The Rivals #01 – Magic vs Bird

Começamos hoje aqui no HTE Sports uma nova série para contar histórias, curiosidades e narrativas das rivalidades que movimentam os diversos esportes. Todo herói precisa de um vilão. E toda equipe, atleta, treinador para ser grande, precisa de um rival a altura para engrandecer os seus feitos. Não necessariamente inimigos, mas adversários que fazem cada um explorar o máximo de sua capacidade. E para começar, iremos falar da rivalidade que salvou a NBA.

Bom, pelo menos essa é a definição de muitos analistas da história da liga do melhor basquete do mundo. Nos anos 1980, Magic Jonhson, pelo Los Angeles Lakers, e Larry Bird, pelo Boston Celtics, polarizaram a atenção da NBA e seus confrontos e rivalidade ajudaram a NBA a dar um salto comercial gigantesco. Mas a rivalidade entre dois dos maiores jogadores da história da liga começou cedo, já no nível universitário. Durante a temporada 1978-1979 da NCAA, o armador Earvin Johnson, da universidade de Michigan, já chamava a atenção do público do basquete, inclusive sendo capa da famosa revista Sports Ilustraded. Seu porte físico avantajado para a posição, sua classe em quadra e seus passes espetaculares lhe renderam logo o apelido de Magic. E na universidade de Indiana, um ala também chamava a atenção. Larry Bird, anteriormente rejeitado pela State University of Indiana, cavou sua história com o lendário treinador Bobby Knight na Indiana University. E quis o destino que a final daquela temporada marcasse o primeiro encontro entre as duas lendas do basquete. Michigan, de Magic Jonhson, levou a melhor conquistando o título nacional da primeira divisão da NCAA e Magic registrou um triple-double naquele confronto, com 29 pontos, 10 rebotes e 10 assistências.

Quando chegaram à NBA, Bird e Magic novamente estavam destinados a serem rivais. Bird foi para os Celtics. Magic para os Lakers. Equipes que já haviam disputado o título da NBA anteriormente, sempre com vitórias para a equipe de Boston. A década de 1980 entraria então para a história da maior rivalidade entre equipes e jogadores que tivemos na liga. Na primeira temporada dos dois na NBA, entre 1979 e 1980, já pudemos ver o tamanho do impacto dessas duas lendas em quadra. Magic tinha ao seu lado o pivô que seria o maior pontuador da história da liga, Kareem Abdul-Jabbar. E a parceria deu certo logo de cara. Magic preparava e Kareem finalizava. Os Lakers foram a final daquela temporada contra o Philadelphia 76ers, de Doctor J. No jogo 6 da decisão, Kareem estava lesionado. Magic jogou nas cinco posições durante o jogo, anotou 38 pontos e o Lakers conquistava a NBA.

A temporada seguinte foi a vez de Bird levantar seu primeiro troféu. Com uma campanha de 62 vitórias na temporada regular, os Celtics chegariam a decisão da NBA contra o Houston Rockets e levariam o título ao fechar a série em 6 jogos. Na temporada de 81-82, os Lakers recuperaram o título, novamente contra o Philadelphia 76ers. E no ano seguinte, novamente os Lakers tiveram pela frente os 76ers, mas dessa vez foram varridos na decisão. Porém, o confronto ainda mais aguardado era entre Celtics e Lakers, Bird vs Magic. Confronto que teria sua primeira edição na final da temporada 83/84.

Vindo de uma varrida, os Lakers queriam recuperar o título e vencer pela primeira vez seu grande rival. O confronto já mostrava o que aqui no Brasil chamamos de “Clima de Libertadores”. Conforme o documentário da ESPN mostrou, antes dos jogos em Boston, era comum torcedores dos Celtics ligarem para o quarto de jogadores dos Lakers só para tirarem um sarro. Assim como o alarme do hotel disparar no meio da madrugada. Mas o trunfo era Magic Johnson, que já havia batido Bird na final da NCAA. Porém, Magic não esteve bem na final e Bird desfilava no Boston Garden. Não foi dessa vez que os Lakers venceram os Celtics em uma final da NBA. O showtime de Magic dava lugar ao basquete fundamental, clássico e belo de Bird. Naquele momento, Bird era, para muitos, o grande jogador da liga.

Confronto que se repetiu na temporada 84-85. No primeiro jogo, em Boston, domínio total dos Celtics e de Bird. Magic era questionado e Kareem era dado como acabado. A resposta veio no jogo 2, com Magic dominando as ações e Kareem fazendo uma partida espetacular. Como o formato das finais havia mudado para 2-3-2, os Lakers tinham a chance de, vencendo todas em casa, levar a o título. Não foi assim. Bird colocou o time nas costas e a série voltou para Boston e os fantasmas dos Lakers. Mas não passou do jogo 6. Pela primeira vez, os Lakers venciam um título sobre os Celtics, calando o Boston Garden. Comemoração insana em Los Angeles.

Na temporada seguinte a trilogia era dada como certa. Bill Walton foi adicionado a equipe dos Celtics que vinha mais forte que nunca. Mas os Lakers pararam no Houston Rockets. Celtics campeão, mas ficou aquele gosto de que faltava algo. Faltava o grande adversário. Faltava Lakers e Magic. E eles vieram na temporada seguinte, em 86/87. Magic já assumia de vez a condição de pontuador principal da equipe. E não deixaria passar mais uma chance de levar o título sobre os Celtics. Agora, diante de sua torcida, mais uma vez, os Lakers sagraram-se campeões sobre os Celtics. 2-1 de Magic sobre Bird em finais da NBA. Mais 1-0 em finais da NCAA. Resultados que fizeram Bird dar talvez a declaração mais doída de sua carreira. Ao término das finais, disse na coletiva que Magic Jonhson era um jogador melhor que ele.

Foi a última vez que as duas equipes se enfrentaram na decisão. Os Lakers ainda fechariam a década em confrontos épicos com o Detroit Pistons. Em todas as finais dos anos 1980 ou Magic ou Bird estavam nas finais. A mídia adorou e abraçou a NBA que viu após eles jogadores do calibre de Michael Jordan, Kobe Bryant, LeBron James. Bird e Magic ainda jogariam juntos no inesquecível Dream Team, a seleção americana das Olimpíadas de 1992. Celtics e Lakers decidiriam a NBA outras duas vezes, em 2008 e 2010, mas já sem o mesmo glamour das disputas insanas de Magic vs Bird. A rivalidade que certamente elevou o patamar da NBA. E mudou o patamar dos dois, que tiveram que ser excepcionais em seu tempo para serem lendas do basquete norte-americano.

 

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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