima do Salgueiro (time em ascensão há anos e é um dos nossos algozes recentes) e DOIS antes de Bahia (rivalidade mesmo, são os dois maiores do Nordeste) e Flamengo (87 É NOSSO!), então não vamos nem super nem subvalorizar a rivalidade. Só que alguns de nossos dirigentes não entendem isso e para eles Náutico e Santa Cruz são Argentina e Uruguai e o Sport é o Brasil. Mas vamos seguir em frente, isso já ficou claro.

Enfim chegamos à parte emocionante deste campeonato: as semifinais. De um lado Salgueiro (1º) e Santa (4º), do outro Náutico (2º) e Sport (3º). O Salgueiro jogou relativamente bem na ida, mas perdeu de 1-0 para o Santa no Arruda. Na volta, o Salgueiro destruiu o apático/covarde Santa Cruz e passou para a final com a vitória por 2-0. Do nosso lado da chave, foi até apertado, mas o histórico pesou ao nosso favor e passamos para a final.

No jogo de hoje o Salgueiro, fora em alguns lances isolados, não levou perigo para o Sport. O leão teve o jogo totalmente controlado e tinha tudo para sair com a vitória, mesmo sem Diego Souza em campo (não aguentou a sequência de jogos e se machucou quarta passada). Numa jogada bem trabalhada e após o bate rebate, André fez um daqueles gols que só guarda quem sabe e abriu o placar na Ilha.

André parece ter reencontrado o caminho das redes desde o gol da classificação na Copa do Nordeste, na quarta. Hoje, fez um que só faz quem entende do riscado.

O Salgueiro, mesmo atrás do placar, manteve a postura defensiva e não causou problemas à Magrão no primeiro tempo. Na volta do intervalo, os jogadores rubro-negros voltaram “uma rotação abaixo” daquela do primeiro tempo, como se estivessem satisfeitos com o resultado. Vendo que os jogadores estavam andando em campo, Ney Franco fez duas mudanças aos 8′ do 2º tempo: tirou Everton Felipe, que não estava mal no jogo mas não conseguia produzir ofensivamente por causa da boa marcação da defesa do Carcará, e colocou Lenis; também tirou o já amarelado Samuel Xavier e colocou Raul Prata. Lenis vem numa temporada interessante e sempre que acionado tem boas atuações, só que hoje não foi uma dessas. Em momento algum sua principal característica, que é a velocidade, foi acionada e ele sempre recebia a bola no pé e ficava preso na marcação, tendo que tocar a bola para o lado ou para trás. Muito disso se deu pela má atuação de Raul Prata, que não produziu ofensivamente e também deixou a desejar defensivamente. O Sport só foi melhorar na partida aos 32′, quando o meia Fábio entrou no lugar de Rithely, que hoje era o “meia armador” do time. Neste intervalo de tempo, o Salgueiro já tinha crescido no jogo e aos 19′ num lance despretensioso chegou a acertar o travessão de Magrão. Mesmo assim, a partida se encaminhava tranquilamente para vitória do Sport, que ainda chegou com perigo ao ataque algumas vezes, mas parou em Mondragon. Sim, encaminhava…

O jogo estava morno e se encaminhava para a vitória do Sport, quando veio o lance capital da partida.

Aos 48’55” o árbitro marcou pênalti para o Salgueiro. Raul Prata teria derrubado Toty na área e com isso a penalidade máxima estava marcada. Só que, como eu disse lá no início do texto, um dos ingredientes deste jogo era a estreia do árbitro de vídeo aqui no Brasil. Poucos segundos depois de apontar para a marca da cal, o árbitro José Woshington da Silva foi acionado pelo ponto eletrônico pelo também árbitro Péricles Bassols, que estava incumbido de lhe auxiliar com o vídeo, se necessário. Ninguém sabe o que foi informado ao árbitro principal, mas ele não confirmou o pênalti na hora. Ainda teve que se dirigir à beira do campo para ele mesmo conferir as imagens para, seis longos minutos depois, confirmar a marcação. O atacante Jean Carlos bateu bem e empatou a partida.

Particularmente, eu acho que NÃO FOI PÊNALTI. Toty driblou dois e quando foi se sair de Raul Prata, ele esperou o lateral rubro-negro chegar e quando o camisa 23 leonino colocou a perna na frente, o meia do Carcará simplesmente deixa o corpo cair, como se Raul tivesse “feito uma alavanca” para pará-lo. E pelo visto, o “árbitro de vídeo” também achou que não foi pênalti. Ninguém sabe o que Bassols falou na hora ali, mas se o árbitro principal não confirmou logo o pênalti, supõe-se que ele tenha escutado uma opinião discordante sobre o lance. Outro problema foi a demora para que a decisão fosse confirmada. Seis minutos se passaram da marcação até a confirmação final do pênalti. Como um grande fã da NFL, eu vejo recorrentemente o recurso de vídeo ser utilizado nas partidas e nunca demora tanto assim. Não condeno a utilização da tecnologia no futebol, mas tenho certeza que muito ainda precisa melhorar para que tenhamos uma utilização correta deste árbitro de vídeo.

A decisão do árbitro José Woshington da Silva de assinalar o pênalti de Raul Prata em Toty está até agora sendo contestada pelos rubro-negros. Nem o Árbitro de vídeo mudou…

Como já foi dito, a final será dia 18 de Junho, lá no Cornélio de Barros e só Deus sabe como esta duas equipes, já imersas no campeonato nacional (Séries A e C, respectivamente), estarão jogando. O Salgueiro manterá todos os jogadores do time, visto que o contrato de muitos termina agora no fim de maio? O Sport irá com força total, mesmo com um jogo contra o São Paulo (Ilha) antecedendo e outro contra o Atlético-MG (em Minas) sucedendo a final estadual? Daqui a 42 dias saberemos.

Agora, o Sport se prepara para a volta da 1ª fase da Copa Sul-americana contra o Danúbio, na próxima quinta-feira lá no Estádio Centenário, em Montevidéu. Em seguida, já tem a estreia no Campeonato Brasileiro, contra a Ponte Preta, domingo em Campinas. Esse empate no fim não chega a abalar o time, mas que foi broxante, isso é verdade. Fica a incógnita sobre a participação de Diego Souza no jogo contra o Danúbio, pois é bem improvável que ele se recupere daqui para quinta. Aguardaremos os treinos que antecederão a viagem para o Uruguai para vermos como Ney Franco armará o time sem seu principal jogador e que foi o destaque do jogo de ida, mês passado na Ilha. Vamos torcer que tudo dê certo e que voltemos do Uruguai classificados para 2ª fase do torneio continental! #PST

 

P.S.: Para quem não entendeu o título, “Evandrão” é o apelido dado ao campeonato, inspirado no nome do atual presidente da federação, Evandro Carvalho.

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