Scrum – A utilização do Cartão Azul no Rugby Union

A ARU (Australian Rugby Union) emitiu comunicado há alguns dias dando poder aos árbitros de utilizarem o cartão azul para jogadores que mostrassem o mínimo sinal de concussão. Esta iniciativa é mais uma parte da série de medidas que a World Rugby vem desenvolvendo para garantir o bem-estar dos jogadores em campo. Podemos dizer que elas começaram quando as leis de tackle tornaram-se mais rígidas, junto com suas sanções. De acordo com a WR, o jogador que apresentar os sintomas após uma séries de contatos deve ser retirado imediatamente do campo para testes de HIA (head injury assessment – avaliação de lesão na cabeça):

Fonte: Concussion_Poster_EN World Rugby

A princípio, somente os jogos em Canberra e Newcastle, ambas situadas na Austrália, passarão por este este. No caso positivo para concussão, o jogador recebe o cartão azul e é removido do gramado e poderá ficar de 12 a 19 dias sem contato com o esporte. Concussão é coisa séria e deveríamos ter medidas mais rígidas em todos os esportes, como no caso do futebol.

O que muda na dinâmica do jogo?

Desde que a tolerância para tackles perigosos diminuiu, treinadores e jogadores têm treinado e quebrado a cabeça (perdão pelo trocadilho) para descobrirem técnicas mais eficientes para derrubar o adversário e poderem pescar a bola no breakdown. No início parecia que tínhamos voltado à idade da pedra, pois muitos jogadores ou continuavam errando e tackleando perigosamente ou simplesmente não tackleavam, mas com o tempo, principalmente no nível profissional, a imposição física aliada à técnica foram alinhando-se e um tackle mais efetivo e seguro tomou lugar. Ainda temos casos de concussão por técnica mal aplicada, descuido ou falta de técnica mesmo, como vemos no caso de Leigh Halfpenny, ponta/fullback de Gales e British & Irish Lions, que já perdeu uma temporada inteira por conta de tackles mal executados, onde caiu já desacordado em mais de uma ocasião.

Concluindo, uma das obrigações do intermediador de rugby é garantir que a integridade física dos jogadores de ambas equipes seja mantida da melhor maneira possível -com a ajuda dos mesmos- e ele tem N ferramentas disponíveis para tal. No nível profissional estas ferramentas se multiplicam, mas não necessariamente tornam o jogo mais fácil. Na minha opinião, este cartão será utilizado somente como experimento, mas vai criar um alerta para os árbitros, já que concussão é algo muito sério e deve ser lidada com muita inteligência e calma nos momentos cruciais.

 

Vinícius Guedes

Administrador de Empresas pela UFRRJ, Segurança Privado, Árbitro de Rugby pela RioRefs, jogador pelo Itaguaí Rugby. Gosta de esportes, filmes, séries e muita música.

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