The Rivals #5 – Pacers vs Knicks

Texto: Mayron Brito

New York Knicks e Indiana Pacers se enfrentam na NBA desde a temporada 1976-77, quando a franquia de Indianapolis entrou na liga, após deixar a ABA. E graças a década de 90, o embate entre as equipes não demorou a desenvolver um clima de rivalidade. Foram 6 encontros em séries de playoffs em 8 anos, entre 1993 e 2000, com direito até a provocações entre jogador e torcedor.

 

O primeiro encontro que marcou essa rivalidade dos anos 90 aconteceu na primeira rodada dos playoffs de 1993. Os Knicks tiveram a melhor campanha da temporada regular na Conferência Leste, com 60 vitórias e 22 derrotas e eram super favoritos. O oitavo colocado, Pacers, só chegou a pós-temporada após desempate com o Orlando Magic, pois ambos terminaram com um record de 41-41. No jogo 3 da série, ocorreu talvez o fato que deu vida à rivalidade: John Starks deu uma cabeçada em Reggie Miller no terceiro quarto da partida e foi ejetado. Nascia assim um duelo memorável entre os dois ala-armadores que eram reconhecidamente trash talkers. New York venceu a série por 3-1 (O primeiro round dos playoffs tinha um formato de melhor de 5 na época) e avançou para as Conference Semifinals.

 

No ano seguinte, o Indiana Pacers teve a chance de dar troco, e estiveram bem perto de conseguir isso depois de uma partida legendária da sua estrela, Reggie Miller, no Madison Square Garden, no jogo 5. Ambas equipes venceram suas duas primeiras partidas em casa, chegando para o terceiro encontro em New York com o placar em 2-2, porém, o domínio dos mandantes acabaria naquele jogo. Graças à Miller, que anotou 25 pontos no último quarto de um total de 39, levando o Pacers a uma vitória por 93 a 86. Apesar disso, o que mais marcou essa partida foi a discussão entre Reggie e Spike Lee, famoso cineasta torcedor do New York Knicks. A discussão entre os dois ficou tão intensa que a cada cesta convertida, o jogador virava diretamente seu olhar e provocava Spike. Após sua quarta bola de 3 no período, Miller fez o icônico gesto de “choking”, pondo as duas mãos no pescoço, como se estivesse matando os Knicks, o que não chegava a ser mentira. Mesmo com isso tudo acontecendo no jogo 5, New York venceu os dois jogos seguintes e chegou a final da NBA, após um jogo 7 lendário de Patrick Ewing que anotou 24 pontos, coletou 22 rebotes, distribuiu 7 assistências e deu 5 tocos. Como parte de uma aposta feita com Spike, após a derrota na série, Reggie Miller teve que visitar Mike Tyson, que na época estava preso em Indiana. Tyson nem mesmo apareceu para falar com o jogador.

 

Em 1995, o terceiro confronto seguido. O Pacers finalmente deram o salto de qualidade que prometiam e não eram mais considerados zebras no confronto com o Knicks. Com a adição de Mark Jackson, vindo do Los Angeles Clippers, Rik Smits tendo o melhor ano de sua carreira na liga, Reggie Miller e Derrick McKey elevando seu nível de jogo, o time comandado por Larry Brown venceu a divisão Central e a franquia teve sua primeira temporada com mais de 50 vitórias desde que se juntou à NBA.

Já no jogo 1, Indiana deu o recado que pretendia: essa série não seria como as duas anteriores. Últimos 18.7 segundos de partida, Knicks liderava por 105-99: saída de bola do Pacers, Reggie Miller para 3, 105-102. Posse de bola dos donos da casa, 16.4 no relógio, Anthony Mason faz um passe direto pra Reggie, que tem a frieza de dar dois passos para trás e acerta outra vez para 3. Jogo empatado, ainda restam 13.2 segundos no cronômetro, John Starks sofre falta imediatamente após a saída de jogo, erra os dois lance livres, Patrick Ewing pega o rebote e erra o arremesso, Reggie Miller finalmente recupera para os visitantes, sofre falta. Ao contrário do seu eterno rival, o ala-armador de Indy converte ambos arremessos, Pacers na frente, 105-107, ainda 7.5 por jogar. Sem tempo para pedir, os Knicks tentam atravessar a quadra de maneira desesperada, Greg Anthony tropeça, cai sozinho e Indiana garante uma virada inacreditável. Miller ficaria conhecido como “The Knick-Killer” depois dessa série. Os Pacers se vingaram da derrota no ano anterior, batendo os Knicks em 7 jogos, em pleno Madison Square Garden.

 

Não satisfeitos com uma série de três confrontos seguidos em playoffs, Indiana e New York abriram uma outra série de três anos consecutivos em 1998. Dessa vez, o Pacers era imenso favorito, afinal tinham terminado a temporada regular em 3º lugar, já o New York Knicks teve que lidar com uma séria lesão no pulso de Patrick Ewing na temporada regular e apenas se classificou em 7º. Ainda sem seu craque, o time passou pelo Miami Heat na primeira rodada da pós-temporada no sufoco, em um decisivo jogo 5.

