Refém do silêncio

O Bahia iniciou o returno do Campeonato Brasileiro da pior forma possível, ao ser goleado de virada por 4 a 1 diante do Atlético Paranaense em Curitiba, neste último domingo, dia 13 pela 20ª rodada do principal torneio de clubes do nosso país. E segue sem definir se Preto Casagrande será efetivado no cargo de técnico ou vão em busca de um profissional no mercado. Vale ressaltar que Jorginho foi demitido no dia 31 de Julho após a derrota do tricolor para o Sport na Fonte Nova por 3 a 1.

De lá pra cá, o discurso que impera nos corredores do Fazendão é de apoio ao Preto, inclusive pelo destaque do time na atual temporada, o volante Renê Júnior , além dos atacantes Mendoza e Zé Rafael. A frase dita : “ o grupo está fechado com Preto “. Para refrescar a memória do torcedor, a última vez que foi proferido esse apoio a um interino, o Esquadrão foi rebaixado para a série B em 2014 e não subiu no ano seguinte, quando na ocasião o time era dirigido por Charles Fabian. Se alguém for supersticioso, que comece as orações por um milagre em dezembro. Por estar entre a cruz e a espada, a diretoria do Bahia na pessoa de Diego Cerri reitera o apoio ao ex-jogador do Bahia como técnico e que no momento a ideia de trazer outro profissional está fora de cogitação.

Mas aí eu faço a pergunta. Se existe hierarquia dentro do clube, porque a diretoria está nas mãos dos jogadores, por terem medo da não aceitação de um novo técnico? . Por onde sei, o atleta é pago para honrar seus compromissos, de treinar no período correto , fazer gol ( depende da posição) e ser subserviente ao presidente, vice-presidente e diretor de futebol. É mas do que provado que Preto ainda está “verde” na condição de assumir essa missão difícil de evitar o rebaixamento do tricolor. Prefiro até que o clube possa investir mais ainda em uma capacitação e dele começar treinando alguma categoria de base, para enfim em outra oportunidade ter condições de se responsabilizar pelo time de cima.

Falta ousadia pra Preto ser diferente dos seus antecessores. Porque insistir tanto em Matheus Reis na lateral-esquerda e Gustavo Ferrareis que nada produz enquanto entra no decorrer dos jogos? . Bata no peito e banque Juninho Capixaba. Não compactue com a ideia de valorizar a base de outros clubes. Coragem, abuse de transição ofensiva, da troca de passe, seja ofensivo, jogue como Bahia. Restam 17 rodadas para o término do Brasileirão, e atualmente o tricolor ocupa a 15ª colocação com 23 pontos ganhos. São 6 triunfos, 5 empates, 9 derrotas em 20 partidas realizadas e 38,5% de aproveitamento. Terminar a competição entre as dez melhores equipes é o maior tabu na história dos pontos corridos.

A torcida merece uma resposta. O Bahia precisa de uma reação urgente. Não dá pra ficar refém desse silêncio.

Curtas :

–  Foram ao todo 66 contratações, e podendo formar 6 times diferentes. Essa foi a gestão de Marcelo Sant ´Anna nesse triênio até aqui na presidência do Bahia. Se de um lado a parte administrativa e financeira estão vivendo uma boa fase, não dá pra dizer a mesma coisa do futebol que é o carro-chefe de um clube.

– Matheus Reis foi renegado na base do São Paulo e tem 22 anos, é titular da posição enquanto Armero se recupera de lesão. O colombiano veio com a chancela de “jogador de Copa do Mundo”. A expectativa bem longe da realidade. Nessa seara fica Juninho Capixaba, de 20 anos e FORMADO NO PRÓPRIO BAHIA, assistindo esse filme de terror no banco de reservas

– Caso não haja uma postura definitiva referente a efetivação de Preto,o Bahia é o Titanic prestes a bater no iceberg enquanto isso a diretoria toca o violino.

– Vencer o Vasco e Botafogo, com todo o respeito as duas equipes, é obrigação caso queira permanecer na primeira divisão em 2018.

Lucas Cezar

Baiano, publicitário e apaixonado por futebol. Escreve todas as terças-feiras na coluna sobre futebol nacional, com ênfase em Bahia e Vitória.

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