Futebol como propaganda política: os dois lados da moeda

Nos últimos anos temos visto certo envolvimento entre pessoas que fazem parte do meio político com alguns clubes do futebol brasileiro. Alguns querem apenas ajudar no crescimento das agremiações, enquanto outros buscam se popularizar através do esporte para conseguir alavacantar uma carreira política no país. Mas afinal de contas, qual a verdadeira contribuição que essas pessoas trazem para o futebol?

A política fez parte iminentemente do futebol em décadas passadas. Podemos citar dois casos: a imposição do Estado sobre clubes e da seleção brasileira que geraram o fracasso na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra; O futebol era tido apenas como uma jogada de marketing para o regime militar no país e, não fosse por João Saldanha, dentre outros que lutaram bravamente contra a ditadura, talvez não teríamos a geração campeã em 70 no México. O segundo fez parte do movimento intitulado  “Diretas Já”. Sócrates, ídolo do Corinthians, foi às ruas como um dos pioneiros a favor emenda que lutava pela realização das eleições diretas no Brasil. Após um ano de movimentos, que se encerrou em 1984, a primeira eleição realizada de forma direta foi feita apenas em 1989, ainda passando por cinco anos de poder civil no país.

Sobre o parágrafo acima, acho válido que os leitores assistam ao documentário Memórias do Chumbo – Brasil produzido pela ESPN, sobre como o futebol era tratado na época da ditadura militar. A realidade mostra como o esporte mais amado do país influenciou para a alienação das massas.

Voltando aos dias atuais, temos alguns exemplos de como a política tem feito parte do dia a dia futebolístico. Recentemente vimos Alexandre Kalil, antes presidente do Atlético-MG, deixando o clube para se candidatar e posteriormente se eleger à prefeitura de Belo Horizonte. Temos também outros casos ainda mais recentes dos ex-presidentes de Corinthians e Palmeiras, Andrés Sánchez e Paulo Nobre, o primeiro atualmente no cargo de Deputado Federal, dando indícios de uma possível candidatura ao governo de São Paulo. Casos como esses que provam e comprovam o uso do poder conquistado nos clubes para se tornarem populares e, a partir disso, tentarem uma investida na carreira política, buscando os votos daqueles que conquistaram a sua admiração enquanto mandatários do futebol. Veja uma lista de vários políticos que se popularizaram através dos clubes brasileiros.

Em contrapartida, também temos aqueles que apenas querem fazer com que clubes de menor expressão subam de patamar no futebol nacional. Casos como o do Grêmio Barueri e Audax, clubes do interior do estado de São Paulo, que podem também ser chamados de “clubes-empresa”, já que ambos receberam injeções financeiras por parte do poder público para conseguirem se manter na disputa dos campeonatos que participavam. Se formos enxergar com bons olhos, esse não seria o problema maior, já que sabe-se da dificuldade que se é enfrentada para manter clubes de menor expressão no Brasil. Falta apoio das federações estaduais, patrocínios que não são o suficiente para pagar as despesas e várias situações que acabam fazendo com que lideranças políticas se mobilizem em prol das equipes em busca de financeiramente poder ajudá-las a sair de uma situação preocupante. Citando rapidamente um exemplo, a Juazeirense, clube da Bahia que recentemente conseguiu o acesso à Série C, tem como um de seus representantes o Deputado Estadual Roberto Carlos – PDT, que colaborou e fez questão de deixar clara a sua ajuda ao clube de Juazeiro.

As opiniões sempre irão se dividir em relação a esse tema. Sabemos que o futebol tornou-se uma paixão nacional através também do meio político, ainda que não da forma correta, mas fez com que o esporte se tornasse uma potência em nosso país. Sempre haverá uma parte ruim na história e, convenhamos, por mais que tentemos ser o super-herói da história, melhor apoiar aqueles que amam o seu clube de coração e tentar ajuda-lo de alguma forma. Caso os próprios torcedores percebam que esse apoio não passa de uma aquisição de poder público junto ao futebol, é o momento em que há para se manifestar e fazer com que isso não ocorra mais no meio esportivo.

Imagem: Cruzeiro.org

Rafik Oliveira

Amante de várias modalidades esportivas, trago à tona diversos temas que abordam o cenário nacional, sempre com uma visão diferenciada para cada esporte.

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