Três anos depois… Mudamos?

Há três anos, você estaria numa mistura de alegria e tensão. Afinal, como todo amante do bom futebol, era o dia da primeira semifinal da copa do mundo realizada em nosso país. Nossa seleção estava a um passo de outra final em casa, com uma campanha recheada de heroísmo (mesmo que forçado às vezes). Neste cenário, o Mineirão aguardava uma semifinal que entraria para historia das copas.

Como complemento, havia a comoção nacional pela lesão de Neymar, que ocultara a campanha irregular da seleção que decepcionou em algumas partidas na copa. No ano anterior, em 2013, a equipe comandada por Felipão, para diversos torcedores e alguns comentaristas “patriotas”, era avaliada como  detentora de um futebol moderno com David Luiz sendo a cara da seleção. Além dele, Paulinho, Hulk e Fred como coadjuvantes com certo destaque. Passando fácil na fase de grupos, sofrendo contra o Chile e  vindo do seu melhor jogo na copa contra Colômbia. Próximo desafio: Alemanha.

Não irei falar do resultado nem contar como foi o jogo, até porque a gente nunca esquece. Meu objetivo no texto é fazer você refletir se estamos caindo no mesmo ciclo vicioso, onde apanhamos tanto e ainda talvez não aprendemos a mudar, apenas “Demos um jeitinho”. Lembro que dias antes do jogo li este texto de Cosme Rimoli, e a primeira frase me chama atenção:

 “Um ano não são 365 dias. Não no futebol de elite. A Seleção Brasileira é a maior prova de que como os 12 meses tiveram consequências. Não trouxeram rugas e nem cabelos brancos. Mas afetaram profundamente o time e o próprio Luiz Felipe Scolari.”

Esse foi o maior erro, a meu ver. Não houve evolução em um ano de trabalho. Cabe aqui uma questão: a seleção de Tite que hoje encanta (2017) não despertava o mesmo sentimento no torcedor em 2013, depois da goleada aplicada sobre a poderosa Espanha?

Não estou criticando Tite, mas talvez o questionamento sirva de alerta. Em um ano acontecem muitas coisas e ter um meio campo em que a base atua no fraco futebol chinês, além de um banco de reservas com alguns nomes sem expressão (outra semelhança com a copa passada). Talvez na hora de mudar o jogo numa copa Alemanha tenha nomes como: Goretzka, Sané, Werner; a França tenha caras como Lacazzete, Martial, Coman; ou a Espanha com nomes como Asensio e Saul, o Brasil tenha Diego Souza, e Fagner, opções do futebol nacional que, ao meu ver, não são caras que irão decidir uma copa.

De antemão relembro você que o pós-derrota para Alemanha prometeu-se mundos e fundos de mudanças. Elas vieram? Eu não vi. Temos um campeonato nacional que não mudou nada, temos uma categoria de base que sequer consegue classificar para mundiais da categoria. Nos últimos três anos apenas um jogador se transferiu com destaque para Europa.

O que mudou? Estamos melhores? Nestes três anos, fracassamos em duas copas Américas e nem participamos do nosso torneio de consolação dos últimos anos (Copa das confederações), e depois de resultados ruins, seguimos a mesma decisão que em 2012: troca de treinador no meio do ciclo de copa. Eu vejo muito mais semelhanças do que mudanças em relação a nosso fracasso de 2014.

Datas ruins são fundamentais para reflexão sobre o que pode ou não ser mudado. Ao que parece, não mudou muita coisa desde o 7 a 1, mas pelo menos conseguimos fazer o povo brasileiro sonhar. Nem que para isso tenhamos que forjar heróis, como foi a figura de David Luiz. Talvez seja um ciclo vicioso de uma equipe que terá seus problemas e que, por algum motivo, seja um meião, seja um jogador granada sem pino, ou até um apagão, sempre terá uma dona Lúcia que acreditou que o trabalho dos chefões foi correto e que não precisamos mudar.

Remisson Negreiros

Um brasileiro, louco por NFL e adora uma boa discussão, fala umas groselhas em outros sites. e no twitter @remissonplay10

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