Arbitragem no Brasil: um caso a ser avaliado depressa

Um dos assuntos mais questionados, tanto pela imprensa, quanto por torcedores, é o fato de que a arbitragem brasileira deveria se tornar algo sério. Tornar uma profissão com salário fixo, treinamento pós jogos, dentre outros fatores que podem ser levados em consideração para algo que é tão exigido por homens e mulheres que se arriscam no mundo do apito.

Assim como acontece com os jogadores, não é qualquer um que pode se tornar árbitro de futebol. Embora pareça fácil, há uma série de processos que vão desde um simples exame cardiológico a uma série de baterias, onde se é testado o condicionamento físico e psicológico dos aspirantes. Após ser aprovado em todos os testes, é preciso que cheguem convites para apitar jogos em categorias de base ou amistosos regionais para que se tenha uma avaliação da federação do estado a qual o árbitro ou bandeirinha se filiou.

Todo começo não é fácil. Para que se tenha uma ideia, um árbitro de futebol que apita as divisões de base no estado de São Paulo, recebe em média de 100 a 150 reais por partida. Além da baixa remuneração, participar da arbitragem é um trabalho solitário e com datas e horários irregulares. Como a atividade ainda não foi regulamentada em nosso país, muitos árbitros têm outros empregos conciliados com as partidas apitadas. Para os árbitros que tem mais experiência (em torno de 7 a 10 anos), o valor recebido por cada partida recebida pode chegar a R$ 2.500 para os que apitam dentro das principais competições da CBF.

Mesmo que o valor pareça bom, se pensarmos que um árbitro de série A apita em média de 2 a 3 jogos por mês, ainda não é o suficiente para que os homens e mulheres de preto e amarelo passem a ser tratados como qualquer outro trabalhador formal. Em entrevista ao programa ‘Diário Esportivo’ da Mega Rádio em Vitória da Conquista, o árbitro Marielson Silva, relatou que após uma partida, no dia seguinte ele está retornando para sua casa, quando ele poderia ficar no local da partida, observar os erros que cometeu durante os 90 minutos através de algum monitor que a CBF disponibilizasse, e durante a semana ir para um centro de treinamento de arbitragem na capital do estado onde está apitando, em busca de corrigir e sanar os erros que tanto são questionados em nosso país. O uso de auxiliares em partidas da série A e da Copa do Brasil, além do recurso de vídeo que futuramente passará a ser utilizado, vem pra somar com as diversas possibilidades que podem ser aplicadas para a melhoria do futebol nacional.

Muitos são criticados, mas nem todos que os criticam tem o conhecimento do que se passa com cada um deles. As decisões podem sim ser tomadas facilmente pela CBF, entidade maior do futebol brasileiro, por conter poder aquisitivo o suficiente para mantê-los em alojamentos espalhados pelo país, em busca de melhorar o condicionamento físico e psicológico de cada um deles. Mas, assim como são tratados diversos clubes no brasil, com desprezo, assim são com aqueles que pensam em levar a arbitragem como um trabalho formal.

Essa história ainda terá muitos capítulos, e ainda esperamos que um dia a arbitragem se profissionalize no Brasil.

 

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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