De olho em Tóquio – Basquete nacional precisa de sérias reflexões

Amigos leitores amantes do basquete, apesar dessa coluna se chamar “De olho em Tóquio”, espaço que utilizamos aqui no HTE Sports para falar dos esportes olímpicos nesse ciclo, o basquete nacional precisa de tantas reflexões que, penso eu, deveria na verdade “esquecer” os Jogos Olímpicos no Japão e se focar em um plano estratégico para chegarmos em Los Angeles, no ano de 2024, em condições de realizar uma participação digna (não digo nem conquista de medalha).

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Nossa Marcelo, mas você não está sendo muito dramático? Bom, vamos olhar nossos últimos resultados na Copa América. Pelo feminino, ficamos em quarto lugar, desclassificados assim para o Mundial e chegamos a perder para Ilhas Virgens, time que tinha quatro jogadores de vôlei, e ficamos 40 pontos atrás do Canadá na semifinal. Será a primeira vez, desde 1959, que o basquete brasileiro feminino não marcará presença no Mundial. No masculino, suamos para vencer a Colômbia, seleção que debutava em Copa América, e perdemos categoricamente para México e Porto Rico, ficando fora da disputa do Pan Americano em Lima, no Peru, pela primeira vez na história. Isso tudo vindo de uma suspensão da FIBA – Federação Internacional de Basquetebol que só se encerrou há cerca de dois meses, com a CBB tendo dívidas na casa dos 40 milhões de reais, de acordo com reportagem do GloboEsporte.com (leia aqui).

Os resultados foram ruins, mas é para tanto alarde? Vamos às competições nacionais. O NBB perdeu Brasília e Macaé, dois polos tradicionais do basquete masculino, por questões financeiras. A LBF teve somente seis equipes na última competição. É bem verdade que a liga feminina deu boas notícias nas últimas semanas, como a intenção de 22 equipes se inscreverem na próxima competição e o lançamento da LBF TV (Veja aqui) com programas semanais da modalidade. Mas o basquete feminino foi tão maltratado nos últimos 15 anos, que vai precisar de muito trabalho para voltar a ser relevante em nível internacional.

Ou seja, tanto no masculino, quanto no feminino, será necessária uma união muito grande de todas as instituições que fazem parte do basquete e a definição de responsabilidades de cada setor. Na minha opinião, a CBB, em conjunto com o Ministério dos Esportes, deveria investir na massificação do esporte, criando centros de treinamentos comunitários pelo Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A CBB, que praticamente não terá competições ano que vem para as seleções, precisa atrair o público para gostar da seleção, buscando jogos relevantes para a seleções nacionais, tanto aqui quanto no exterior, focando as convocações principalmente em jogadores jovens, que poderão chegar em Los Angeles no auge de suas carreiras, como Yago, do Paulistano. As ligas (NBB e LBF) devem no fortalecimento de seus associados, para que as equipes consigam ser mais sustentáveis e com gestões mais profissionais, dependendo menos de patrocinadores únicos ou subsídios e programas de prefeituras. E, claro, empenho dos atletas, porque é inaceitável um nível tão baixo de acertos de arremessos de dois e três pontos como vimos nos jogos tanto do masculino quanto do feminino.

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A nova administração da CBB, pegou uma terra arrasada, isso é fato. Mas não pode se esconder atrás dessa desculpa, nem iludir a comunidade do basquete com falsas promessas. Lógico que queremos ter um basquete novamente vencedor, que possa disputar seriamente medalhas olímpicas ou pódio nos mundiais e acho que o Brasil têm potencial para isso.

Mas, não vai ser em três anos que tudo será resolvido. Será melhor que Guy Peixoto, o mandatário máximo do basquete nacional, seja transparente com clubes, ligas, federações, treinadores, árbitros, atletas e ex-atletas e mostre um plano estratégico com responsabilidades e etapas a serem cumpridas. Não será fácil, a crítica será pesada se falar que não haverá cobrança de resultados nas competições internacionais pelos próximos três anos porque, como brasileiros, gostamos mais de vitórias que do esporte em si.

Contudo, se olharmos para o lado, podemos ver exemplo bem sucedido no vôlei nacional, que aos poucos foi evoluindo e hoje é a principal força mundial, tanto no masculino como no feminino, lutando sempre no topo em qualquer competição que disputa. Foi um passo de cada vez. E assim o basquete deve ser conduzido.

Marcelo Tadeu Parpinelli

Um cara que gosta de opinar sobre tudo, principalmente daquilo que não conhece e não entende. Aspirante a filósofo nas horas vagas.

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