Backcourt NBA – A incoerente administração dos Bulls

Talvez a grande bomba do draft da NBA, realizado na última quinta feira, tenha sido a troca entre Chicago Bulls e Minnessota Timberwolves. Nessa transação, o time de Chicago enviou seu até então franchise player Jimmy Buttler além da 16ª escolha para os Wolves e recebeu na troca Zach Lavine, Kris Dunn e a sétima escolha do mesmo draft. A explicação: Nos próximos dois anos do contrato de Buttler seria praticamente impossível montar um time ao seu redor capaz de rivalizar com as principais forças do Leste (Cavs e Celtics). Correndo o risco de perder o principal jogador na FA, a direção dos Bulls achou melhor iniciar o rebuild do time, já abrindo mão de seu principal jogador. Recebeu então dois jogadores jovens mais a subida de 9 posições.

Mas a incoerência dessa troca viria no início da segunda rodada. Com a escolha 38, os Bulls ainda tinham nomes interessantes no board. Mas escolheram vender sua escolha por 3,5 milhões de dólares aos Warriors, que selecionaram Jordan Bell, um bom prospecto de Oregon, que poderia ser uma adição interessante ao elenco de Chicago, sendo produtivo dos dois lados da quadra. Qual o sentido de uma das franquias mais lucrativas da NBA de vender uma escolha do draft? Se é para iniciar a reconstrução da equipe, o que é mais proveitoso: Engordar um pouco mais os cofres (e não poder utilizar esse dinheiro para aumentar o cap para contratações) ou ter consigo um jogador jovem que segundo diversos analistas tinha muito a crescer?

Não a toa a torcida dos Bulls perdeu complemente a paciência com o staff da equipe. Não é possível que considerem que o trabalho de Hoiberg, treinador principal da equipe, tenha sido satisfatório. Antes de chegar, Chicago tinha condições de brigar sempre entre as quatro primeiras posições do Leste. Com ele, apenas briga pelas últimas vagas na conferência considerada mais fraca. Treinador extremamente limitado que só fez piorar em dois anos o jogo dos Bulls.

Sem falar na direção que, durante a temporada regular, fez um péssimo negócio enviando Taj Gibson e Doug McDermott para Oklahoma por três jogadores que no máximo podem ser considerados notas 3. E, além de não demitir Hoiberg ao final da decepcionante temporada, troca o melhor jogador sem levar vantagem, diz que vai começar uma reconstrução da equipe, mas vende escolhas de draft.

Chicago era uma equipe com presente limitado e futuro incerto antes do draft. Agora está com presente inexistente e incoerente e futuro tenebroso. Temporadas de poucas vitórias estão a caminho de uma das franquias mais tradicionais da NBA. E, com esse staf, não da para imaginar que as escolhas de draft serão minimamente decentes a ponto de elevar a equipe a outro patamar. Um verdadeiro desperdício de potencial.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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