A nuvem negra que ainda ronda a CBB

Para nós que amamos o basquete esse é o momento do ano mais legal que existe. As finais da NBA começaram com a trilogia entre Golden State Warriors e Clevelanda Cavaliers. E, no Brasil, depois de ótimo playoffs, chegamos a decisão da nona edição do NBB com um final inédita, entre Bauru e Paulistano. No momento que escrevo, o Paulistano está na frente da série final melhor de 5 por 2 x 1. Um time jovem, com diversos talentos promissores, como o ala-armador Georginho e o armador de apenas 18 anos Yago, que no primeiro jogo das finais saiu do banco para anotar 14 pontos essenciais para a vitória do time da capital paulista. Com a Copa América de seleções, classificatória para o Mundial 2018, chegando, peguei-me imaginando esses talentos na renovação da seleção brasileira. Mas, lembrei na nuvem negra que ainda conta a Confederação Brasileira de Basquete, a CBB.

Por conta da péssima administração de Carlos Nunes, a entidade se envolveu em dividas na casa dos 17 milhôes de reais, segundo levantamento publicado no Blog Bala na Cesta, do melhor jornalista de basquete nacinal Fábio Balassiano. Entre as dívidas, está o não pagamento para a FIBA do convite para participação no Mundial de 2014, uma vez que não conseguimos a vaga na quadra naquela edição. Soma-se a isso o fato do Brasil não conseguir mandar seleções para competições de base (com os clubes representando o Brasil nessas competições) e a não realização de etapas do Mundial 3×3 logo após os Jogos Olímpicos, a FIBA resolveu intervir na administração da CBB e, posteriormente, suspender por tempo indeterminado o Brasil das competições internacionais.

Suspensões que já prejudicaram os clubes com a não participação de Flamengo, Mogi e Bauru do FIBA Américas, a Libertadores do basquete. E agora impacta diretamente na seleção brasileira. A Copa América começa no final de agosto e ainda não temos treinador e comissão técnica, tanto para o masculino quanto para o feminino. Guy Peixoto, novo mandatário da confederação eleito em março desse ano, tem tentado nas reuniões com a FIBA encerrar a suspensão, mas sem sucesso até aqui. A próxima reunião está marcada para o final desse mês. E tem que ter pressa em resolver essa situação.

Sem a definição com relação a suspensão, fica difícil de planejar qualquer coisa. Veja que por exemplo já houve sondagens de treinadores estrangeiros para comandar as seleções. Mas qual treinador irá assumir o cargo sem a certeza de que poderá participar das competições que estão por vir? Sem a definição do treinador, não há um plano sobre a renovação necessária nas seleções, de conversa com os jogadores que estão na NBA ou irão para draft e combines desse ano, ou mesmo na Europa sobre a liberação para seleção nas competições que estão por vir.

O basquete brasileiro, em nível internacional, está parado na tempestade. Não sabemos se nuvem negra que paira sobre a CBB se dissipará ou trará um tormenta ainda maior. A crise institucional ainda existe e é grande. Os problemas de base e do basquete feminino são críticos e precisam ser resolvidos com bons planejamento, execução e boa relação com o mercado, que ainda não tem confiança que as coisas estão rumando para o caminho certo. Temos só três meses de administração de Guy Peixoto, pouco tempo para avaliar qualquer coisa de sua gestão. Mas a bomba está na mão dele para resolver. Esperamos que dias melhores venham para essa modalidade que tanto amamos e que já provamos ser capazes de termos jogadores para montar seleções minimamente competitivas no cenário internacional. Mas ainda não vimos um trabalho decente, principalmente nos últimos 20 anos, para que isso seja possível.

O alento, por hora, é que a CBB conseguiu um antigo sonho. Na última semana assinou contrato com a Arena Concórdia, em Campinas, para ser a centro de treinamento oficial da seleção brasileira nos próximos dois anos. O local possui excelente estrutura, com academia, refeitório e piscinas e é um passo a frente para os trabalhos das seleções de base e adulta do basquete, tanto no masculino quanto no feminino. A assinatura desse contrato faz parte do plano de Guy Peixoto para seduzir a FIBA com relação a suspensão. Claro que não é somente isso que fará a entidade máxima do basquete rever a pena imposta a CBB, mas é uma das amostras que o atual mandatário pretende colocar na mesa em junho para mostrar que a tempestade que está na cabeça da confederação por conta das péssimas gestões anteriores pode terminar.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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