Na semifinal da Conferência Leste, Reggie Miller e cia. confirmaram seu favoritismo e bateram os nova iorquinos por 4-1, mesmo com a volta de Ewing no jogo 2. Destaque para o jogo 4, no MSG, que terminou com vitória dos visitantes por 118-107 na prorrogação. Isso porque Miller acertou uma bola de 3, com 5.1 faltando no relógio, empatando o jogo em 102. “The Knick-Killer” honrou seu apelido e terminou a partida com 38 pontos.

 

A temporada 1998-99 da NBA foi marcada pelo lockout, ou seja, com pouco número de jogos, cada vitória se tornava ainda mais importante para a classificação aos playoffs. O time da Big Apple não emplacou com os novos reforços Latrell Sprewell e Marcus Camby, terminando com um record de 27-23, na 8ª posição. Indiana era considerado o favorito para vencer a Conferência Leste, após o desmonte do Chicago Bulls. Foram para os playoffs em 2º, com a mesma campanha do líder Miami Heat, 33-17. Líder esse que foi derrotado pelo segundo ano consecutivo na primeira rodada pelo New York Knicks. Graças a uma bola de 3 de Allan Houston que relutou, mas caiu, faltando 0.8 segundos no derradeiro jogo 5. Antes de enfrentar o já arqui-rival Indiana Pacers na final da Conferência, os Knicks varreram o Atlanta Hawks na semifinal. Indy chegou tranquilamente a decisão, após varrer Milwaukee Bucks e Philadelphia 76ers.

Após as duas primeiras partidas, a série estava empatada em 1-1, porém, New York saiu de Indiana com um sabor de derrota. Ewing teve uma lesão no tendão de Aquiles e ficou fora pelo resto dos playoffs. Contudo, mesmo sem seu principal jogador, os Knicks venceram o jogo 3 por 92-91, após uma jogada de 4 pontos de Larry Johnson, faltando 5 segundos no relógio. Apesar da vitória de Indiana no jogo 4, no Madison Square Garden, o time de NY foi inspirado novamente para o jogo 5 e levou a partida na Market Square Arena. Ainda no primeiro tempo do jogo 6, os Knicks sofreram outra baixa com a lesão de Larry Johnson. Entretanto, uma atuação de gala de Allan Houston, que anotou 32 pontos, misturada com uma das piores atuações da carreira de Reggie Miller em playoffs (8 pontos, 3-18 FG), asseguraram a passagem desse heroico New York Knicks para as finais da NBA. Até hoje, é a única equipe classificada para a pós-temporada em 8º lugar a conseguir vencer sua conferência e chegar a final.

 

No último encontro entre as duas franquias nessa série de 6 confrontos em 8 anos nos playoffs, talvez o duelo em que ambas as equipes estivessem no mais alto nível. Os Pacers, com campanha de 56 vitórias durante a temporada regular, assegurou o 1º lugar na Conferência Leste. New York se classificou em 3º. Indiana venceu as duas primeiras partidas em casa, no seu recém-construído ginásio, Bankers Life Fieldhouse. Confirmando o mando de quadra, os Knicks venceram ambas as partidas em seus domínios, empatando a série em 2-2. No jogo 5, vitória do mandante mais uma vez e Indy ficou a uma vitória de chegar pela primeira vez na história nas finais da NBA. E que maneira melhor de encerrar esse ciclo senão na Meca do Basquete, o Madison Square Garden? Palco em que Reggie Miller e Patrick Ewing travaram grandes batalhas durante toda a década. Obviamente, esse jogo 6 foi marcante para ambos, porém, de maneiras diferentes. “The Knick-Killer” atacou novamente e se despediu desse embate do melhor jeito possível, vencendo a partida, 93-80, a série, 4-2, e anotando 34 pontos, metade deles no último quarto. Assim, finalmente, Miller conseguiu levar o Indiana Pacers a NBA Finals. Já para Pat Ewing, esse jogo ficou marcado como o seu último no MSG como um Knick. Na temporada seguinte, o pivô que atuou por 15 temporadas em New York, se transferiu para o Seattle SuperSonics.

 

Apesar da gigantesca rivalidade que foi gerada por esses embates que criaram alguns dos momentos mais memoráveis da história dos playoffs da NBA, o respeito entre ambas as franquias se manteve e prova disso foi a última partida da carreira de Reggie Miller no Madison Square Garden. Os fãs no ginásio começaram a cantar o nome daquele que foi seu algoz em vários momentos da década de 90. Miller e Spike Lee até se abraçaram no fim da partida. Após esse momento intenso, Indiana Pacers e New York Knicks não voltaram a se enfrentar nos playoffs até a temporada 2012-13.

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