Backcourt NBA – Todos contra o Tank

Adam Silver, comissário da NBA (Foto: CBS Sports)

Ao longo da última década a NBA vem buscando equilibrar os times da liga visando melhorar a competitividade. Por conta disso, diferente do que ocorre na NFL e MLB, que dá a primeira escolha do draft universitário para o time de pior campanha na temporada regular, a NBA criou o sistema de loteria: um sorteio entre as equipes não classificadas para os playoffs para determinar a ordem das escolhas do draft. A intenção da loteria foi justamente evitar o expediente das equipes perderem propositalmente para garantir a melhor escolha universitária, conhecido como tank. Mas não tem adiantado muito nos últimos  anos.

Tendo maiores chances de ficar com a primeira escolha, os times que chegam a metade da temporada com desempenhos ruins tem realizado o tank mesmo assim. Talvez o exemplo mais claro na última temporada tenha sido o Los Angeles Lakers, que trocaram D’Angelo Russell e deixaram Luol Deng e Mozgov fora da equipe por todo o final da temporada, justamente para garantir que teria mais chances de uma escolha alta no draft. Ficou com a segunda escolha e selecional Lonzo Ball.

Pois bem, para tentar evitar isso, Adam Silver apresentou algumas propostas para os donos das 30 franquias da liga. A ideia principal é igualar as probabilidades das três piores campanhas ficarem com a primeira escolha geral — dessa maneira, cada time teria 14% de chances — contra 25% (pior), 19,9% (segundo pior) e 15,6% (terceiro pior) no formato atual. Além disso, quatro equipes seriam sorteadas em cada loteria (atualmente são três), e o restante da ordem do draft é inversa à classificação da temporada anterior. Com essas mudanças, não teria tanta diferença entre ter a pior ou a terceira pior campanha para efeito de draft. Além disso, o time de pior campanha poderia cair até a quinta escolha geral, enquanto hoje em dia a queda máxima é até a quarta escolha.

O problema é que sempre que se inventa algo para evitar que alguém seja o “esperto” da vez, as coisas não dão 100% certo. Colocando mais uma equipe na loteria das primeiras escolhas, mais times poderão ver condições boas de seguir perdendo para obter uma escolha alta no draft ao final da temporada. Quando o tank vira uma alternativa de reconstrução, principalmente para equipes de centros consolidados (como os Bulls mostram que querem fazer nos próximos anos), qualquer regra que seja criada será passível de ser burlada. Ainda mais quando as equipes conseguem ver em Luka Dončić, esloveno de 18 anos destaque na conquista da seleção no EuroBasket, ou Michael Porter, de Missouri, como seus possíveis novos Franchise Players.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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