CBB faz os primeiros pontos da administração Guy Peixoto

Enfim, livres! Ontem foi divulgado pela FIBA o fim da suspensão da Confederação Brasileira de Basquete, que perdurava desde o fim do ano passado em decorrência das péssimas administrações que geraram dívidas que ultrapassavam a casa dos 15 milhões de reais. Suspensão que tirou os times brasileiros dos campeonatos continentais, prejudicou o trabalho das seleções de base que ficaram sem calendário e atrasaram muito o planejamento desse novo ciclo olímpico.

Segundo o blog Bala na Cesta, o plano de 100 dias de Guy Peixoto que incluiu o enxugamento das contas da CBB, a aquisição de um centro de treinamento próprio e uma melhor perspectiva da administração do esporte foram as chaves para o término da suspensão, a tempo de deixar o Brasil disputar a Copa América, em agosto, com vistas nas disputas por vaga no Campeonato Mundial de 2018.

Foram os primeiros pontos a favor da nova administração da CBB. Mas a caminhada ainda é longa. Precisa-se urgentemente da definição dos treinadores das seleções, tanto masculina como feminina, sem técnico desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Sem muito dinheiro ainda em caixa, será difícil atrair nomes do quilate de Rubens Magnano, por exemplo, campeão olímpico em 2004 com a Argentina e que conduziu a seleção masculina nos últimos 8 anos. Mas há bons nomes no mercado nacional.

Outro ponto importante será o diálogo com a LNB (Liga Nacional de Basquete), única organização que foi competente nesse período negro do basquete brasileiro. Além de conduzir a crescente NBB, que a cada ano melhora seu patamar técnico e de condução do espetáculo, com público crescente nos ginásios e aumento da demanda de mídia (esse ano, duas televisões abertas, além de uma fechada, transmitiram jogos da liga), a LNB também assumiu um bom papel pelo futuro do basquete com a Liga Ouro (uma espécie de segunda divisão) e a liga de desenvolvimento, dando cada vez mais jogos para jogadores sub-22 evoluírem, sem contar o auxílio à LBF (Liga de Basquete Feminino) que agora tentará ser independente.

Nos últimos dias apareceram diversas rusgas e dessentimentos entre a CBB e a LNB, com diversas notas oficiais de parte a parte. É hora do consenso, de cada uma tomar seu lugar, da CBB saber ceder e deixar as competições com quem mostrou capacidade de fazê-las com excelência e cuidar do que lhe é pertinente: As seleções, a base do basquete, formação de atletas e promoção do esporte principalmente no feminino, onde temos talentos e oportunidades em abundância, mas carecemos de uma boa administração capaz de gerar patrocínios e interesses das mídias televisivas. O basquete 3×3, que agora é modalidade olímpica, pode ser uma grande porta de entrada de tudo isso que comentamos, com escolinhas, eventos e quadras espalhadas pelo Brasil.

Enfim, fizemos os primeiros pontos. Mas ainda temos muitos assuntos relevantes pendentes para que o basquete volte a ocupar um lugar de destaque no cenário esportivo brasileiro. Talento e oportunidades têm. Falta mesmo uma boa gestão. A gestão de Guy Peixoto começou bem. Que continue assim e prospere.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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