UMA RAZÃO PARA VIVER #8 – O resultado da inoperância

Na manhã deste domingo, o Sport entrou em campo contra um dos piores times do Brasileirão 2017 e conseguiu a proeza de ser ainda pior e perder por 1-0. No papel, o Sport, de longe, não é um dos melhores times, mas também não é um dos piores times deste campeonato. Só que nem sempre isso é mostrado na prática. O Sport hoje foi um reflexo do que vem sendo nessa temporada: time previsível, sem velocidade e sem criatividade para quebrar as linhas defensivas dos adversários. Quer um exemplo? O Sport teve 63% de posse de bola e só criou umas 4 chances de gol, nem lá tão claras. Some a isso atuações lamentáveis de alguns jogadores que são pilares do time e no fim se chegará ao que esse time “que luta por libertadores” mostra em campo. Desse jeito que tá, o time vai é lutar pra não cair pra segunda divisão.

Se tem uma coisa que a turma rubro-negra gosta de fazer é arrumar desculpas pra justificar as atuações patéticas do time. Era Matheus Ferraz, era técnico, era desfalque… A clássica de hoje foi usar os meninos da base. Quando não usa os jogadores da base, a turma reclama. Quando usa, a turma reclama também. Pelo amor de Deus, se decidam do que reclamar!

Feito o ligeiro desabafo, vamos às análises. Sobre a utilização de jogadores da base, a crítica não deve ser feita à ela em si, mas ao que criou a necessidade da utilização deles. Na lateral-direita o Sport vem jogando com Fabrício improvisado, já que Samuel Xavier e Raul Prata estão contundidos. Ok, contusões não fazem parte do planejamento de ninguém e nesse caso a utilização de Fabrício ali é até justificada, já que o titular e o reserva da posição estão machucados. O problema é justamente na outra lateral. O sport conta com três laterais-esquerdos no elenco: Mena, que é titular indiscutível, e dois garotos da base, que são Evandro e Caio. O que todo mundo já sabe, se mostrou claro hoje: NÃO DÁ PRA USAR NENHUM DOS DOIS GAROTOS DA BASE NA SÉRIE A. Evandro foi um dos piores em campo, pois pouco apoiou ofensivamente (com qualidade) e mesmo não comprometendo defensivamente, o lado esquerdo ficou morto, pois tanto Rogério não produziu ali no primeiro tempo e Evandro não fez nada útil no segundo tempo, quando até teve uma chance na cara do goleiro mas nem chutou nem cruzou, acabou recuando a bola para o goleiro do Avaí. O terceiro jogador da base utilizado no jogo foi o volante Thallyson. Ele ainda é “verde” e mais uma vez entrou numa fogueira monstra. Ajudou a consertar a marcação no meio de campo mas ainda erra muito quando tenta fazer algo a mais, como chegar ao ataque, por exemplo. E o gol do Avaí saiu justamente de uma jogada em cima de um dos meninos. Fabrício não tem a manha de ser lateral, aí tomou um drible curto e fácil do lateral do Avaí, que cruzou e achou o atacante Rômulo, que chutou sem chances pra Magrão.

Partindo disso, vem mais um problema: planejamento todo errado da diretoria. Desde contratações de jogadores, como as opções para técnico (e não estou falando de Luxemburgo) e também a utilização dos titulares no inexpressivo campeonato estadual. Isso tudo já rendeu a derrota na final da Copa do Nordeste, a eliminação na Copa do Brasil e duas derrotas no campeonato brasileiro. Sim, culpo esses fatores ditos acima como alguns dos principais motivos para aquela goleada da Ponte Preta e essa derrota para o limitado Avaí. Na primeira rodada, Ney Franco poupou o time titular pois alegava desgaste dos jogadores (que já vinham de um jogo com time misto contra o Danúbio, pela Sul-americana, onde o Sport quase é eliminado). Tomou uma sapecada de 4-0. Agora, o Sport teve que usar vários meninos da base por falta de opções para repor as ausências, especialmente na lateral-esquerda, onde a diretoria deixou o fraco Mansur até jogar uns jogos na temporada, depois ainda esperou o contrato dele acabar, para aí se lembrarem que Mena é jogador de seleção chilena e vai pra Copa das Confederações, para aí sim começarem a ir atrás de um lateral-esquerdo para ser reserva do camisa 6. E as lambanças da diretoria continuam quando a gente olha para o meio de campo. Rithely, mesmo com algumas atuações lamentáveis, como a de hoje que trataremos mais abaixo, é titular indiscutível. Anselmo chegou e já tomou a posição de titular. Só que o time precisa de opções para repor alguma ausência, ou até substituições durante os jogos mesmo. Fabrício é o mais confiável dos volantes, mas está sendo usado com lateral, como já foi dito. Assim resta ter que usar o ainda verde Thallyson, ou até ter que recorrer a nomes como os de Neto Moura, Ronaldo, e até Rodrigo. Este último é até sintomático, pois mostra uma atitude amadora da diretoria do Sport: ele é ex-volante do Goiás. Isso mostra uma tentativa da diretoria de querer achar um “novo Rithely”, que veio de onde? Do Goiás. Digo isso pois uma das novas contratações (tende a ser confirmada nesta segunda-feira 05/06) é a do volante Patrick, também ex-Goiás. Eles não tem criatividade para buscar um outro volante e ficam apostando para o “raio cair duas vezes no mesmo lugar”. Esse tipo de aposta só tende a comprometer a temporada.

