A triste derrocada lusitana

Quem cresceu vendo futebol brasileiro nos anos 80/90, principalmente os paulistas, tem, assim como eu, uma certa simpatia pela Associação Portuguesa de Desportos, a queria Lusa do Canindé. Nessa época, a Portuguesa era considerada uma grande força do estado e um time com certa abrangência nacional. Nela, vimos nomes como Enéas fazer grande sucesso, assim como Luís Pereira e Roberto Dinamite (esse já mais em final de carreira). No começo dos anos 90, o nascimento de um grande craque que o Brasil não teve muito tempo para apreciar, o meia Denner. Há quem diga que Denner teria conquistado sucesso maior que Ronaldo em sua carreira. Não sei se vou tão longe, mas certamente na Copa do Mundo de 1994 teríamos um time mais alegre.

Denner, um dos maiores jogadores que o Brasil perdeu a chance de ter

Comandada por Candinho, vimos a Portuguesa chegar a final do Brasileirão contra o Grêmio em 1996, ficando com o vice-campeonato. O assalto que levou do árbitro Javier Castrilli nas semi-finais do Paulista de 1998, que marcou dois penaltis inexistentes à favor do Corinthians, eliminado a Lusa da grande final, unificou as demais grandes torcidas do estado a “adotarem” em alguns momentos como segundo time. Não era incomum, por exemplo, a Globo colocar um jogo entre Portuguesa e Guarani, outro time de regional e nacional na época, como destaque na transmissão. Sim, nos anos 90, jogos contra a Portuguesa eram considerados clássicos.

Pois é. E agora, em 2017, vemos essa querida camisa do futebol nacional sem divisão. Eliminada na primeira fase da série D, a quarta divisão do futebol brasileiro, a Lusa agora está sem competições em cenário nacional para 2018. Mesmo com péssimas administrações no começo desse século, a Lusa conseguia se manter sempre entre a primeira e segunda divisão, com algumas sequencias de anos na primeira. Em alguns momentos conseguia revelar alguns bons nomes para o futebol brasileiro, como Celsinho, Diogo, Bruno Rodrigo e Leonardo. Mas, por más decisões diretivas e com um clube estraçalhado, pouco pode aproveitar da venda desses jogadores. O Canindé, estádio muito bem localizado na capital paulista, ficou cada vez mais sub-utilizado.

Eneas, um dos maiores jogadores da história da Lusa

A derrocada final veio em 2013, com o caso Heverton. Em campo, a Portuguesa conseguiu se manter na primeira divisão, mas por manobras dos bastidores e muita incompetência do corpo jurídico, foi rebaixada para a segunda divisão. Tombo para não retornar mais. Assim como também já não faz mais parte da elite do futebol paulista. A derrota para a Desportiva Ferroviária, em Cariacica, ontem, por 1 a 0 talvez encerre um dos maiores livros do futebol brasileiro. Livro que nos deu a condição de ver jogadores como Zé Roberto, Bentinho, Zé Maria, Rodrig Fabri, Felix, Djalma Santos e Julinho.

Não se trata de nenhuma injustiça aqui. A incompetência  ao longo dos últimos anos  das pessoas que dirigiram o clube o levaram a essa situação. Mas, para quem viu grandes momentos de um clube que sempre foi tão querido por diversas torcidas, é difícil não se chatear de vê-lo chegando nesse lugar. Uma pena que um clube tão tradicional tenha se apequenado tanto ao longo dos anos. Queria escrever algo com esperança que ainda veremos a Portuguesa se reerguer e fazer grandes duelos no Morumbi, Allianz Park, Arena Corinthians, Maracanã e tantos outros estádios que já vimos grandes apresentações dessa equipe. Queria poder dizer que em breve um novo Denner aparecerá no Canindé e levará a equipe a grandes conquistas. Mas, se tem uma coisa que a Lusa mostro nesses últimos anos é que a esperança de um futuro melhor no Canindé é bem difícil.

De qualquer forma, obrigado Portuguesa, por grandes jogos que pude apreciar. Agora, junto de equipes como o Juventus da Moóca, tendemos a ter você apenas na memória e no nosso imaginário de futebol. Uma pena, mas a realidade é essa.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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