O que o mercado da bola aprendeu com a não ida de Coutinho para o Barcelona

A novela Philippe Coutinho agitou os noticiários do Brasil e do mundo durante a janela europeia de transferências nesse início de temporada 2017/18. O meia brasileiro do Liverpool já era alvo e virou objeto de cobiça do Barcelona após a saída do atacante Neymar para o PSG. Porém, o clube inglês bateu o pé firme e não vendeu o seu camisa 10.

Essa atitude do Liverpool gerou uma série de consequências. A primeira delas foi a alegação do meia brasileiro de que estaria com dores nas costas, o que fez com que ele não atuasse pelo clube em jogos importantes como os playoffs da UEFA Champions League contra o Hoffenheim e as primeiras rodadas da Premier League. Era claro o desejo de Coutinho em mudar de ares e formar trio de ataque com Suárez e Messi.

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Mas, acredito que o mais importante mesmo, foi mostrar ao Barcelona e ao mercado do futebol que nem sempre o dinheiro é o que mais importa. Os Reds rejeitaram diversas ofertas milionárias do clube catalão pela contratação de Coutinho, chegando até mesmo a pedir 200 milhões de euros, valor que o Barcelona afirmou não ter condições de pagar sem prejudicar seus cofres futuramente.

“Depois de semanas de ofertas e conversas, o Liverpool nos colocou um preço em um jogador que queríamos. Um preço de 200 milhões de euros, e decidimos que não faríamos. E isso é uma prova da nova forma de entender o futebol. Este clube e esta direção não entrará nesta nova forma de entender o futebol”. Essas foram as palavras de Albert Soler, diretor esportivo do Barcelona.

Palavras que parecem vazias quando lembramos que o mesmo clube pagou 40 milhões de euros no volante Paulinho, que estava no Guangzhou Evergrande, da China e também € 150 milhões no promissor Ousmane Dembelé, ex-Borussia Dortmund.

Em minha opinião fica evidente que não foi o dinheiro que impediu a ida de Coutinho ao Barcelona, pois o clube teria totais condições de pagar com o valor pedido pelo Liverpool. Quem venceu, na verdade, foi o orgulho em não dar o braço à torcer pelas recusas do time inglês. Foi não querer mostrar ao mercado da bola que as vezes é preciso fazer um esforço a mais quando as coisas não saem como eles queriam.

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Também fica claro para mim que Coutinho vai sim vestir a camisa do Barcelona na próxima temporada. Os catalães devem manter seu interesse e dificilmente não trarão o brasileiro em 2018/19, mas a lição dada pelo Liverpool foi extremamente valiosa e importante, além de um belo recado para o megalomaníaco mercado do futebol.

Heider Mota

Baiano, 21 anos, estudante de jornalismo e amante dos esportes.

Twitter: @heiderzito

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