OPINIÃO – Pior que o braço, foi a língua…

(Imagem: Reprodução / Première FC)

Começo a coluna reforçando que a opinião contida no texto é minha e não do HTE. Dito isso, vamos ao tema da coluna. O fato que marcou o final de semana do futebol nacional não aconteceu dentro das quatro linhas, mas fora dela. O atacante Jô marcou o gol da vitória do Corinthians sobre o Vasco com um gol onde ele utilizou o braço para empurrar a bola para as redes. O gol poderia ser apenas mais um dentre os vários erros de arbitragem, mais um gol onde o jogador é “malandro” e usa uma arma ilegal para poder conquistar a vitória.

Entretanto, o fato tomou grandes proporções porque foi com Jô. O mesmo Jô que, meses atrás, foi beneficiado pela honestidade de Rodrigo Caio em não permitir que o atacante corintiano recebesse um cartão amarelo, que o suspenderia da segunda partida decisiva da semifinal do Paulistão, por uma falta que não cometeu no goleiro Sidão. O juiz acabou anulando o cartão dado e Jô pôde jogar o segundo jogo da semifinal, ajudando o Corinthians a chegar na final e conquistar o título.

Após aquela partida, Jô deu uma série de entrevistas elogiando Rodrigo Caio, falando sobre o seu exemplo de honestidade e caráter, onde o exemplo do zagueiro são-paulino deveria ser seguido por outros jogadores. Inclusive ele. Entretanto, na primeira grande oportunidade de mostrar que aprendeu com o caso, Jô falhou. Falhou feio, muito mais que a arbitragem que validou o gol irregular.

Aqui, um parêntese aos corintianos: o grande debate não é sobre o erro de arbitragem, contra ou a favor do Corinthians. Os clubes com maiores torcidas, maior pressão nos bastidores, maior peso, são mais beneficiados que prejudicados no futebol desde que o mundo é mundo. E a culpa não é do clube, mas sim da arbitragem que é fraca. O grande debate sobre o que ocorreu ontem é sobre caráter. Nesse caso, a falta dele.

Vivemos num país onde culturalmente, existe a cultura do “jeitinho”, da esperteza acima da honestidade. Quem nunca furou uma fila, estacionou em fila dupla, forjou carteira de estudante para pagar meia, dentre outras pequenas coisas cotidianas que são irregulares mas trazem um benefício? Acho que grande parte do brasileiro já o fez. Eu já fiz, admito. E não me orgulho disso. A questão é que Jô teve o exemplo que o beneficiou, bradou aos quatro cantos que aquele deveria ser o exemplo a ser seguido pelas crianças. Mas se comportou como mais um.

Não podemos justificar isso com um “qualquer um faria o mesmo”. Primeiro porque Rodrigo Caio não o fez, e isso já prova que há espaço para honestidade no mundo. Segundo que o resultado não pode justificar a atitude equivocada, porque nem sempre agir corretamente é a forma mais fácil de agir. Ser honesto muitas vezes requer uma dose de coragem. Coragem essa que faltou a Jô em admitir que marcou o gol com o braço. Ao invés disso, ele preferiu dar desculpas como “foi de peito” ou “eu cheguei com tudo, não senti onde a bola bateu”.

O erro de Jô foi a hipocrisia que se consumou ao não usar a oportunidade de ser grande e ajudar a arbitragem a corrigir um erro colossal. Todo e qualquer discurso sobre fair play e honestidade que venha do atacante agora será tratado como meras palavras ao vento. Jô: pior que o braço, foi a língua…

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