Na vez do futebol, o futebol nunca teve vez!

O lema principal da campanha de Marcelo Sant´Ana até então candidato ao cargo de presidente do Esporte Clube Bahia era “A vez do futebol”. Sem dúvidas, é uma frase que empolga e mexe com a expectativa do torcedor tricolor, tão acostumado aos períodos de glórias e ao longo dos anos passados viu seu clube mergulhado em uma fase de fracassos.

Chegando ao último ano desse triênio a frente da gestão tricolor, Marcelo ganhou notoriedade por fazer um bom trabalho na parte administrativa, mas esta não andava em paralelo com o futebol, o principal carro-chefe de um clube deste segmento esportivo. O Bahia voltou a conquistar a taça da Copa do Nordeste – vencendo pela terceira vez em sua história – porém deixou escapar o título estadual para seu maior rival, o Vitória. Tudo bem que o primeiro semestre de 2017 não foi tão desastroso e, de certa forma, vejo como regular diante da pretensão principal, que era ser campeão regional, e conseguiu atingir esse objetivo. Contudo, era preciso fazer muito mais e o objetivo deveria mesmo é ser realizar uma campanha segura no Campeonato Brasileiro, algo que a cada rodada passou longe de ser almejado.

Na primeira rodada, o Esquadrão empolgou e venceu o Atlético Paranaense por 6 a 2 na Fonte Nova. Um triunfo bastante convincente de uma equipe que ainda era comandada por Guto Ferreira. O trabalho do “Gordiola” se notabilizou pela transição muito bem feita, a rápida troca de passes e de envolver o adversário ao ponto deste não conseguir sair do seu esquema e tornando-se uma presa fácil principalmente em casa. Com a saída de Guto para o Internacional, a diretoria trouxe Jorginho e a partir daí o time começa a desandar no Brasileirão, saindo do G-6 para as últimas posições.

O ex-lateral da Seleção Brasileira assumiu o clube na 5ª rodada no triunfo contra o Atlético Goianiense e deixou o Fazendão na derrota para o Sport na capital baiana por 3 a 1. Foram quatro triunfos, quatro empates e seis derrotas em 14 partidas com um aproveitamento de 38%. Muito ruim para quem deseja terminar o certame entre os dez bem posicionados. Neste hiato, os cartolas apostaram na interinidade de Preto Casagrande na rodada posterior em Santa Catarina contra a Chapecoense, onde o tricolor beslicou um ponto longe de casa.

Preto esteve a frente do Bahia como interino em cinco jogos até aqui. O ex-volante venceu duas partidas, empatou uma e perdeu outros dois compromissos. Um aproveitamento razoável se não levado em conta de que forma o tricolor se comporta dentro de campo. Para aqueles que gostam da tática, vai um recado : De fato é um “bando” nas quatro linhas. O time atua em linhas baixas e é reativo, apenas atrai o adversário para seu campo até que surja um erro para o contra-ataque e só. Não existe um repertório vasto de jogadas e ai que mora o erro de Preto no quesito leitura de jogo, onde a sua inexperiência como treinador atrapalha um pouco.

Uma equipe reativa também é criativa, pois o adversário ao longo da partida vai entender qual é a sua proposta de jogo. E para surpreendê-lo nada adianta você apenas se defender, tem que agredir. Caso você jogue contra o líder de um campeonato, este não vai dar brecha, então sua investida principal cai por terra e no final das contas a derrota é certa. Sabendo deste panorama, a cúpula do Bahia adotou nas últimas semanas a lei do silêncio e ninguém sabia qual seria o futuro de Preto Casagrande, que só foi revelado na noite desta quarta-feira (30) no programa oficial do clube em uma rádio da capital.

A diretoria se mostrou covarde, perdeu o timing para trazer outro treinador tarimbado no mercado e agora passivamente aceitou os clamores do elenco para efetivar. Simplesmente houve uma transferência de responsabilidades colocando nos jogadores qual será o futuro do Bahia no campeonato. Na coletiva antes do treino, o lateral Eduardo disse o seguinte: “Pode vir o Guardiola, se os jogadores não encaixarem não adianta”. Então se eles (atletas) não gostarem do treinador, vão fazer corpo mole? E o respeito com a instituição e sua imensa torcida ficam aonde?

Em uma entrevista para o canal SporTV, o ex-técnico e atual comentarista Muricy Ramalho falou do comportamento dos técnicos brasileiros, que muitas vezes o papel deles é confundido como “paizão”. Ele afirmou que nunca foi psicólogo de jogador e que sempre cobrou objetivos aos seus comandados, pois os mesmos já ganhavam muito e já tinham incentivos demais. O real motivo da efetivação de Preto por parte de Marcelo Sant´Anna e cia é que este tem um bom relacionamento com todo mundo e só, em detrimento a qualquer critério baseado nos conceitos sobre futebol.

Um pedido para a diretoria e a comissão técnica. Para 2018, deixe o Bahia na primeira divisão!

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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