Os técnicos são, de fato, injustiçados no futebol brasileiro?

Conforme técnicos caem durante os campeonatos, seja na Série A ou Série B, o assunto na redação do HTE Sports é sempre o mesmo: “Mas assim fica difícil ser técnico no Brasil, não confiam no planejamento do treinador”, “três derrotas já são o suficiente pra balançar técnico” “Não foi o treinador que perdeu aquele pênalti”, diversos argumentos são usados com a mesma constatação, de que a diretoria não acertou na demissão.

Concordo que muitas diretores são covardes a ponto de se esconderem por trás da figura do treinador, conforme Leco fez no São Paulo com Rogério Ceni e diversos outros exemplos, mas sempre isentar o técnico, na minha visão, é um dos erros que fazem com que nosso futebol não avance. A importância de um técnico pra um clube é imensa e o comandante é sim uma das grandes armas do clube que almeja qualquer conquista.

Fábio Carille

Corintiano ou não, todos sabem que o time do Corinthians é tecnicamente fraco, rasas opções no elenco, entre os clubes paulistas no papel é a quarta força (por mais que isso tenha causado uma enxurrada de críticas a diversos jornalistas), mas uma coisa o Corinthians tem e outros rivais não tem, Fábio Carille, aprendiz de Tite, “cria” corintiana, absorveu ensinamentos dos dois treinadores que mais obtiveram sucesso no clube, Mano Menezes e Tite. Depois de assumir por duas vezes o clube em 2016 interinamente, chegou a hora do técnico assumir o clube e dar sua cara em sua primeira oportunidade como técnico, em clube de enorme pressão com um elenco fraco em um estado onde todos os rivais parece estar à frente. Que fria, não?! Pra Carille foi tranquilo, administrou a pressão e com humildade levou o clube a conquista do Paulistão e lidera com sobras o campeonato brasileiro, o único revés do clube é a Copa do Brasil, onde foi eliminado precocemente para o Internacional.

Acho que fica bem nítido que Fábio Carille é de suma importância para o clube paulista, qualquer outro treinador dificilmente obteria o sucesso imediato que obteve Carille.

Cuca

Vamos à um caminho mais polêmico, Cuca, atual campeão brasileiro, aproveitou o título e preferiu não renovar com o clube, Eduardo Baptista com um clube com opções e qualidade maior que o clube tinha no ano anterior não repetiu os feitos de Cuca e sucumbiu a pressão da exigente torcida. Logo Cuca voltou, seria difícil até para o palmeirense mais pessimista não empolgar com a volta do técnico, mas o que se esqueceram é do segundo turno pífio que o Palmeiras apresentou em 2016, vitórias magras, com um futebol nada vistoso, mas que não deve ser diminuído por conta das vitórias. Em 2017 não está sendo diferente, Cuca com várias opções para as laterais prefere improvisar, o zagueiro Mina não tem um posicionamento estabelecido, joga como quer e onde quer. Meio campo sem criação alguma, com praticamente três volantes e três atacantes. Cuca tem crédito e terá tempo para organizar o time, aliás, já teve tempo necessário pra isso e ainda não conseguiu. Criando um cenário hipotético onde Palmeiras cai na Copa do Brasil e na Libertadores? Seria injusto demitir? Na minha opinião, não.

A intenção do contraste não é desmerecer o Cuca ou o Palmeiras, ou enaltecer Carille e o Corinthians mas sim mostrar que dois técnicos com elencos totalmente avessos produzem de forma diferente. Existem diversos argumentos para isso:

O elenco pode estar rachado:

Culpa do treinador que não sabe gerir o elenco, ter pulso firme para guiar seus comandados a um objetivo em comum

– O calendário é muito longo, o técnico não consegue repetir escalações:

Repetir escalações realmente nem sempre está ao alcance do técnico, porém manter a formação, o estilo de jogo, com peças que entrarem saberem exatamente o que fazer, treinar os reservas na mesma formação do time titular.

Repetindo que não estou tentando isentar os dirigentes que todos os dias metem os pés pelas mãos, existem sim, algumas demissões injustas, porém algumas delas são mais do que necessárias e justas para que o clube dê uma guinada nas atuações.

Renan Thierre

Antigamente comia areia e catarro, futuramente um professor de História, atualmente editor no HTE Sports e finge que entende de futebol e outros esportes.

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