CLUBE DA FÉ #104 – Uma virada para virar a página

Embalado pelo profeta Hernanes, que na apresentação na terça-feira soltou a frase “A nossa vida é uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente”, seguimos com o título do post desse texto após a grande virada no jogo de ontem (29/07) sobre o Botafogo. Uma virada que pode ser o divisor de águas ou a virada de página do nosso tricolor na temporada. Primeira vitória fora de casa no Brasileirão, contra um time que está bem mais arrumado que o nosso, depois de estar perdendo por 3 x 1, com os gols da vitória saindo todos após os 39 do segundo tempo, nos pés (e cabeça) dos estreantes Marcos Guilhermes (duas vezes) e do profeta Hernanes.

Primeiro comentário aqui será mesmo dedicado ao Hernanes. Como joga bola nosso profeta. Acredito que irá arrumar nosso meio campo. Petros e Jucielei dando sustentação a zaga, Cueva com mais liberdade, sem a responsabilidade de toda bola cair nos seus pés para acontecer algo, isso porque Hernanes será o quarto homem de meio campo capaz de reter a bola no meio campo, esperando melhores deslocamentos dos homens de frente, com capacidade de drible, passes e finalizações com as duas pernas. Será peça fundamental para uma retomada de futebol jogado e resultados dentro da competição. Inteligente e técnico como poucos, vai sobrar nesse segundo turno e fazer com que os companheiros joguem melhor.

Sobre a equipe em si, já desde o jogo contra o Vasco estamos vendo uma entrega maior em campo, principalmente de jogadores que estavam devendo como o próprio Cueva que, pênalti disciplinantemente desperdiçado a parte, fez uma boa partida contra o Botafogo, anotando o primeiro gol, cobrando o escanteio do segundo, finalizando erroneamente no terceiro e dando um passe magistral para o quarto gol. Acho que não pode ser o encarregado das cobranças de penalidades, não só por ontem, mas pelo seu histórico desde que chegou ao São Paulo. Claramente não é sua especialidade.

Além da entrega, a questão física já melhorou muito desde a troca da comissão técnica, devemos reconhecer. Se antes a equipe morria na primeira metade do segundo tempo, agora vemos a correria até o final do jogo, dando sempre a esperança de uma recuperação ou de que poderemos matar o jogo em determinadas ocasiões. Taticamente, Dorival coloca a equipe no 4-2-3-1, com algumas variações para o 4-1-4-1 interessantes e já consegue deixar o time  um pouco mais compactado e com mais posse de bola. A presença de Hernanes, adicionando ao já comentado acima, adiciona uma possibilidade maior de finalização de longa distância, abrindo um pouco mais as defesas adversárias para uma infiltração em diagonal ou mesmo um passe mais dentro da área para Pratto.

Mas o time precisa de resultados que deem confiança e tranquilidade para essa evolução ocorrer, apesar do péssimo planejamento da diretoria, que não tem nada que ficar se gabando no pós jogo, como o sr. Leco fez ontem (pateticamente a meu ver). Se estamos na situação que estamos, é porque o trabalho da diretoria está fazendo com que iniciemos uma nova temporada em julho, já brigando contra o rebaixamento com praticamente apenas um turno para isso.

Mas enfim, vitória muito importante. Creio que, com mais calma, sem o fantasma rondando, poderemos ter em breve também algumas novidades vindas da base, com mais uma geração talentosa surgindo. Quem viu a campanha na Taça BH sub 17, viu Brenner, Helinho, Nestor e outros jogadores que podem ser inseridos logo mais na equipe (isso se a diretória não vender, por incompetência, antes da hora). Espero que tenhamos novamente motivos para nos orgulhar de fato do nosso clube. Que viremos a página. Parafraseando o profeta de novo, “Aqui é São Paulo, Piiiii”.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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