O brilho ofuscado da estrela solitária

Tudo estava indo muito bem, até que chegaria um momento em que o funil iria diminuir e os adversários mais incômodos iriam aparecer na frente do Botafogo. Na última quarta, esse adversário foi o Flamengo e, embora o retrospecto não fosse tão desfavorável, o medo e a pressão falaram mais alto nos momentos decisivos.

A primeira partida das semifinais realizada no estádio Nilton Santos já deixou clara como seria o segundo confronto no Maracanã: um jogo em que as chances reais de gol se contavam nos dedos, tendo muitas faltas e paralisações, deixando muito a desejar do que realmente poderia ser aquele clássico carioca numa semifinal de Copa do Brasil. Como todo jogo de mata-mata existe um clima diferente ao entrar no gramado, a pressão por ser o “favorito” do confronto acabou pesando para o Glorioso.

O desfalque de Rodrigo Pimpão na volta, deixou evidente a falta de efetividade no setor ofensivo do Botafogo. Embora tenha criado poucas, nos primeiros 90 minutos em casa, teve mais chances para chegar ao gol Rubro Negro, mas, mesmo assim, não conseguiu abrir vantagem com o mando a seu favor. Entrou Guilherme como o substituto para a partida no Maracanã. Pouco utilizado por Jair Ventura no Brasileirão, o garoto de 22 anos seria a tentativa de aumentar o poder ofensivo ao lado de Roger. Tentativa mais que frustrada. Foram apenas quatro chegadas ao ataque e nenhuma, repito, nenhuma finalização ao gol defendido por Tiago. Ou seja, algo deu errado.

Duas coisas que chamaram atenção antes e durante a partida foram: o porquê de entrar para segurar o 0 a 0 e confiar que nas penalidades conquistaria a classificação? Pelos números estatísticos deu para perceber que o Botafogo entrou apenas para se defender e não tomar gol e, se esqueceu que do outro lado haviam também onze jogadores, incluindo alguns com qualidade superior e que em algum momento poderiam definir a parada. Foi o que aconteceu. A segunda e desleal, foram as entradas duras sofridas por Guilherme e Matheus Fernandes. Deu pena! Acrescento também a péssima atuação de Wilton Pereira Sampaio, tido como um dos principais árbitros brasileiros mas que simplesmente pipocou na partida, perdendo o controle total do jogo.

Enfim, a classificação não veio, mas ainda há uma luz no fim do túnel. Nas próximas semanas teremos às quartas de final da Libertadores com duas partidas decisivas contra o Grêmio, também eliminado da Copa do Brasil pelo Cruzeiro. Ainda há tempo para pensar no que foi feito de errado nas duas partidas contra o Flamengo e tentar corrigir, para que a estrela solitária estampada no escudo botafoguense volte a brilhar.

 

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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