Opinião – O exercício do verdadeiro poder da fama

(foto: Matt Kartozian-USA TODAY Sports)

O domingo nos esportes americanos foi marcado pelos protestos nas partidas da NFL durante a execução do hino americano. Cerca de 180 jogadores, além de treinadores e até donos de time, protestaram contra as falas do presidente Donald Trump, que chamou os jogadores de “filhos da p***” em um comício do partido Republicano no Alabama, além de criticar em sua conta do Twitter a liga e seus jogadores por ajoelharem ao hino americano. Como se não bastasse, Trump ainda desconvidou os Warriors para visitar a casa branca em janeiro, quebrando a tradição dos campeões das ligas americanas visitarem o presidente. Para quem não entendeu a polêmica, confira aqui um resumo dos acontecimentos.

CONFIRA TAMBÉM:

-> O lendário, Jackie Robinson

-> Backourt NBA – Contender ou álbum de figurinha

As diversas manifestações, principalmente de grandes astros dos esportes americanos, como LeBron James, Chris Paul, Richard Sherman, Lesean McCoy, Magic Johnson e Kobe Bryant, criticando o presidente e as suas declarações que incitam ainda mais as divisões raciais num país que já vive um momento de tensão, são de grande importância e mostram um lado diferente dos atletas: a consciência que eles tem da sua importância para a sociedade e como isso pode ser utilizado para melhorar a vida das pessoas.

Muito mais do que contestar as falas de Trump, o protesto manda uma mensagem clara de que os atletas estão engajados para buscar maneiras de combater a desigualdade racial nos Estados Unidos. Pouco tempo atrás, o país presenciou atônito a passeata em Charlotteville, onde várias pessoas de movimentos de supremacia branca e neo-nazistas desfilaram nas ruas carregando bandeiras com suásticas. Curiosamente, a reação do presidente Donald Trump não foi tão fervorosa contra essa manifestação, ao contrário do que aconteceu com as manifestações dos esportistas.

Não me iludo com as notas oficiais da NFL, nem de donos de franquias, que na sua grande maioria, apoiaram Donald Trump a se eleger presidente do país. Me dou o direito a desconfiar que a participação deles nas manifestações de ontem tiveram dois motivos: o ataque a liga e seus franqueados, o que prejudica diretamente o negócio da NFL; e a PRESSÃO DA NFLPA (associação de jogadores da NFL) e das super-estrelas do esporte. O movimento iniciado pelo QB Colin Kaepernick, que atualmente está sem time na NFL, ganhou proporções inimagináveis após este domingo.

Ontem tivemos o Media Day da NBA. Os astros das equipes foram questionados sobre o tema e continuarão se posicionando. O mesmo deve acontecer na NFL. Na MLB, o catcher do Oakland A’s, Bruce Maxwell, foi o primeiro jogador da liga a ficar de joelhos no momento do hino americano, no último sábado. O fato é que as declarações de Trump sobre as manifestações continuam concentrando fogo nos atletas, desviando o foco da questão principal que é a desigualdade racial no país.

Desde a luta pelos direitos civis na década de 60, quando nomes como Jim Brown, Mohammed Ali e Bill Russell estiveram à frente do movimento como ícones dos esportes em que atuavam, não havia uma movimentação tão grande dos atletas americanos por uma questão racial. A principal mensagem de todas as manifestações dos últimos dias: não basta ter o “poder” da fama nas mãos, mas saber usar isso da melhor forma. Isso ajuda a construir um legado para gerações, não só da história do atleta, mas da comunidade que ele influencia com as suas ações.

%d blogueiros gostam disto: