UMA RAZÃO PARA VIVER #11 – A imprevisibilidade previsível

Achou o título confuso? Muito provavelmente. Para você entender o motivo que me levou a intitular esse texto assim, assista a um jogo do Sport. Um time que anda em campo, sem disposição alguma e que dá sono no torcedor que assiste, tanto no campo quanto pela TV.

O time do Sport, no papel, não é ruim. Nomes como Magrão, André, Diego Souza e Rithely impõem respeito nos adversários, que procuram não deixar esses jogadores (os de linha, claro) soltos dentro do campo, pelo fato de que eles podem resolver o jogo em uma bola que tiverem. Porém, o que se vê na prática é um time caminhando dentro de campo, sem ameaçar de maneira alguma o adversário.

Até agora, dois parágrafos e nada de explicar o título. Então, lá vamos nós: todo mundo ficou surpreso como o Sport estava jogando bem, desde aquela derrota para o Vitória na Ilha, e da rápida ascensão do time, que saiu da zona do rebaixamento para o G6, que dá vaga para a Libertadores. O time demonstrava um futebol bonito de se ver, com um toque de bola refinado, transições rápidas e muitas vezes com contra-ataques mortais. Acrescente a isso boas atuações individuais dos jogadores que já foram citados acima e de outras peças, como Everton Felipe, Patrick e Mena.

Porém, essa fase do Sport parece ter passado há muito tempo. Desde a derrota por 2-0 para o Palmeiras na Arena Pernambuco, o time passou a jogar numa rotação três ou quatro vezes mais lenta do que a demonstrada no Sprint citado no parágrafo anterior. Isso coincide com o processo de negociação de Diego Souza com o próprio Palmeiras.

Não existe nome que seja mais a cara do Sport nesses últimos jogos do que Diego Souza. O Camisa 87 é, indiscutivelmente, o melhor jogador do time. Mas faz tempo que ele não mostra isso com a bola nos pés (e sem ela também). Diego é o armador da equipe, mas joga escondido lá na frente, perto de André e perdido entre os zagueiros dos times adversário. Com isso, o Sport não faz nada além de abrir para o lado e cruzar para o próprio DS87 ou André tentarem finalizar, ou arriscam lançamentos longos para que Diego ganhe no jogo aéreo e torcer que a bola sobre para algum jogador rubro-negro. O Sport se torna altamente previsível e, assim, torna o trabalho do time adversário mais fácil.

Dentre esse recorte descendente, se tira partidas até boas, como as vitórias sobre Atlético-GO e Bahia. Mas essas duas vitórias possuem particularidades: a primeira foi contra o lanterna do campeonato, na Ilha e num jogo com campo impraticável. A segunda foi fora de casa e sem Diego. Mesmo assim, a torcida sabe que o time pode render mais do que vem rendendo e se apega a essas vitórias (e também às outras anteriores ao recorte atual) esperando atuações tão boas quanto. Daí a imprevisibilidade, onde o torcedor não sabe qual time verá em campo: o Sport do sprint que chegou ao G6 ou o atual, que dá sono.

O técnico Vanderlei Luxemburgo precisa aproveitar as duas semanas que terá sem jogos para organizar a casa. A curta coletiva pós-jogo dele é bem sintomática. Ele falou que Diego está rendendo abaixo do que pode, mas isso não é só para o camisa 87. O time todo está rendendo abaixo do que pode.

Nós, torcedores, esperamos que tudo seja corrigido e o time volte a render e jogar bem. Assim poderemos continuar nessa briga para voltar à Libertadores. Do contrário, teremos que nos contentar com mais uma vaguinha na Sula ou até apenas escapar do rebaixamento.

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