Alan Ruschel – O símbolo do renascimento após a tragédia

Dia 7 de agosto será um dia especial na vida de Alan Ruschel, lateral da Chapecoense. Primeiro porque jogará no emblemático estádio Camp Nou, contra uma das maiores equipes do mundo, o Barcelona. Só isso, para um jogador do time do interior de Santa Catarina já valeria por uma vida. E é por valer por uma vida que tornará esse dia ainda mais especial. Vida que milagrosamente prosseguiu para Alan e mais cinco outros sobreviventes no acidente aéreo no final do ano passado, quando o Verdão do Oeste viajava para a disputa da final da Copa Sul Americana contra o Atlético Nacional de Medelín, vitimando 71 pessoas entre jogadores, jornalistas, dirigentes e tripulação. Um momento que chocou o mundo. E que para Alan foi praticamente um segundo nascimento.

Entre todas as homenagens e auxílios do mundo do futebol à Chapecoense, o Barcelona convidou a equipe para o Troféu Joan Gamper, tradicionalmente organizado pela equipe no início da temporada espanhola, servindo como pré-temporada. Um simples e bonito gesto de uma das equipes mais poderosas do mundo do futebol. Ruschel, que vem se recuperando fisicamente durante o ano inteiro dos traumas do acidente foi confirmado na delegação da Chapecoense, que usará também um uniforme especial para o jogo, com 71 estrelas representando cada uma das vítimas, será, sem dúvida, o ponto alto desse jogo onde o resultado será o que menos importará ao final. O comunicado da Chapecoense sobre a participação de Alan enfatiza isso: “A volta de Alan representa um passo importante na sua superação e, ainda, no processo de reconstrução do clube. Considerando a importância e magnitude da partida realizada contra a clássica equipe espanhola – em um dos templos do futebol mundial, entendeu-se que o jogo é a ocasião ideal para a retomada.”

No programa Bem, Amigos dessa semana, do canal Sportv, Ruschel não escondeu a felicidade de voltar aos gramados: “É um sonho que estou realizando pela segunda vez. Eu me tornei um atleta profissional há 10 anos. Foi um sonho que eu realizei. Agora, voltar a jogar é um sonho que estou realizando de novo. Ser um atleta profissional, jogar em alto nível. A gente sabe que foi difícil por tudo que passei. Voltar a jogar e voltar a competir está sendo um sonho e estou muito feliz por voltar a participar”, declarou Alan.

Também comentou sobre o acidente, dizendo que pouco se lembra de momentos posteriores a decolagem: “Eu lembro de antes, do dia. Do momento em que a gente decolou para a Colômbia, eu já não me recordo. Essa sensação do medo eu não me recordo. A conversa que eu tenho com o Follmann, com o Neto e com o Rafael (Henzel)… Eles lembram e estavam com um pouco de dificuldade para andar de avião, já que eles lembram do medo e tinham esse receio e sentido que algo poderia ter acontecido. Essa lembrança eu não tenho. Eu tava sentado ao lado do Follmann. E ele me disse que a gente estava acordado escutando música. Aí o piloto falou que a gente ia pousar e teve o protocolo de sempre… Eu não tenho medo (de avião). Essa sensação do medo, eu não lembro e não tive. Quando me contaram eu fiquei sem reação. A Marina, minha esposa que estava comigo, me conta que eu fiquei olhando para cima quase que um dia inteiro. Sem falar com ninguém, em estado do choque. Eu ainda me pego pensando e achando que é mentira. É muito triste… A vida ensina muita coisa e eu tive a chance de viver mais uma vez. Agradeço a Deus cada dificuldade que ele me fez passar porque estou aqui para passar por elas.”

Quando Ruschel entrar em campo no dia 7 de agosto, não entrará sozinho. Com ele estarão Danilo, Ananias, Cléber Santana, Matheus Biteco, Caio Junior, Victorino Chermont, Mario Sérgio Pontes de Paiva, Jackson Follman, Rafael Henzel e todos os outros que faleceram e sobreviram na tragédia. Alan carregará consigo cada um dos que choraram ao acordar com a notícia do acidente. Representará todos os colombianos que lotaram o Anastasio Girardot dias depois cantando para o mundo se lembrar da campeã Chapecoense. Será uma estrela simbolizando o recomeço e a valorizção de uma vida.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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