Wild Pitch – As peculiaridades do Draft da MLB

Nesta quarta-feira, 14, se encerra o draft da MLB. As 30 equipes da liga entram na disputa por novos jogadores, que irão preencher os seus elencos nas equipes principais, mas principalmente nas ligas de desenvolvimento, para que sejam observados mais de perto pelas equipes. Essa é uma das principais diferenças do sistema de recrutamento da MLB, mas existem algumas outras bastante interessantes.

A primeira diferença é justamente no período de recrutamento. Ao contrário de outras ligas americanas, o draft da MLB acontece em meio a temporada regular. A própria liga não promove com grande empolgação o evento, que acontece paralelamente a jogos da temporada regular. Drafts como o da NFL e da NBA acontecem no período de off-season, com grande cobertura e destaque dos principais analistas do esporte, gerando grande movimentação da liga num período sem jogos.

Apesar de ser um processo realizado em apenas 3 dias, assim como na NFL, o draft da MLB tem incríveis 40 rodadas (na NFL são 7). Isso dá um pouco da dimensão do trabalho que as diretorias das franquias tem para buscar talentos, principalmente nas últimas rodadas. A necessidade de tantas rodadas se dá pelo elenco do baseball ser grande, criando a demanda por um grande número de atletas. De qualquer forma, a grande maioria desses atletas acabam indo parar nas ligas menores para desenvolverem o seu jogo e muitos deles nunca chegam a atuar na MLB. Vale salientar que as franquias não são obrigadas a exercer as suas 40 escolhas, caso estejam satisfeitas com a quantidade de jogadores recrutados. Com uma Free Agency mais abrangente, essa possibilidade acaba sendo mais realista do que em outras ligas.

Outro fator interessante é que, ao contrário de outras ligas como a NFL e a NBA, os jogadores não precisam, necessariamente, passar pelo esporte universitário para chegarem ao draft da MLB. Qualquer prospecto de High School pode se candidatar a uma vaga no draft da MLB. Quanto aos estrangeiros, eles não são considerados elegíveis, ao contrário do que acontece na NBA. Eles são considerados Free Agents, e as franquias da MLB devem negociar diretamente com os atletas, desde que o time estrangeiro tenha acertado a liberação do jogador.

A definição da ordem das escolhas também é interessante. Apesar de, em regras gerais, seguir a ordem inversa da colocação na temporada anterior (do último ao primeiro), alguns fatores de exceção são colocados em meio ao processo. Um time que contratar um Free Agent de primeiro nível (a MLB ranqueia os jogadores que ficam sem contrato de acordo com seu desempenho) perde sua vez para o time de onde veio tal jogador. Se alguma franquia tinha boa escolha no ano anterior e não conseguiu contratá-lo, ganha uma escolha extra na nona posição. Além disso, times que perderem jogadores Free Agents de segundo nível ganham escolhas extras ao final da primeira rodada – e antes de começar a segunda.

Mesmo sendo realizado em meio a temporada regular, os jogadores draftados só reforçam as equipes na próxima temporada. Esse é um outro fator que atrapalha o interesse dos torcedores no draft da MLB, já que não existe a expectativa que o jogador cause um impacto mais imediato para a melhoria do time que o draftou.

 

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