CANTO DO MANTO #20 – Caos

O título desse texto pode definir o momento do Flamengo. Eu venho falando há algum tempo que está tudo errado, que o nosso técnico não consegue manter e armar um time corretamente e que não o faz desde o ano passado, quando começou muito bem. Apenas uma vitória nos últimos sete jogos no campeonato brasileiro e uma série de tragédias passadas, incluindo agora uma derrota para o fraco Vitória dentro de casa por 2 a 0. Gostaria de lembrar que esse mesmo time tomou de quatro para o Vasco dentro de seus domínios.

Venho culpando o técnico nesses últimos dois meses e grande parte dos problemas foram causados por ele mesmo. Zé Ricardo, depois de começar muito bem no ano passado, perdeu o controle do time e passou a escalar errado por diversas vezes, entregando diversos pontos e passando muita vergonha, principalmente na Libertadores onde não conseguimos nem passar da primeira fase, sem vitórias fora de casa. Hoje, tentou mudar, mas não escalou o time que a torcida quis, com a saída de Márcio Araújo. A torcida só pediu que o volante saísse, não uma escalação de Brasfoot. Zé Ricardo errou novamente. Não dá mais pra aguentar suas sandices.

Mas a culpa não é apenas dele. Isso é fato. Defendo que ele tem que sair para haver uma mudança, mas o time não acerta absolutamente nada em campo. Todos os jogadores tem feitos péssimas partidas e eu não vou destacar pontos positivos dessa vez porque se trata de um conjunto, de um elenco e por isso quando acontece uma palhaçada dessas (não existe outra palavra) todo mundo deve ser cobrado. Vamos aos muitos pontos negativos:

A zaga não consegue se acertar de jeito nenhum. Depois de inúmeras invenções, contusões e trocas, além da insistência com Rafael Vaz, o time finalmente conseguiu jogar com a zaga “titular” Rhodolfo e Rever. Não adiantou muita coisa, já que o esquema não protegeu os zagueiros e o segundo falhou miseravelmente cometendo um pênalti ridículo, que ocasionou no segundo gol do Vitória. As laterais se mostram péssimas: Pará e Rodinei se revezando em fazer besteiras e Trauco, que é uma avenida mais badalada que a Atlântica. O único decente na posição é Renê. Mas é o Renê, logo, não espera-se muita coisa.

Na “volância”, temos o maior problema. Essa posição é fundamental no futebol moderno e o Flamengo não tem um jogador que possa marcar e fazer essa transição rápida e certa. Ou temos um ou o outro. Marcio Araújo marca, mas falha bastante e não pode mais ser utilizado no time do Flamengo. Arão ajuda na criação, mas marca menos que pai marcando o filho criança aprendendo a jogar bola. Rômulo poderia jogar se descesse do salto, e Cuellar é a opção óbvia, mas aparentemente ofendeu algum parente do Zé Ricardo e Ronaldo provavelmente namorou e traiu a filha do técnico, o que é a única justificativa plausível para ele não dar nenhuma chance a esses dois, que segundo quem acompanha, treinam muito bem.

A meia milionária e repleta de craques está sendo uma surpresa ingrata para o time. Diego não vem jogado nada há muito tempo e estava sendo salvo por golaços esporádicos. Os gols sumiram e as atuações continuaram. Não acerta nada, perdeu pênalti e gol na cara, por diversas vezes. Reparem que a única coisa que ele faz todo jogo é dar um carrinho na lateral e fingir que ta marcando, fazendo uma ou duas faltas. E só. Merece banco. Everton Ribeiro tem feitos partidas decentes, nada mais que isso. Mas peca pelo preciosismo muitas vezes. Paquetá, Gabriel, Vinicius Jr, Berrío, Mancuello, Matheus Sávio e todos os outros já utilizados como opção tem se mostrado mais inúteis que água de salsicha. E até Everton tem feito péssimas partidas. E eu não sei o que me deixa intrigado: Conca não ser nem testado, visto que, está recuperado e “apto para jogar”, segundo vários repórteres que vivem o Flamengo ou Diego, que pode participar de um triatlo, cumprir as 12 tarefas de Hércules ou até entrar num octógono com Jon Jones e o cabelo tá sempre intacto. E nunca é substituído. Triste ver essa realidade.

O ataque tem motivos para reclamação sim. Eu gosto muito de Guerrero. Mas como finaliza mal o peruano. Perde pelo menos uns 2 gols fáceis todo jogo. E para um time em crise, gols assim são fundamentais. Porém, ele é preponderante para o esquema tático e em forma, deve ser utilizado sempre. Até porque com a saída do fraco Damião, temos na reserva o lamentável Felipe Vizeu. Surpreendeu e jogou muito bem contra o Santos, mas ele não sabe nem dominar uma bola e voltou ao normal contra o Vitória. Partida mais triste que enterro de criança. Ele é muito ruim e o Flamengo deveria se reforçar logo nessa posição.

Mas pior que gols perdidos, falhas individuais, um técnico mais perdido que criança gordinha quando entra na loja de doces, é a passividade do time após as derrotas. Em todas as entrevistas de técnico, jogadores e diretoria vemos pessoas calmas e aparentemente tranquilas com a situação. Uma das torcidas mais apaixonadas do Brasil e a maior do mundo merece respeito. Bandeira, Zé Ricardo e Diego (o mais procurado pela imprensa) sempre passam que tudo está ótimo em suas falas. Não está. Entregamos mais um “título possível”, não existe tática e nem raça nas partidas do Flamengo e nada acontece. O trabalho continua. Mas que trabalho é esse onde o time não progride e não melhora? Onde um elenco milionário não consegue arrumar nada e está a 18 pontos do líder? Tá na hora de mudar. Mas isso eu já falei cem vezes, há pelo menos três meses. E sou taxado de maluco pelos amigos. Provavelmente sou um falso rubro-negro. Saudações a todos!

Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Lucas Farias

Carioca, 25 anos, nem um pouco jornalista, mas apaixonado por esportes, principalmente futebol. Flamengo, Tottenham, Miami Heat e New Orleans Saints.

%d blogueiros gostam disto: