Bahia e Vitória: os antagonismos do futebol baiano

Tanto o tricolor, quanto o rubro-negro representam o futebol baiano no certame nacional da primeira divisão. A cada temporada, o coração do torcedor baiano se enche de esperança por um ano diferente, cheio de alegrias e com conquistas do seu time tão amado, pois é o que dá sentido ao amor que se tornou uma devoção ao nosso querido esporte.

Porém, mais uma vez nossos clubes estão bem distantes do que chamamos de ideal e a preocupação já é uma realidade. Se falarmos no âmbito administrativo, podemos dizer que o Bahia vive uma situação melhor, principalmente no quesito austeridade financeira, até porque não dá para fazer nenhuma extravagância para novas contratações. Acredite tricolores, o caixa não está em boa fase. Tudo isso deve-se a herança trazida das gestões passadas que maltrataram o Bahia dentro e fora de campo, e coube a diretoria comandada por Marcelo Sant’Anna em resolver essas problemáticas. Nos bastidores as coisas estão em um nível satisfatório, mas no gramado o Esquadrão precisa convencer a sua imensa torcida apaixonada.

Observando a tabela de classificação, o Bahia ocupa a 14ª posição com 19 pontos ganhos. Na 15ª rodada havia vencido o Atlético Mineiro no Independência, dando um novo ânimo ao elenco e aos seus aficionados para o compromisso diante do Santos no último domingo (23), mas o tricolor decepcionou e foi derrotado por 3 a 0 no Pacaembu. Falar do time que vive uma irregularidade no campeonato, uma receita perigosa é estar nesse patamar, sendo que o sistema de pontos corridos não permite se comportar desta maneira. Ou começa a vencer e manter uma regularidade, ou pode preparar a máquina de calcular para escapar da temida zona de rebaixamento.

Um erro crasso da diretoria é depois de quase três meses da lesão de Hernane ter trazido um centroavante. Tudo bem que Edigar Junio estava resolvendo no ataque e a dupla Régis/ Allione vivenciava as melhores atuações,no entanto demorou muito de contratar. Vai apelar pra sorte?. Além do homem de referência, o tricolor necessita de buscar a adaptação do esquema de Jorginho, muito diferente de Guto Ferreira, um valoriza o passe e a jogada construída de pé em pé e o outro explorava a transição , velocidade e maior participação dos laterais no contra-ataque, de fato foi uma mudança brusca e infelizmente requer tempo, este o maior inimigo da equipe.

E o Vitória? Ah, esse vive um inferno astral que é difícil ter esperanças no Leão. Uma série de defeitos no planejamento do time, vários profissionais sem noção do que é futebol, troca sucessiva de treinadores e jogadores com mínimo de compromisso possível. Quero estar muito enganado, porém o rebaixamento está se aproximando do Barradão. O clube precisa de gente nova com menos soberba, mais trabalho e desejo de fazer um time de fato para o torcedor, e não ficar apenas nas promessas políticas. Vamos parar dessa historia de conquistar título nacional em menos de 3 anos. Longe dizer que a historia belíssima do Vitória não permita por essa façanha, mas é preciso reconstruir o time, pensar em mini-metas , ser estrategista , recuperar a credibilidade arranhada, almejar receitas e só depois ir em busca da consagração no futebol brasileiro.

Petkovic pode ter tido a imagem do ídolo manchada pela inexperiência como gestor e treinador. Foi uma lição para ele e o próprio Vitória. Jamais um time de 117 anos fazer testes para ver se dar certo na condução do futebol, até porque foi uma mistura de ultrapassado no primeiro semestre com inabilidade do sérvio nesta segunda metade de 2017. A culpa dessa soma reflete na 19ª posição onde o rubro-negro se encontra com 12 pontos ganhos, faltando duas rodadas para o fim do primeiro turno, sendo que a diferença para o Atlético Paranaense, fora da Z-4 é de cinco pontos, sem analiar os critérios. Será que após a demissão de Pet, tão questionado pela crônica esportiva, dará um oxigênio no ambiente do Leão, aliado a um triunfo contra o Cruzeiro no Mineirão? Estas são perguntas complicadas de responder.

Que nesse roteiro tão cheios de incógnitas protagonizados por essas duas forças, o final seja um pouco menos dolorido para todos nós.

Curtas:

– Bahia e Vitória estão separados na questão de organização financeira. Um busca o equilíbrio do seu caixa e investiu pouco no futebol, mas conquistou a Copa do Nordeste que deu um retorno muito bom com premiações e comissões pelo feito. Já o Leão apesar de ter adiantado as cotas televisivas e ter investido pesado em novos jogadores, o retorno foi longe de ser satisfatório, principalmente pelo impacto das contratações que foi relevante. O clube vive uma crise sem tamanho.

– Quem terá a coragem de treinar o Vitória? E ser o gestor de futebol? A credibilidade no mercado foi-se pelo ralo.

– Bahia é um time que cria oportunidade, tem um goleiro em ascensão e um volante de respeito, mas tudo isso não adiante se a rede adversário não balançar. No domingo é chance de reencontrar o caminho dos triunfos em casa, pois já não vence na Fonte Nova desde a  5ª rodada quando derrotou o Cruzeiro por 1 a 0.

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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