De olho em Tóquio – Novidades no Programa Olímpico

Nessa sexta-feira, 9/06, o COI aprovou uma série de novidades que já passa nos Jogos de Olímpicos de Verão que já passarão a ser válidas em Tóquio, 2020. Visando incluir provas de apelo jovem e que ajudem a equiparar o número de mulheres e homens, modalidades como Basquete 3×3, BMX Freestyle Park (competição de manobras) e provas mistas de natação, atletismo e judô estão entre as principais inclusões decididas nessa reunião. Em algumas modalidades que existiam mais homens que mulheres, como boxe, canoagem, levantamento de peso e tiro, algumas disputas masculinas deixam o programa para a inclusão de mais provas femininas.

Todas essas inclusões causará um aumento para 321 eventos olímpicos. Número que pode chegar a 339 ainda, se forem incluídas medalhas para algumas modalidades como surfe, skate, escalada, caratê, beisebol e softbol. No Rio de Janeiro, tivemos 306. O número de atletas com vagas em todas as modalidades subirá em 189, considerando as exclusões de vagas em algumas modalidades para que essas novas sejam representadas.

Confira as modalidades incluídas no programa olímpico
Skate
Esporte individual, com diferentes modalidades. Nos Jogos, ocorrerão disputas em street e park. No caso do street, os obstáculos simulam um circuito de rua. Essa modalidade tem como principal torneio o Street League e os X-Games, conta com cerca de 700 profissionais no Brasil e cerca de 8,5 milhões de praticantes. Bob Burnquist, Sandro Dias (Mineirinho, Letícia Bufoni e Rony Gomes são os maiores expoentes brasileiros da modalidade.

Surfe
Esporte que ganhou a atenção dos brasileiros com as recentes conquistas de Gabriel Medina e Adriano de Souza no Circuito Mundial, terão as disputas conforme são realizadas as competições do circuito, em baterias que duram, em média, 30 minutos, onde recebem notas de 0 a 10 dos juízes para as ondas surfadas.

Escalada Esportiva
O esporte conta com três modalidades: Esportiva, tradicional e boulder. Na esportiva, há anéis de proteção prefixados na rocha nos quais o escalador encaixa o mosquetão (anel de metal portátil com segundo móvel) e corda de segurança. O nível de dificuldade depende do grau de inclinação da rocha (parede), do tamanho dos apoios para pés e mão e do nível técnico dos movimentos. O Brasil tem cerca de 80 atletas da modalidade. O principal nome é o de Felipe Camargo.

Beisebol / Softbol
O beisebol chega a ser bem conhecido do público brasileiro, por conta das transmissões da MLB (liga americana da modalidade) pelos canais de tv por assinatura. Yan Gomes e Paulo Orlando estão entre os represantes brasileiros do esporte nos EUA. A grande questão aqui é como será a relação da MLB com o COI para liberação dos atletas. O softbol é um esporte semelhante, mas com algumas características particulares, como por exemplo, o lançamento do pitcher. No beisebol o movimento é de cima para baixo, enquanto no softbal ocorre o contrário. Entre as duas modalidades, o Brasil tem cerca de 3 mil atletas.

Caratê
Esporte individual baseada na arte marcial japonesa que significa “mãos vazias” e que concilia técnicas de ataque e defesa pessoal, com socos e chutes. Serão duas modalidades nos Jogos (kumite e kata). No kumite, que consiste em combate, a pontuação é similar ao judô. No kata, que consiste em apresentação individual (lembrem do filme de Karatê-Kid 3), os atletas serão avaliados pela demonstração dos golpes. Os principais nomes brasileiros da modalidade são Doulgas Brose, Hernani Veríssimo, Natália Brosulatto e Valéria Kumikazi. São mais ou menos 220 mil atletas filiados a confederação brasileira de karatê (CBK).

Basquete 3×3
Modalidade presente nos Jogos Mundiais da Juventude desde 2007 com boa aceitação e estopim para a suspensão da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) junto a entidade que comanda o esporte (FIBA), por conta da não realização da etapa do Rio de Janeiro do Circuito Mundial no ano passado, também estará presente nos Jogos de Tóquio. Para entrada no programa, a FIBA utilizou a mesma relação do vôlei de praia (presente desde 1996) com o tradicional de quadra. Tem sido bem utilizado como porta de entrada para jovens no esporte.

E o Futsal?
Toda vez que uma modalidade entra no programa olímpico, a pergunta ecoa no Brasil pelas redes sociais: E o futsal? por que não entra? Para mim, essa questão é bastante simples. Basta vermos como é o futebol tradicional (de campo) nos Jogos Olímpicos: Disputado somente por atletas sub-23, muitas vezes com liberação a duras penas dos clubes europeus e sem grande valorização (tende a cair muito a atenção do brasileiro após a conquista do ouro no Rio de Janeiro). Como o futsal também é gerido pela FIFA (assim como o Beach Soccer) e essa não tem muito interesse em negociações com o COI. Por isso vemos a FIBA encaixar o Basquete 3×3, a FIVB encaixar o vôlei de praia, e futsal e Beach Soccer nem serem cogitados para o programa olímpico. Para o futsal, seria melhor uma entidade separada da FIFA gerir o esporte. Só assim, um dia terão chances de, no mínimo, pleitear a inclusão da modalidade nos jogos olímpicos.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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