Agora vamos falar de algumas atuações no jogo de hoje. Ronaldo Alves voltou, para alegria da torcida rubro-negra e fez um bom jogo, mas a defesa continua sendo um problema. Durval não é mais aquele que conhecemos. Ele vem errando tudo que tenta, desde lançamentos até passes curtos, com os pés e com a cabeça. Também erra muito no quesito posicionamento, tanto que o gol do Avaí hoje tem influência desse mal posicionamento do capitão leonino. E também, ele sempre foi lento e não seria agora que ele melhoraria nesse fundamento. Há a necessidade urgente da ida de Durval para o banco. Hoje, minha zaga titular seria Neris e Ronaldo Alves, desde que eles não “quebrem” e se mantenham saudáveis durante toda a temporada. Outro jogador que foi muito mal hoje foi Rithely. Desde que Ney Franco o “transformou” em meia com aquela formação com três volantes, o camisa 21 parece ter esquecido que é volante e que tem que jogar mais atrás. Muitas tentativas de triangulação do time não deram certo justamente por ele estar mais adiantado do que deveria e isso faz com que ele também perca uma das suas principais características que é a saída de bola com qualidade e o tal passe quebrador de linhas que bota os atacantes na cara do gol. No segundo tempo, Luxemburgo mexeu no time e se não fosse o fato de Rithely ter se escondido no meio da marcação (até fraca) do Avaí, o resultado da partida poderia ter sido outro. Na frente, nem precisarei me estender ao falar de Rogério. Mais uma partida nula do camisa 17, que já vem merecendo um chá de banco faz tempo para ver se toma jeito e volta a ser útil.

O último jogador que eu comentarei mais profundamente é justamente o craque do time, Diego Souza. Desde que voltou da lesão sofrida contra o Santa Cruz na Copa do Nordeste, Diego Souza não é o mesmo que vinha sendo. Aparentemente mais pesado e também sem ritmo de jogo, o camisa 87 praticamente vem se escondendo nos jogos que está em campo. Não aparece para armar jogadas, nem para tabelas, nem marca saída de bola, nem faz nada além de reclamar, tentar cavar faltas e errar passes. O primeiro tempo de hoje foi mais disso. No segundo, ele até que apareceu mais pro jogo, procurando criar jogadas com Thomás (que entrou e estreou bem), mas longe de ser o Diego que se conhece e que todos esperam que ele seja. O futebol de Diego vem sendo tão ruim que chega a ser sintomático o fato de que as últimas boas atuações do Sport vem sendo sem ele em campo, visto (parte do primeiro e) o segundo tempo da partida contra o Grêmio. O Sport agora terá pela frente três partidas (Flamengo[C], Vasco [F] e São Paulo [C]) sem Diego, devido à convocação dele para a seleção brasileira. Por incrível que pareça, a tendência é o time melhorar com a ausência dele. Aí fica a torcida que a estada com a Seleção faça bem e que Diego volte a ser o craque que todos sabem que ele é e que a torcida do Sport conhece.

Antes de finalizar o texto, apenas algumas considerações finais: André mais uma vez foi um dos líderes em campo, mesmo sem executar sua principal função que é fazer gols. Sempre lutando lá na frente e tentando fazer com que seus companheiros de time lutem o tanto que ele luta para tentar ajudar o Sport; Thomás estreou hoje e entrou muito bem na partida. Se Diego e Rithely tivessem jogado minimamente bem, o Sport poderia no mínimo ter empatado no segundo tempo; Anselmo foi bem mais uma vez. Passa segurança ali no meio; Osvaldo é titular desse time, mas precisa da chegada de um meia e do lateral para que saiam triangulações ou alguma jogada em profundidade para que ele possa utilizar sua principal característica, que é a velocidade; Luxemburgo vem conseguindo fazer ajustes no time quando faz suas mudanças, mas devido às más atuações de pilares do time como Rithely e Diego Souza, esses ajustes não surtem tanto efeito como deveriam. Ou a diretoria reforça o time com jogadores de qualidade (e os que já estão aqui acordem pra vida e joguem bola), ou vai ser mais uma dura temporada de luta contra o rebaixamento.

%d blogueiros gostam disto: