Mulheres no comando, mulheres no poder

Democracia no idioma grego se diz “Demokrátia”, que é composta por demos (povo) e kratos (poder).

Utilizando o nome de uma música que embalou o carnaval de Salvador neste ano de 2017, resolvi emitir minha opinião sobre a grande novidade na democracia do Bahia. Durante essa semana na reunião do Conselho Deliberativo e com a anuência do presidente Marcelo Sant’Anna também representado na pessoa do vice-presidente Pedro Henriques, a partir das próximas eleições para concorrer o pleito tricolor, as chapas nas suas composições terão a obrigação de ter 20% de mulheres entre seus membros, para isso todas elas devem ser sócias e estar em dias com suas mensalidades.

Sem dúvidas foi um golaço do Bahia. Fazendo um paralelo com a política mundial, as grandes potências tiveram na figura feminina uma referência de comando. Na Alemanha em seu parlamento existe a Angela Merkel que trabalha como chanceler desde 2005 e atualmente é referida pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo. Mais próximo de nós, aqui na América Latina como nosso vizinho os argentinos até pouco tempo eram liderados por Cristina Kirchner e no Brasil antes do impeachment, a Dilma Roussef no alto cargo do país, deliberava as leis junto com o Congresso Nacional. Ou seja, dizer que lugar de mulher esta somente nas tarefas domésticas é ser muito ignorante e machista.

O futebol muda de minuto a minuto. Seja quando um jogador está acertado pra chegar em um clube e não vem mais, ou aquele chute nos acréscimos de forma despretensiosa e decide a partida. Isso tudo realmente acontece, mas isso se torna irrelevante quando tratamos da presença feminina nos estádios e até mesmo na imprensa esportiva. Confesso que gosto bastante ao escutar um cometário delas sobre tal jogador, durante a cobertura do treino, vestindo a camisa do time, isto é ocupando um espaço predominantemente masculino. Qual torcedor mais otimista diria que tempos atrás a mulher ocuparia seu lugar nas arquibancadas ou na hipótese de estar na política do Bahia?

Agora faço o elogio pela coragem de duas tricolores que propuseram mais uma mudança no Esquadrão. Uma salva de palmas para Rebeca Bandeira e Andreia Cerqueira, do grupo Integridade Tricolor. É o Bahia mais uma vez sendo protagonista em sua história, como foi em 1959 sendo o primeiro vencedor do Campeonato Brasileiro, até então denominado de Taça Brasil e um ano depois representando o futebol nacional na Copa Libertadores, de fato é um orgulho para essa imensa torcida apaixonada.

Mesmo com todos esses avanços, ainda existem casos que tentam macular a imagem da mulher no futebol. São situações que viraram um cotidiano na vida delas, sejam julgamentos sem fundamento, palavras maldosas e até mesmos xingamentos. Sim, você torcedor pode e deve combater assim como o racismo, que o sexismo seja debatido e melhor , seja encarado como um problema social, afinal quem foi a ideia brilhante de que se mede a qualidade por ser homem ou mulher? Assim como todos os preconceitos que ainda existem nos esportes, no futebol ele está impregnado a anos e a luta para esse mal ser exterminado é dura, cansativa e injusta.

Que essa iniciativa das mulheres do Bahia possa ser disseminada por todos os clubes e seja o marco inicial para mudar a  incômoda realidade, o qual ainda é insuficiente e carece de maior atenção,  sobretudo em uma maior participação feminina na vida dos seus times.

Curtas:

– O futebol feminino precisa ser tratado da mesma forma que o Campeonato Brasileiro de todas as divisões, pois sequer existe um incentivo maior para a prática entre as mulheres, e se tem ainda é pouco.

– A mídia não divulga quando acontece torneios femininos pelo mundo, é o principal entrave para que haja uma verdadeira mudança dessa realidade.

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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